Queridinho da burguesia
A manobra da revista burguesa Time em promover Boulos não passa de um contraponto para tentar impedir o PT como liderança nas eleições de 2022
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Guilherme Boulos | Foto: Reprodução
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Guilherme Boulos | Foto: Reprodução

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), amanheceu nesta quarta-feira (17) em festa. Ainda pela manhã uma das lideranças do partido, Guilherme Boulos, comemorava através de suas redes sociais – o Twitter.Invadindo a TIME! “Fico honrado em estar na lista #TIME100Next da Revista @Time, como uma das 100 lideranças emergentes do mundo. O futuro é logo ali!”. O psolista é um dos citados pela Revista americana Time que costuma publicar anualmente, uma lista de “lideranças” que estão surgindo no mundo todo. Segundo a Revista o que mais impressionou “foi como seus membros (da lista) estão lidando com a crise”.

A Revista Time e essa lista sempre é usada como ferramenta de propaganda pelo imperialismo. Veja que Hitler estampou-a nos anos 30, quando o fascismo era amigo, e Stálin, então aliado militar, estampou ela durante a guerra, quando o fascismo já não era tão querido pelo imperialismo norte-americano.

Em dezembro do ano passado a revista Time decidiu quem seriam as suas personalidades do ano de 2020. De acordo com o editor da revista, Edward Felsenthal, “por mudar a história norte-americana, por mostrar que a força da empatia é maior que as fúrias da divisão, por compartilhar uma visão de sanar um mundo enlutado, Joe Biden e Kamala Harris são a Pessoa do Ano de 2020 da Time”. 

Muito bonito, mas não é jornalismo, é comercial. Boulos ganhou um slot na programação.

Sobre Guilherme Boulos, a revista não poupa elogios e apresenta o cidadão como uma grande liderança da esquerda brasileira, ligado aos pobres e aos jovens, capaz de concorrer as eleições presidenciais de 2022. Em trecho da propaganda do psolista é interessante notar o detalhe sobre o Partido dos Trabalhadores, de acordo com a revista, Boulos conquista militantes “desiludidos” com o PT.

“Dois anos em Jair Bolsonaro Controvertida presidência, a fragmentada esquerda do Brasil tem lutado principalmente para se unir atrás de um líder para desafiar a extrema direita. Guilherme Boulos começou a mudar isso, impulsionado por uma candidatura a prefeito de São Paulo em novembro. Boulos trabalhou por duas décadas como organizador comunitário em bairros pobres.(…) Um mês antes do primeiro turno, ele estava em quarto lugar como candidato de um partido minoritário, com apenas 10% dos votos esperados. Mas, ao conquistar os jovens e energizar eleitores desiludidos com a esquerda dominante do Partido dos Trabalhadores, Boulos derrotou o candidato preferido de Bolsonaro e outros para chegar ao segundo turno(…) No final, ele perdeu a eleição (…) mas analistas disseram que seu desempenho chocante na cidade influente o estabeleceu como uma figura ascendente na política brasileira e deu à esquerda um novo caminho a seguir. Muitos esperam que Boulos concorra à presidência em 2022 e desempenhe um papel importante na reconstrução da força da esquerda nesse ínterim. – Ciara Nugent” – Revista Time 17/02/2021.

Ao lado de Boulos na Revista, na categoria “Líderes”, aparece a golpista da Bielorrússia, financiada pelo imperialismo, Svetlana Tikhanovskaya, que recebe elogios de ninguém menos que Juan Guaidó abaixo de sua imagem na Time.Svetlana Tikhanovskaya é um exemplo de resistência e dignidade para todos nós que lutamos pela democracia no mundo.” – Juan Guaidó. Péssimos acompanhantes. Mas o elogia da Time é coerente com a trajetória de Guilherme Boulos.

Durante as eleições, o Sr. Guilherme Boulos, foi amplamente insuflado e elogiado pela imprensa direitista e golpista brasileira. Afinal um voto para Boulos era um voto menos para o PT.  Atualmente o ex-candidato a prefeito de São Paulo, escreve na Folha de São Paulo, o jornal venal que comandou a campanha pelo impeachment. É interessante relembrar as circunstâncias da recontratação de Boulos pela Folha. Boulos já havia sido colunista do jornal entre 2014 e 2017, período em que teve participação importante no golpe de Estado que derrubou Dilma Rousseff. Na época, ele protagonizou diversos atos contra o ajuste fiscal e Dilma e chamou as manifestações pelo “Não vai ter Copa”, outra importante pauta golpista. Após esse período, Boulos foi demitido do jornal, o mesmo ocorreu com Kim Kataguiri, recebeu coluna durante o golpe, após ele, foi demitido sem muita cerimônia.

O aceno do imperialismo em direção à Boulos não é tão estranho. O imperialismo tem tido a política de impulsionar candidatos e figuras com aparência progressista para cumprir diversos propósitos. Veja o caso do presidenciável Yaku Perez, que no Equador, foi apoiado pelos EUA e se diz ecossocialista. O papel que ele desempeanhará tende a se tornar mais claro na medida que o pleito de 2022 se aproxima.

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