Identificada mais uma vítima do torturador Brilhante Ustra, ídolo de Bolsonaro

Foi divulgado pelo Grupo de Trabalho Perus a identificação por exame de DNA dos restos mortais do bancário e ex-presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro Aluízio Palhano Pedreira Ferreira, torturado e assassinado nas dependências do DOI-CODI em São Paulo em 1971, o principal centro de tortura durante a ditadura.

A ossada de Palhano é a 5ª identificada em meio aos mais de mil sacos com ossadas não identificadas localizados em uma vala comum no cemitério clandestino de Perus, zona norte de São Paulo, local descoberto no final dos anos 80, após mais de 10 anos de investigação. O cemitério era o local preferencial de “desova” dos corpos de militantes de esquerda sequestrados, torturados e mortos pelos órgãos de repressão da ditadura militar.

De acordo com dossiê produzido pelo Comitê Brasileiro de Anistia, Palhano, militante do grupo de Carlos Lamarca, Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), foi preso em 9 de maio de 1971 em São Paulo e transferido para as dependências da Cenimar – centro de inteligência da Marinha. Depois de seguidas sessões de tortura foi entregue nas mãos do então major Carlos Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI do II Exército entre 1970 e 1974, onde foi novamente tortura e morto provavelmente no dia 21 de maio daquele ano.

Ustra, conhecido com a alcunha de doutor Tibiriçá, notabilizou-se pelo sadismo e crueldade com que tratava os presos políticos, inclusive participando ativamente das sessões de torturas. As práticas cruéis do Dr. Tibiriçá não poupavam nem crianças. São vários os relatos da presença dos filhos dos torturados nos porões do DOI-CODI, como forma de instigar o pavor entre os pais.

Único brasileiro declarado pela Justiça como torturador na ditadura, Ustra morreu em 2015 sem nunca pagar pelos crimes que cometeu, assim como milhares de outros torturadores e assassinos, dentro e fora das Forças Armadas, que saíram absolutamente impunes das atrocidades cometidas.

Para aqueles que por um momento possam pensar que os fatos acima dizem respeito simplesmente à história, tem que ter presente que os fascistas de ontem, ao estilo de Ustra, têm nos fascistas de hoje a sua linha de continuidade. O golpe de Estado de 2016 no Brasil acaba de levar à presidência da República por meio da fraude e da manipulação um presidente que, pelo que ele mesmo admite, se tiver condições irá muito além do que foi feito pelo seu “herói”.

Quando da votação do impeachment absolutamente fraudulento da presidenta Dilma, Bolsonaro dedicou o seu voto em “… memória do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”, se referindo ao fato da ex-presidenta ter sido uma das torturadas pelo doutor Tibiriçá.

São públicas ainda as suas declarações como “o erro da ditadura foi torturar e não matar”, “eu sou favorável à tortura, tu sabe disso” , o “problema da ditadura foi não ter matado 30 mil…” e “ quem procura osso é cachorro”, ao se referir justamente às investigações dos “desaparecidos” políticos vítimas da ditadura militar de 64.

Bolsonaro, seu vice, o general Hamilton Mourão e todas as figuras de frente do novo regime que se esboça no país, são os cultuadores atuais do golpe militar de 64 e que foram elevados pelo golpe de 2016 novamente ao centro da cena política brasileira. Assim como os militares de 64, também são serviçais da política do imperialismo para o Brasil.

Na defesa da absoluta subserviência aos Estados Unidos, não vão se furtar em repetir no país todas as atrocidades da ditadura de 64, aliás, esse é o desenvolvimento natural do golpe de Estado em curso.

A única saída progressista para a população trabalhadora brasileira é a sua mobilização para barrar o avanço do golpe e essa mobilização para ser efetiva só pode se dar nas ruas em torno de um programa e um plano de lutas que tenham como eixos centrais o Fora Bolsonaro e todos os golpistas e a liberdade de Lula.