A falência do sistema
O sistema capitalista já se encontrava a caminho do calvário; a pandemia apenas escancarou algo que é um problema profundo e estrutural do capitalismo
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População vivendo em condições de extrema pobreza | Reprodução

A situação econômica mundial aponta para uma catástrofe sem precedentes. Na atual etapa da sociedade burguesa, as crises se apresentam com cada vez mais intensidade, enovelando-se em fardos cada vez mais densos, acumulando em seu curso histórico a falência generalizada das relações de produção capitalistas. Em seu estágio mais avançado, o capitalismo já carrega a origem de sua dissolução. Com o aumento da concentração do capital e a destruição das forças produtivas, o imperialismo encontra-se mais combalido, projetando os despossuídos ao degredo social e à miséria.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) revelam que em 2021 a crise humanitária deve se aprofundar e atingir 235 milhões de pessoas no mundo. Para socorrer o verdadeiro exército de famintos, destituídos e abandonados em locais como Síria, Venezuela, Paquistão, Haiti, Afeganistão, Iêmen, Colômbia, Ucrânia etc., serão necessários US$ 35 bilhões, segundo a organização. Essas condições, no entanto, não se resumem aos países onde a exploração imperialista é mais intensa. Nos países imperialistas a situação está cada vez mais dramática. Em entrevista à Agência France-Presse, trabalhadores que perderam o emprego relataram que após a primeira onda da epidemia de COVID-19, tornou-se regra geral pular refeições, viver com dívidas e voltar para a casa dos pais. Essa diminuição do padrão de vida, porém, é resultado direto da crise capitalista que assumiu um aspecto ainda mais agressivo e intenso com a pandemia do novo coronavírus.

“Estou em modo de sobrevivência, uma refeição por dia para a família e pronto”, disse o francês Xavier Chergui, um dos trabalhadores nesta condição. Chergi é pai de dois filhos, cuja esposa não trabalha. “Estou atrasado no aluguel, na luz. Também tenho que pagar o empréstimo do carro”. Assim como Chergui, muitos outros trabalhadores sobrevivem devido ao Revenu de Solidarité Active (RSA), que garante, na França, renda mínima para pessoas sem recursos, e que chega a 1.400 euros por mês.

“Se projeções do FMI, Banco Mundial e de outras instituições apontam para o início da recuperação da economia mundial em 2021, a ONU relembra que a crise de 2020 terá seu impacto prolongado entre os grupos mais vulneráveis e populações que já viviam em uma situação delicada. Conflitos, mudanças climáticas e a covid-19 geraram o maior desafio humanitário desde a Segunda Guerra Mundial”, afirmou Antônio Guterres, secretário-geral da ONU. Ainda segundo Guterres, “a crise está longe de ter acabado. Os orçamentos de ajuda humanitária enfrentam carências terríveis à medida que o impacto da pandemia mundial continua a piorar”.

No caso do Brasil, a ONU destaca que antes da pandemia começar, a estimativa de brasileiros que viviam na pobreza extrema era de 5,1 milhões, com rendimento menor que US$ 1,90 por dia. Contudo, num dos cenários desenhados pela entidade – baseado nas dificuldades econômicas que o país atravessa, o ano de 2021 começará com 7,9 milhões de brasileiros nestas condições. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a pobreza extrema já afeta 13,7 milhões de brasileiros, dado que colocava o país em 2019 como 9º país mais desigual do mundo. Doravante, as perspectivas ainda são mais alarmantes. Cálculos do economista Daniel Duque, pesquisador da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) anunciam uma catástrofe iminente. Segundo Duque, somente na passagem de agosto para setembro, houve um aumento de 8,6 milhões de pessoas em situação de pobreza; No que se refere a população em situação de miséria, houve um aumento de 4 milhões. Com o fim previsto do auxílio emergencial, a situação, evidentemente, será ainda mais calamitosa. “O pior momento vai ser em janeiro (de 2021)”, disse Duque. Segundo projeções do Banco Mundial, até 2021 o número de pessoas que vivem em extrema pobreza no mundo deve aumentar para 150 milhões. De acordo com a instituição financeira, são os novos pobres, “mais urbanos, com melhor educação”.

A profundidade da crise econômica mundial é imensurável. A pandemia do novo coronavírus, ao contrário do que muitos afirmam, não criou a crise econômica – apenas a agravou. De acordo com Mark Lowcock, coordenador da ajuda de emergência da ONU, pela primeira vez desde os anos 1990, a pobreza extrema aumentará, a expectativa de vida vai diminuir e o número de mortes em um ano por HIV, tuberculose e malária pode dobrar. Segundo a ONU, a pandemia do novo coronavírus, que matou mais de 1,45 milhão de pessoas no mundo, afetou de modo desproporcional aqueles que “já vivem no fio da navalha”.

Longe de obter uma solução para as crises passadas, o sistema capitalista já se encontrava a caminho do calvário; a pandemia apenas escancarou algo que é um problema profundo e estrutural do capitalismo. A crise de super produção, como em outros casos, abrira mais um ferimento no corpo enfermo e caduco do sistema capitalista e à ele sobreveio a pandemia – expondo a olho nu a podridão de uma carcaça profundamente debilitada. Esse, portanto, não é um problema conjuntural por conta da pandemia; a própria debilidade em lidar com a crise sanitária é uma patente declaração de falência – sendo seus efeitos produto da crise. De um modo geral, a crise da pandemia expressa a crise do imperialismo.

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