Violência contra as mulheres
A crise econômica e sanitária também resultou no agravamento da violência contra as mulheres, uma realidade brutal que somente pode ser superada através da luta das mulheres

Por: Redação do Diário Causa Operária

O ano de 2020 foi marcado pela chegada da pandemia da COVID-19 A crise sanitária expôs a debilidade do sistema de saúde pública e intensificou ainda mais a crise econômica do sistema capitalista promovendo o maior índice de desemprego. A crise econômica e sanitária também resultou no agravamento da violência contra as mulheres, uma realidade brutal que somente pode ser superada através da luta das mulheres junto a suas organizações pelo fim do sistema capitalista.

O Centro de Estudos de Segurança de Cidadania do Rio de Janeiro, através do programa Rede de Observatórios da Segurança, apresentou os números registrados em todos estados do país que revelam o crescimento da violência contra mulher. Apesar de refletir a evolução do problema de maneira insuspeita, os números evidentemente não são expressão completa da realidade que é muito pior do que a apresentadas, pois considera apenas aquilo que foi registrado e a classificação das denúncias depende da Secretaria de Segurança de cada estado.

Dos 1.823 casos registrados como violência contra mulher, 753 foram tipificados como agressão física e tentativa de homicídio, os homicídios somaram 743 registros, a violência sexual e estupro tiveram 217 casos, foram 81 ocorrências de tortura, sequestro e cárcere privado, além de 98 casos entre ameaças e agressões verbais. Um dado de extrema relevância é que a violência contra as mulheres negras corresponde a 70% dos casos. No estado São Paulo foram registrados 731 casos de violência contra mulher, que correspondem a 40% das ocorrências de todo país. Depois de São Paulo, aparece o estado do Rio de Janeiro com 318 registros, Bahia com 289 casos, Pernambuco com 286 ocorrências e Ceará com 199 denúncias.

Não é coincidência que o estado mais rico do país, sob o comando de João Doria (PSDB), tenha os piores números de desemprego e do coronavírus, mas parte da explicação do problema. Ao invés de tratar os problemas fundamentais, o governador “científico” propõe medidas demagógicas como, por exemplo, oferecer um sistema de monitoramento dos agressores para as mulheres que solicitaram medida protetiva. Tornar mais severas as penas, como é o caso da Lei Maria da Penha, também não tem refletido na diminuição da violência contra a mulher.

Entre os aspectos importantes está as condições materiais de vida das mulheres. Em geral, as mulheres ocupam os piores postos de trabalhos e recebem os menores salários. Na pandemia, as mulheres foram mais fortemente atingidas pelo desemprego, que as empurra para escravidão doméstica e as tornam mais suscetíveis à violência por seus companheiros. Neste sentido, o bolsonarismo cumpre um papel fundamental ideológico da submissão da mulher. Assim, as mulheres negras, que recebem os menores salários e são as mais atingidas pelo desemprego, se tornam as maiores vítimas do regime.

É preciso que as mulheres organizem comitês de luta e de autodefesa nos bairros operários de todas as cidades do país para combater os agressores, mas também para lutar por sua emancipação econômica como parte do problema, além de derrotar o governo golpista e genocida de Bolsonaro, bem como, o golpe de estado no país e eleger Lula Presidente. No sentido de convocar o Congresso do Povo para uma Nova Constituinte que garanta creches, restaurantes e lavanderias populares, bem como todos os direitos que garantam a liberdade plena de todas as mulheres.

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