Igreja católica mobilizou os fascistas para virar o jogo contra o aborto no Senado argentino

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A luta das mulheres argentinas para conseguir a legalização do aborto, um direito democrático, foi derrotada na última semana pelos conservadores do Senado argentino. Vale ressaltar que quem liderou a luta contra a legalização, ou seja, contra as mulheres argentinas, foi o Papa Francisco e o Vaticano.

A iniciativa da Igreja, comandada pelo papa argentino, fez com que alguns senadores que estavam dispostos a votar a favor das mulheres recuassem com medo de perder o apoio eleitoral da Igreja. O Papa chegou a fazer um chamado para que a população fizesse  pressão sobre os parlamentares.

O líder da Igreja Católica, que participou e deu total apoio a ditadura militar mais sangrenta do continente, chegou a fazer um discurso onde anunciava que o “aborto era nazismo”, era “assassinato de crianças inocentes”, algo inaceitável para um país católico e fiel como a Argentina.

Toda essa campanha despertou as feras da extrema direita argentina. O chamado da igreja criou toda uma campanha fascistas contra o movimento das mulheres. Algumas mulheres que encabeçavam o movimento de pressão para a aprovação do aborto tiveram suas casas atacadas, em algumas chegaram a pintar a suástica.

Esse fato também atesta o quão iludida é a esquerda no continente. A aprovação da prática na Câmara dos Deputados argentino alguns meses atrás criou um rebuliço na esquerda de quase toda América Latina. Aqui no Brasil vários grupos organizados de mulheres já dava como garantido o direito ao aborto na Argentina. Assistimos, então, mais um caso das chamadas “ilusões parlamentares da esquerda”, tanto Argentina quanto no Brasil.

Não dá para negar que o aborto é uma realidade e que essa realidade deve se impor diante de restrições meramente morais, motivadas por crenças religiosas. Porém, essa conquista só será garantida com a mobilização e organização popular.