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WASHINGTON, DC - JANUARY 30:  U.S. President Donald J. Trump holds a glass of water before he delivers the State of the Union address as U.S. Vice President Mike Pence (L) and Speaker of the House U.S. Rep. Paul Ryan (R-WI) (R) look on in the chamber of the U.S. House of Representatives January 30, 2018 in Washington, DC. This is the first State of the Union address given by U.S. President Donald Trump and his second joint-session address to Congress.  (Photo by Win McNamee/Getty Images)
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Bolsonaro foi colocado no governo pelo imperialismo norte-americano. Com a crise capitalista de 2008, o imperialismo precisou aumentar o controle sobre os países atrasados, a fim de extrair ainda mais seus recursos naturais e elevar o domínio de suas economias.

Assim, o governo do PT era um empecilho. Ainda mais com as contradições do governo Lula que se aprofundaram no governo Dilma, com a espionagem à Petrobras e à própria presidenta, as boas relações políticas e econômicas com governos que os EUA publicamente sempre tentaram derrubar (Cuba, Venezuela, Nicarágua, Bolívia e Equador).

Os Estados Unidos ficaram perturbados com o desgaste das relações (embora, obviamente, o Brasil continuasse sendo um país submisso ao imperialismo). A formação e cada vez maior aproximação entre os BRICS foi “o apogeu da tentativa do Brasil de jogar para escanteio os EUA no Hemisfério Sul”.

Essa é a análise da publicação The American Interest, fundada e presidida por Francis Fukuyama, famoso e influente cientista político conservador, um dos principais intelectuais do imperialismo.

O artigo “As relações EUA-Brasil devem ser mais do que amizade” demonstra a preocupação rapineira do imperialismo com o Brasil, que critica, além dos acontecimentos citados acima, o certo controle do Estado sobre alguns setores estratégicos para a economia. Obviamente, para os tubarões capitalistas, o mínimo de soberania nacional não pode ser tolerado. Tudo tem que estar nas mãos dos monopólios.

Por isso Bolsonaro foi imposto contra os brasileiros na presidência da República. O autor do artigo, Ryan Berg, se impressiona (lógico, de maneira positiva) com a tamanha subserviência do político fascista aos EUA. Mas também apresenta a preocupação para manter seu fantoche rigorosamente na linha.

“Os EUA devem trabalhar para prevenir que as tensões do passado desnorteiem a relação de camaradagem Trump-Bolsonaro, enquanto asseguram que as posições declaradas de Bolsonaro se traduzam em mais do que retórica”, escreve.

A estratégia para o governo de Bolsonaro é que seu títere utilize a desculpa do combate ao crime organizado transnacional para aumentar a repressão interna (sob o controle das agências norte-americanas) e sirva de carne de canhão para operações na fronteira com Argentina e Paraguai (local estratégico, onde se localiza o Aquífero Guarani, maior reserva subterrânea de água doce do planeta).

“Uma ofensiva regional entre EUA e Brasil contra o tráfico de drogas ilegal e o crime organizado transnacional, concentrada tanto na Tríplice Fronteira como em outras partes vulneráveis do país, seria uma iniciativa ambiciosa e mutuamente benéfica”, comenta.

Mas o Brasil seria carne de canhão principalmente na luta do imperialismo para derrubar o governo da Venezuela. “Com uma pequena cutucada da Administração Trump […] o Brasil pode ser empurrado para oferecer apoio logístico, financeiro e moral para a oposição venezuelana, assim como impor sanções unilaterais destinadas a desembaraçar a complexa rede de crime organizado brotando da atual desordem na Venezuela.”

Ou seja, confirma-se a intenção do imperialismo de usar o Brasil para aumentar as pressões golpistas contra a soberania nacional venezuelana e o governo legítimo e popular do presidente Nicolás Maduro.

Mas eles querem mais. A publicação incentiva a assinatura de um acordo de livre-comércio entre Brasil e EUA, facilitando o saque das companhias norte-americanas sobre as riquezas nacionais.

Ainda, abrindo a economia brasileira, os EUA também estariam minando o poder econômico da China na região. O “forte sentimento anticomunista” de Bolsonaro seria o disfarce para impedir que o país asiático compre novas empresas estratégicas na América do Sul, favorecendo sua aquisição pelos monopólios norte-americanos.

O artigo ainda sugere um boicote no projeto da ferrovia bioceânica, que liga Brasil, Bolívia e Peru e é feito com investimento chinês, vinculado ao megaprojeto da Nova Rota da Seda. Isso seria estrategicamente benéfico para os EUA na guerra comercial com a China, pois a ferrovia facilitará o comércio entre Brasil e China, pelo Oceano Pacífico, e os norte-americanos não querem que seu concorrente corte caminho assim como eles próprios fazem através do Canal do Panamá (por isso também o boicote ao Canal da Nicarágua, iniciativa chinesa que está congelada).

O artigo conclui esperançoso de que seu servo implemente a política entreguista que lhe foi estabelecida: “Com o forte mandato reformista [leia-se neoliberal, vende-pátria] de Bolsonaro em Brasília, a expectativa para um relação renovada com o Brasil parece melhor do que nunca.”

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