Impopularidade da “reforma” da Previdência eleva às alturas crise do regime golpista

Bozo tosse

A discussão entre o presidente ilegítimo, Jair Bolsonaro (PSL), e o presidente golpista da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), escancarou a crise do regime golpista.

Depois de dizer que Bolsonaro “brinca de presidir, enquanto o país tem milhões de desempregados e registra milhares de assassinatos todos os anos”, o deputado fez um apelo ao presidente: “pare, chega, peça ao entorno para parar de criticar”, alegando que “a bolsa está caindo [recuou 3,5% no dia 27], a expectativa dos investidores está ficando menor” e que “ninguém ganha com isso”.

Por sua vez, o presidente afirmou em uma entrevista em São Paulo que “não existe brincadeira, muito pelo contrário”.

Segundo setores da própria imprensa golpista, participaram dessa entrevista apenas jornalistas autorizados pela equipe de segurança presidencial. “Ficaram de fora TV Globo, GloboNews, CBN, O Globo, Valor, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL”, diz matéria no portal G1, da Globo. Uma situação que evidencia também o agravamento das tensões do governo com setores da imprensa capitalista.

As tensões se expressam por todos os lados

Na terça (dia 26), a Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda Constitucional de 2015 que torna todo o Orçamento da União impositivo, o que significa que o governo teria de executar obrigatoriamente as despesas aprovadas pelo poder Legislativo.

A PEC foi aprovada por 448 votos a 3, em primeiro turno e por 453 votos a 6, no segundo turno, o que se constituiu em uma derrota acachapante do governo que defendia justamente o oposto, o fim da imposição orçamentária. Tudo isso em um dia marcado pela rebelião do Congresso golpista contra o governo, impulsionada pela crise geral do governo e pela ausência do ministro da Economia, Paulo Guedes, a uma audiência marcada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para defender a sua proposta de “reforma” da Previdência.

Desde os primeiros dias do governo, não há semana em que a crise do governo improvisado de Bolsonaro (que não era o candidato preferido da burguesia golpista) não se intensifique, refletindo o agravamento das tensões entre as diferentes alas da burguesia, frente a incapacidade do governo de adotar medidas que contenham minimamente o avanço da crise econômica e que ataquem ainda mais duramente os trabalhadores, como é o caso da “reforma” da Previdência.

A crise no Judiciário e entre os militares

Na semana passada, a crise se agravou no Judiciário. Primeiro, com a prisão, ilegal, do ex-presidente golpista, Michel Temer, e , depois, com sua soltura por meio de um habeas corpus. Uma situação que expôs o enfrentamento cada vez mais intenso entre as alas fundamentais do golpe: os setores mais ligados ao imperialismo, como o setor ligado à máfia da operação Lava Jato, liderada – entre outros – pelo ministro Sérgio Moro e os setores mais ligados a setores da burguesia nacional, como a ala “garantista” (de Gilmar Mendes e cia.) no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma divisão que se espalha por todas as instâncias, em todo o País.

Nem entre o setor militar, “partido” com maior presença no governo Bolsonaro e um dos principais fiadores do seu governo, a situação se mostra tranquila. Setores militares apresentaram críticas semelhantes aos do próprio Bolsonaro e a própria imprensa golpista anunciou que “integrantes da ala mais moderada das Forças Armadas” teriam afirmado que “são contra a decisão do presidente Jair Bolsonaro de determinar ao Ministério da Defesa prepare as ‘comemorações devidas’ pelos 55 anos do golpe militar de 1964″. Ao mesmo tempo, setores mais direitistas da cúpula militar resolveram tornar públicas as celebrações pelo golpe.

No meio dessas pressões, o governo balança na corda bamba, voltando atrás em decisões tornadas públicas e patinando. Na quinta-feira (dia 28), por exemplo, o próprio presidente declarou que não se trata de “comemorar”, mas “rememorar” 1964; diante da ampla rejeição e polarização adotada por sua campanha golpista a favor da ditadura.

Fraqueza na hora de aprovar a reforma

Todas essas questões estão diretamente relacionadas à evidente fraqueza do governo expressa, principalmente, nas questão da “reforma” da Previdência.

Também nessa quinta-feira, o governo anunciou a indicação do nome do deputado Delegado Marcelo Freitas (PSL-MG) como relator da proposta de emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. A escolha do deputado, que está em seu primeiro mandato e não tem qualquer experiência em articulação política, ocorre depois que líderes do Congresso e do governo anunciavam que buscavam um nome capaz de, inclusive, atrair votos de setores da oposição burguesa ao governo, mostrando o claro isolamento do governo, também nessa questão fundamental. Essa decisão foi anunciada na Câmara depois de uma reunião na qual os principais participantes eram o presidente da CCJ, Felipe Francischini (PSL-PR), o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM); a líder do Governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP); o secretário Especial de Previdência, Rogério Marinho (PSDB) e o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO); ou seja, todos elementos diretamente vinculados ao presidente ou ao seu partido, sem a presença dos aliados (como o próprio presidente da Câmara) do qual ele depende para aprovar a  “reforma”.