Imperialismo norte-americano planeja como Bolsonaro vai entregar o Brasil

President Trump Addresses The Nation In His First State Of The Union Address To Joint Session Of  Congress

Bolsonaro foi colocado no governo pelo imperialismo norte-americano. Com a crise capitalista de 2008, o imperialismo precisou aumentar o controle sobre os países atrasados, a fim de extrair ainda mais seus recursos naturais e elevar o domínio de suas economias.

Assim, o governo do PT era um empecilho. Ainda mais com as contradições do governo Lula que se aprofundaram no governo Dilma, com a espionagem à Petrobras e à própria presidenta, as boas relações políticas e econômicas com governos que os EUA publicamente sempre tentaram derrubar (Cuba, Venezuela, Nicarágua, Bolívia e Equador).

Os Estados Unidos ficaram perturbados com o desgaste das relações (embora, obviamente, o Brasil continuasse sendo um país submisso ao imperialismo). A formação e cada vez maior aproximação entre os BRICS foi “o apogeu da tentativa do Brasil de jogar para escanteio os EUA no Hemisfério Sul”.

Essa é a análise da publicação The American Interest, fundada e presidida por Francis Fukuyama, famoso e influente cientista político conservador, um dos principais intelectuais do imperialismo.

O artigo “As relações EUA-Brasil devem ser mais do que amizade” demonstra a preocupação rapineira do imperialismo com o Brasil, que critica, além dos acontecimentos citados acima, o certo controle do Estado sobre alguns setores estratégicos para a economia. Obviamente, para os tubarões capitalistas, o mínimo de soberania nacional não pode ser tolerado. Tudo tem que estar nas mãos dos monopólios.

Por isso Bolsonaro foi imposto contra os brasileiros na presidência da República. O autor do artigo, Ryan Berg, se impressiona (lógico, de maneira positiva) com a tamanha subserviência do político fascista aos EUA. Mas também apresenta a preocupação para manter seu fantoche rigorosamente na linha.

“Os EUA devem trabalhar para prevenir que as tensões do passado desnorteiem a relação de camaradagem Trump-Bolsonaro, enquanto asseguram que as posições declaradas de Bolsonaro se traduzam em mais do que retórica”, escreve.

A estratégia para o governo de Bolsonaro é que seu títere utilize a desculpa do combate ao crime organizado transnacional para aumentar a repressão interna (sob o controle das agências norte-americanas) e sirva de carne de canhão para operações na fronteira com Argentina e Paraguai (local estratégico, onde se localiza o Aquífero Guarani, maior reserva subterrânea de água doce do planeta).

“Uma ofensiva regional entre EUA e Brasil contra o tráfico de drogas ilegal e o crime organizado transnacional, concentrada tanto na Tríplice Fronteira como em outras partes vulneráveis do país, seria uma iniciativa ambiciosa e mutuamente benéfica”, comenta.

Mas o Brasil seria carne de canhão principalmente na luta do imperialismo para derrubar o governo da Venezuela. “Com uma pequena cutucada da Administração Trump […] o Brasil pode ser empurrado para oferecer apoio logístico, financeiro e moral para a oposição venezuelana, assim como impor sanções unilaterais destinadas a desembaraçar a complexa rede de crime organizado brotando da atual desordem na Venezuela.”

Ou seja, confirma-se a intenção do imperialismo de usar o Brasil para aumentar as pressões golpistas contra a soberania nacional venezuelana e o governo legítimo e popular do presidente Nicolás Maduro.

Mas eles querem mais. A publicação incentiva a assinatura de um acordo de livre-comércio entre Brasil e EUA, facilitando o saque das companhias norte-americanas sobre as riquezas nacionais.

Ainda, abrindo a economia brasileira, os EUA também estariam minando o poder econômico da China na região. O “forte sentimento anticomunista” de Bolsonaro seria o disfarce para impedir que o país asiático compre novas empresas estratégicas na América do Sul, favorecendo sua aquisição pelos monopólios norte-americanos.

O artigo ainda sugere um boicote no projeto da ferrovia bioceânica, que liga Brasil, Bolívia e Peru e é feito com investimento chinês, vinculado ao megaprojeto da Nova Rota da Seda. Isso seria estrategicamente benéfico para os EUA na guerra comercial com a China, pois a ferrovia facilitará o comércio entre Brasil e China, pelo Oceano Pacífico, e os norte-americanos não querem que seu concorrente corte caminho assim como eles próprios fazem através do Canal do Panamá (por isso também o boicote ao Canal da Nicarágua, iniciativa chinesa que está congelada).

O artigo conclui esperançoso de que seu servo implemente a política entreguista que lhe foi estabelecida: “Com o forte mandato reformista [leia-se neoliberal, vende-pátria] de Bolsonaro em Brasília, a expectativa para um relação renovada com o Brasil parece melhor do que nunca.”