O DEM é contra o golpe?
Nota de Natália Bonavides demonstra uma revolta das bases contra a capitulação da bancada do PT em apoiar o bloco golpista de Rodrigo Maia
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Natália_Bonavides
Nota de Bonavides demonstra revolta nas bases petistas | Foto: Reprodução

Na última semana, sexta feira (18/12), a bancada do Partido dos Trabalhadores na câmara dos deputados decidiu compor o bloco do golpista Rodrigo Maia (DEM) para concorrer à presidência da câmara nas eleições internas que se sucedem esse ano. A bloco concorrente é representado por Arthur Lira (PP), que é ligado diretamente ao presidente ilegítimo Jair Bolsonaro. O bloco de Maia nesse momento é composto por PT, PSL, MDB, PSB, PSDB, DEM, PDT, Cidadania, PV, PC do B e Rede; uma concreta frente ampla. Já o bloco de Lira compõe PP, PL, PSD, Republicanos, Solidariedade, PTB, Pros, PSC, Avante e Patriota. Os partidos que ainda não decidiram seu voto é o PSOL, o Novo e o Podemos. O bloco de Maia se coloca como uma “oposição” ao bloco de Lira, ligado diretamente ao Bolsonaro, mas pelo menos PSL, MDB, PSB, PSDB, DEM, PDT, Cidadania e Rede, cerca de 80% do bloco, conciliam abertamente e escancaradamente com o Bolsonaro, sem contar que o próprio PSL é o partido que serviu de trampolim e um agrupado de forças de extrema-direita fascistas para que Bolsonaro ganhasse as eleições fraudulentas de 2018.

Toda essa incoerência da decisão da bancada do PT na câmara causou um certo incomodo da base partidária, causando uma oposição a decisão da bancada. Uma ala do PT já se colocou contra essa decisão, sendo representada por Natália Bonavides. No blog de uma ala esquerda do PT chamado Página 13, foi publicado uma declaração cujo título é autoexplicativo: “Por uma candidatura de esquerda para a presidência da Câmara!”. Nessa curta declaração, ela diz o seguinte: 

“É preciso muita mobilização e unidade para derrotarmos Bolsonaro. Cada batalha é importante. A maioria da bancada do PT aprovou composição com o bloco formado por Rodrigo Maia e alguns partidos de oposição na disputa para a mesa diretora. Não concordei com essa posição, pois acho que deveríamos buscar construir um bloco próprio da oposição. Com essa composição com Maia, sai fortalecido um setor da direita que ganhou as eleições municipais de 2020 e que é cúmplice do programa ultraneoliberal. Considero que este é um momento de acúmulo de forças em que não podemos confundir a classe trabalhadora. É pela esquerda que podemos derrotar o bolsonarismo e seus aliados. Por isso, seguimos agora defendendo e lutando por uma candidatura de esquerda para a presidência da Câmara!” 

Entre os círculos dirigentes do PT, Bonavides pertence a uma ala minoritária. Mas podemos considerar que ela evidentemente está atendendo a uma pressão que vem de baixo; principalmente por ser de uma ala mais minoritária e, portanto, mais sensíveis as bases partidárias. Seria ingenuidade pensar que é um movimento autônomo, descolado da pressão política que foi causada como reação a essa mesma política de ficar a reboque da direita golpista. E de fato, como colocado no texto dela, essa decisão fortalece a direita neoliberal e confunde a classe trabalhadora. Direita essa que, vale ressaltar, não tem esse adjetivo à toa: deu um golpe de Estado no partido de forma criminosa, rasgando os direitos políticos do partido e os direitos democráticos de milhões de pessoas que haviam votado em Dilma Rousseff. 

É muito provável que grande parte dessa ala militante do PT está muito incomodada com essa postura da majoritária do PT e exige que o partido tenha um candidato próprio. Isso explica mais claramente as palavras de Natália Bonavides contra a decisão da majoritária, dando vazão a essa pressão de base, que se encontrava antes dessa nota em estado mais latente e agora é nítido e claro.

O certo é que esse fato de ficar a reboque da direita na câmara, após ter ficado a reboque da direita nas eleições municipais, está iniciando uma grave crise dentro do partido. Essa política, de ficar a reboque da direita, está sendo vista como um boicote a sobrevivência do PT como um partido de esquerda no atual regime golpista. Essa confusão e capitulação que rege setores do Partido dos Trabalhadores, tanto nas eleições municipais, como na câmara, é uma pá de cal na alternativa que o próprio partido possui na luta contra o golpe. Que é a unidade de amplos setores de esquerda para a candidatura de Lula em 2022; por isso é positivo a revolta desses setores, pois aceitar as eleições na câmara é um prelúdio para aceitar a capitulação diante das manobras golpistas no que importa, as eleições presidenciais, onde apenas a candidatura de Lula pode criar uma mobilização capaz de se chocar e derrubar o golpe de Estado que se estende e se aprofunda desde 2016. 

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