“Heteroidentificação racial”: UFMG barra candidatos autodeclarados negros com comissão que pode acabar na prática com as cotas

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A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) decidiu instaurar, assim como fizeram várias outras universidades do país, uma comissão para investigar se os candidatos que prestaram vestibular e se autodeclararam negros poderiam ou não utilizar as cotas raciais. Na prática, o procedimento, que está sendo chamado de “heteroindentificação racial”, é uma seleção com base em critérios imprecisos para definir quem é negro e quem não é.

A primeira tentativa mais organizada de impedir que negros possam se matricular em uma universidade é o estabelecimento de “comissões” para atestar se o vestibulando é de fato negro ou não. Trata-se, obviamente, de uma aberração, uma vez que, historicamente, qualquer pessoa que se autodeclar negra tem o direito às cotas raciais.

A justificativa que a direita tem dado para estabelecer essas “comissões” é a de que, nos vestibulares anteriores, teria havido muitas fraudes – isto é, brancos autodeclarados negros. Hoje, no entanto, está comprovado que as denúncias de fraude é que são uma verdadeira fraude: vários negros e pardos foram reprovados pelas “comissões”. Além disso, um aspecto essencial mostra que tais comissões servem apenas aos interesses da direita: são todas constituídas por professores, estudantes e técnicos “selecionados” – ou seja, as comissões não são controladas pelo movimento negro, que é o verdadeiro interessado no problema das cotas.

O resultado da comissão da UFMG foi o seguinte: dos 885 candidatos que se autodeclararam negros ou pardos, 346 tiveram a matrícula recusada (39%). Com quase metade dos candidatos impedidos de cursar a universidade, o procedimento de “heteroidentidade racial” já se mostrou um verdadeiro ataque aos direitos democráticos do povo negro.

Os trabalhadores, os negros, os índios e as mulheres, bem como todos os setores que são esmagados diariamente pela burguesia, estão sendo atacados de todas as maneiras para que os capitalistas consigam manter seus cofres cheios. No caso dos negros, além de estarem sendo mortos pela Polícia Militar banalmente, estão sofrendo uma perseguição sistemática para serem impedidos de ingressar nas universidades públicas.