Imperialismo americano
O imperialismo alemão encabeça os ataques a Donald Trump
WASHINGTON, DC - MARCH 27:  U.S. President Donald Trump listens while meeting with women small business owners in the Roosevelt Room of the White House on March 27, 2017 in Washington, D.C.  Investors on Monday further unwound trades initiated in November resting on the idea that the election of Trump and a Republican Congress meant smooth passage of an agenda that featured business-friendly tax cuts and regulatory changes. (Photo by  Andrew Harrer-Pool/Getty Images)
Donald Trump | Foto: Repordução
WASHINGTON, DC - MARCH 27:  U.S. President Donald Trump listens while meeting with women small business owners in the Roosevelt Room of the White House on March 27, 2017 in Washington, D.C.  Investors on Monday further unwound trades initiated in November resting on the idea that the election of Trump and a Republican Congress meant smooth passage of an agenda that featured business-friendly tax cuts and regulatory changes. (Photo by  Andrew Harrer-Pool/Getty Images)
Donald Trump | Foto: Repordução

Essa semana foi aprovado o Impeachment de Donald Trump Jr., Presidente dos Estados Unidos. Faltando menos de uma semana para a posse do candidato Democrata, na próxima quarta-feira (20), o projeto foi aprovado na Câmara e agora segue ao Senado. Para afastá-lo, os democratas devem conseguir a maioria de dois terços, tornando-o então inelegível para qualquer cargo público.

A tentativa de impeachment no ano passado fracassou na câmara alta tendo os republicados, maioria entre os senadores, votado em bloco em defesa de Trump, com apenas o voto do ex-presidenciável, Mitt Romney. Desta vez o bloco encontra-se rachado e a pressão contra o atual presidente é ainda maior.

A única coisa que pode atrasar o impeachment é a consideração que o processo possa ofuscar as primeiras semanas do governo Biden, onde uma enorme propaganda será necessária para tornar o já intragável governo, tragável.

Romney é um caso emblemático dentre os republicanos, assim como Bush filho, ex-presidente dos Estados Unidos por dois mandatos, Mitt Romney representa a ala mais forte do imperialismo norte-americano dentre os republicanos. Romney concorreu a presidência em 2012 contra o então presidente Barack Obama que foi para o seu segundo mandato. Romney e o candidato do Partido Republicano de 2008, John McCain, marcaram a falência do partido, que logo após a reeleição de Obama começou a ser dominada pela ala extrema-direita, representante do baixo clero da burguesia estadunidense. A ala de Romney, McCain e Bush é mais ligada a Obama, Biden (vice presidente nos dois mandatos de Obama) e Hilary Clinton do que a Donald Trump. Essas figuras representam o setor mais forte do imperialismo norte-americano, os falcões da guerra que agora retornam ao poder.

Por outro lado, Donald Trump representa uma parcela muito mais frágil da burguesia imperialista. Trump foi atacado desde o seu primeiro dia de mandato. É certo dizer que nenhum outro presidente da história recente dos Estados Unidos foi tão atacado pela imprensa como Trump, justamente pelo fato dele representar uma ala mais fraca e ser um fator desestabilizante do regime. O magnata do ramo imobiliário representa uma parte expressiva da extrema-direita, mas também consegue apoio da população em crise com o regime imperialista, embora possa parecer contraditório, isso explica o apoio que teve de imigrantes e operários na parte mais atrasada dos Estados Unidos. Embora a imprensa o ataque ferozmente, Trump não é o autor dos piores crimes cometidos pelos Estados Unidos, mas seus concorrentes são responsáveis pelas guerras do golfo, Iraque, Afeganistão, síria e muitas outras. Obama, Bush, Hilary foram os mais ferrenhos implementadores da política bélica dos EUA assim como dos projetos neoliberais que colocou milhões de pessoas na pobreza, isso dentro e fora dos EUA. Como a política é uma farsa escancarada até para olhos mais leigos, e a política norte-americana dificulta muito o surgimento de uma alternativa de esquerda, Trump aparece como uma solução para os desesperados.

Fica claro que o imperialismo de conjunto quer a cabeça de Donald Trump. Em um momento delicado para o capitalismo, onde qualquer faísca pode incendiar a política, ter um presidente com o alcance e a influência que Trump tem é algo muito inquietante, ainda mais no coração do imperialismo, os EUA.

Recentemente a principal voz do imperialismo alemão, o Deutsche Welle (DW) publicou dois artigos de opinião, o primeiro de Manuela Kasper-Claridge, editora-chefe da DW, e o segundo de Ines Pohl, ex-editora-chefe e atual correspondente do veículo em Washington.

O artigo de Manuela Kasper-Claridge é uma defesa envergonhada da censura de Trump. De maneira tortuosa ela diz defender a liberdade de expressão e compara Trump a um Golias das redes sociais que precisava ser derrubado e censurado. Porém ela não deixa de assinalar que se Trump é um Golias como seus 88 milhões de seguidores no Twitter, seus algozes são empresas multinacionais, que fazem Trump parecer menos que um David, uma formiga.

Sua defesa da liberdade de expressão é ridícula, ao ponto dela louvar a lei ditatorial alemã aprovada no 1º de janeiro de 2018, a “Lei de Execução da Rede” (Netzwerkdurchsetzungsgesetz), que obriga as redes sociais no país a “combater agitação e notícias falsas”, basicamente dando ao governo e às redes sociais o poder da polícia política da internet. “Notícias falsas e agitação” pode ser resumido a tudo aquilo que vai de encontro ao que quer o imperialismo. Tudo isso, claro, em nome do combate ao fascismo. Trata-se na verdade de uma herança da Gestapo.

O segundo artigo vem com um depoimento in locus do que aconteceu no dia da invasão do Capitólio, e segundo Ines Pohl, Trump é plenamente responsável pelo acontecimento, foi um agitador e deve ser punido por tal. O artigo é uma defesa emocional do impeachment de Trump.

Junto com a imprensa, os bancos também estão atacando e boicotando o presidente. O banco alemão Deutsche Bank, assim como outros bancos europeus, rompeu os vínculos com Trump. Tem-se então as instituições mais importantes do imperialismo, os bancos e a imprensa, encabeçados pela maior potência europeia, contra Trump, faltaria apenas enviarem os exércitos para atacá-lo pessoalmente.

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