A heterogeneidade da burguesia brasileira dificulta um bloco estável de poder no país

“Dada a extensão territorial do Brasil, o fenômeno das burguesias regionais, a presença das burguesias diretamente ligadas ao imperialismo, e a enorme diferença entre as classes sociais no país, é, e sempre foi muito difícil para a burguesia manter um bloco de poder estável no Brasil.

Se voltarmos até a Independência, veremos que essa crise, essa dificuldade de criar um bloco unitário que governe o país, sempre se mostrou presente. Exemplo disso são as eleições presidenciais. Na maioria das vezes que há eleições, sempre há uma crise, prova disso, é que, os pleitos sempre vieram acompanhados de golpes de Estado.

No final do governo Vargas, ele lançou uma proposta de constituinte, e com amplo apoio popular, dava a impressão de que seria eleito. Porém o presidente que foi o responsável pela CLT, sofre um golpe de estado e as eleições seguintes foi realizada sem a sua presença. Elegeram o Dutra.

Nas eleições seguintes, Vargas concorreu novamente, e a burguesia toda se armou contra ele, mas, ele venceu as eleições e a burguesia deu mais um golpe de estado que resultou no seu suicídio. Depois do suicídio de Vargas deram três ou quatro golpes de estado seguidos, e finalmente deram um golpe de estado que empossou o vencedor daquelas eleições, que foi o Jucelino Kubichek que governou com um certo consenso entre a burguesia, mesmo havendo algumas tentativas de derrubá-lo, o presidente que idealizou a construção de Brasília conseguiu terminar o seu mandato.

Entrou Jânio Quadros que encerrou o seu governo sete meses depois de ter assumido, não aguentando a pressão de toda a burguesia, entrou João Goulart para impedir que ele governasse, e finalmente, deram o golpe de estado que resultou no regime militar em 1964.

A mudança do governo do Castelo Branco para o Costa e Silva passou por uma crise nas forças armadas. O Governo Costa e Silva não terminou por causa de uma crise , se estabeleceu uma junta militar, que terminou em favor do governo Médice depois de uma nova crise. E quando Medice saiu, nova crise para definir um novo presidente. Veio Geisel, que foi uma mudança na orientação política no país, e quando ele deu lugar a Figueiredo, que sucedeu uma nova crise, que quase resultou em um golpe militar. E tudo isso em uma ditadura militar.

No Brasil, essas crises na presidência são sistemáticas, então, se não houver uma política de aglutinação, de isolamento de setores descontentes com o governo, sempre haverá tentativas de desestabilização e governar será sempre muito difícil. A crise na presidência no Brasil é sistemática, e não houver uma política muito definida e um apoio muito amplo, um presidente não consegue governar.

Não, é estranho que um setor que deu um golpe de Estado entre em conflito entre si, e perder o controle da situação. E quando isso acontece abre-se duas possibilidades; A primeira a volta da esquerda ao poder, e a segunda, uma intervenção militar. Com esse cenário posto, com um clima hostil, e a ameaça de intervenção militar, o ano de 2018 será sem dúvidas um ano turbulento.”

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