Homofobia e opressão
A censura, a penalização por crime de opinião e o cerceamento da liberdade de expressão não resolverão a opressão a que estão submetidos os setores oprimidos da sociedade
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Torcida com bandeira LGBT - Jornal Correio de Carajás |

Artigo publicado neste sítio na quarta-feira (04), sob o título “Homofobia nos estádios: mais um pretexto moral para destruir o futebol”, causou uma verdadeira “comoção” nas redes sociais, colocando o PCO entre os principais assuntos do momento no Twitter.

O motivo para tamanha repercussão foi o fato da matéria denunciar as manobras da CBF, apoiada pela Rede Globo, em querer punir os clubes de futebol em que suas torcidas entoassem cantos homofóbicos durante os jogos.

Entre manifestações de apoio e outras de desaprovação, algumas, inclusive, absolutamente raivosas, chamou a atenção aquelas que vinculavam o PCO ao bolsonarismo e à extrema-direita. Essa vinculação do PCO aos movimentos de extrema-direita já havia surgido em um outro tema levantando pelo DCO, esse do final de agosto, que tratava a questão da Amazônia como um problema a ser resolvido pelos brasileiros e que o interesse do imperialismo sobre a região não tinha nada haver com a defesa da floresta, da ecologia, mas, sim, com interesses econômicos. Não por acaso, esse tema, também, ficou entre os principais assuntos do momento no twitter.

Em grande medida, as críticas aos dois temas partiram fundamentalmente de setores da esquerda. No caso da Amazônia, a confusão estava no fato de que se o PCO e os bolsonaristas defendem que se trata de um problema nacional, logo os dois estão juntos. Nada mais falso. Os bolsonaristas e a extrema-direita não apenas não são nacionalistas, como defendem os interesses do imperialismo para a região, vide o caso de declarações já dadas – em vídeos – pelo presidente e vice-presidente do País, para ficar no mínimo.

A polêmica do momento, no caso a homofobia, mesmo que em um outro sentido, guarda a mesma relação. Como nesse espaço seria impossível tecer uma crítica uma a uma às centenas de manifestações sobre o assunto, até porque, a tônica dos contrários é o xingamento, não entra nos argumentos, pode-se afirmar, grosso modo, que existe por parte da esquerda muita confusão de um setor e ainda má fé por parte de outro.

Tanto na confusão como na má fé, a crítica em geral é apartada do seu conteúdo. Ou seja, a tentativa da CBF, da rede Globo e de outros grandes monopólios capitalistas em controlar a maior manifestação cultural do povo brasileiro: o futebol. Quando se fala em controlar é aprofundar a exclusão de massa popular do país dos estádios de futebol. É transformar o futebol em arenas para o deleite dos que têm dinheiro. Além do muito que já foi feito (preço do ingressos, acesso popular aos estádios, etc.), um problema central está em acabar com as torcidas organizadas.

É um erro colossal da esquerda acreditar que medidas punitivas sejam capazes de acabar com a discriminação contra o LGBT, o negro ou a mulher. O que a burguesia quer é usar como pretexto as leis punitivas para colocá-la a serviço dos seus interesses. A censura no caso das torcidas para os cantos homofóbicos será a mesma censura para manifestações contra o governo, contra a direita. As manifestações mandando Bolsonaro TNC, não seria um pretexto contra as manifestações populares? Contra o carnaval?

Uma outra questão é que a repressão não ajuda a evoluir a consciência de ninguém. Os cantos são atrasados? Sem dúvida. Mas a repressão só vai fazer com que uma massa de pessoas se voltem para posições demagógicas da extrema-direita. Assim como no caso da Amazônia, a política do bolsonarismo não tem nada de nacionalista, no caso do direito a liberdade de expressão, muito menos. A extrema-direita que caçar todos os direitos populares, quer transformar as escolas em campos de concentração, tem por objetivo transformar o Brasil em um grande depósito de presidiários.

A esquerda no afã de resolver o problema da violência contra os LGBTs, como é o caso, coloca-se equivocadamente ao lado da repressão. Ao invés de se ancorar no estado burguês, que é o responsável pelo avanço da extrema-direita em todo o mundo, os movimentos dos oprimidos devem se basear na força da sua organização. Não são as leis que vão impedir o assassinato LGBTs, mulheres e negros, mas capacidade de que esses grupos tenham em se organizar, inclusive com outros setores da luta popular e social. O PCO, por exemplo, defende a constituição de grupos de autodefesa para fazer frente aos movimentos fascistas.

Finalmente, a luta contra as posições atrasadas só será vitoriosa com a organização dos setores oprimidos. É assim com as mulheres, com os negros e com os LGBTs. Não será a censura imposta pelo estado burguês que resolverá o problema, muito pelo contrário. Não se trata, também, de secundarizar a luta diante de uma outra luta maior, mas, necessariamente, a luta deve ser independente do estado opressor. Não será com a criminalização da opinião, com o cerceamento da liberdade de expressão ou com mais censura que se avançará a luta dos oprimidos.

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