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Saúde no capitalismo
Hospital cobra cirurgia que é feita de graça pelo SUS
Falcatruas envolvendo atravessadores e hospital privado expõe o drama da saúde popular sob o regime capitalista
pedro-henrique-caron
Saúde no capitalismo
Hospital cobra cirurgia que é feita de graça pelo SUS
Falcatruas envolvendo atravessadores e hospital privado expõe o drama da saúde popular sob o regime capitalista
Hospital Angelina Caron, região metropolitana de Curitiba: Gazeta do Povo
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Hospital Angelina Caron, região metropolitana de Curitiba: Gazeta do Povo

Segundo informações divulgadas no portal direitista UOL, um esquema envolvendo atravessadores para a realização de cirurgias bariátricas pelo SUS (portanto gratuitamente) estariam ocorrendo no hospital privado Angelina Caron (localizdo no Paraná) e sendo alvo de investigação do Ministério Público do Paraná há cerca de dois anos.

Em outubro, após acusação do MP-PR acatada pela Justiça, uma médica da empresa chegou a ser afastada de suas atividades por cobrar R$9 mil para priorizar um atendimento também realizado pelo SUS. Em nota, o Angelina Caron alegou não ter “nenhuma ligação com ‘atravessadores’ que dizem ‘vender’ encaminhamento para cirurgia”. Claro que aqui, vale a máxima do general Wellington, “quem acredita nisso, acredita em tudo”. Afinal, antes de qualquer outra coisa, hospitais privados são empresas capitalistas, que podem ter um quadro bonito e bem diagramado (às vezes nem isso) na sua recepção falando dos valores e da missão humanitária da empresa, mas ninguém minimamente sensato vai levar a sério uma vírgula do palavreado. Os valores e a missão são a grana entrando. Ponto. Se isso significar fazer cobranças ilegais, apelando para o desespero das pessoas por um procedimento cirúrgico que dê fim ao sofrimento delas, essas empresas vão fazer isso.

Nesse sentido, a reportagem do UOL destaca ainda que o aliciamento dos atravessadores é realizado através de postagens feitas nas redes sociais de pacientes desesperados com a demora no atendimento de suas necessidades. Se a conduta implicar em aumentar o tempo de espera para a imensa maioria que não tem dinheiro algum para financiar a máquina de propinas desses hospitais, que aumente. E se esse aumento no tempo de espera criar uma lucrativa indústria de propinas para toda uma cadeia produtiva criminosa que surge em função disso, melhor. E que se lasque quem não tem dinheiro para arcar com a ganância desesperada dos capitalistas nesta crise de características terminais.

É importante destacar que isso não se trata de um caso isolado, mas do funcionamento normal do sistema de Saúde tal como ele está estruturado. Por isso, alguns poderão falar em empatia com os mais infelizes e condenar as pessoas que recorrem ao pagamento de propinas a atravessadores para conseguirem o seu atendimento, porém, na selva criada pela doutrina de guerra econômica chamada neoliberalismo, o indivíduo naturalmente tenderá a buscar sua sobrevivência em detrimento de qualquer princípio moral, a menos que não seja uma pessoa normal. E nesse contexto, isso sempre implica no de cima pisando no de baixo. Exatamente por isso, direitos elementares como a saúde tem de ser monopólios estatais. De outra forma, orientados pelos princípios do capitalismo, a tendência sempre será de implicar em custos enormes para a população e sofrimento para as maiorias mais exploradas.