Nenhum acordo com a burguesia
Seguindo o exemplo do Chile, população do Haiti responde ao “acordo por cima” com mobilização nas ruas. Para ampliar a luta é necessária uma direção revolucionária
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Haiti
Manifestantes exigem a saída do presidente 13/10/2019: Moise Rebecca Blackwell/ |

Nesta terça (19), a oposição haitiana assinou acordo com o governo Moise pela transição do poder e a população, contra o governo e o acordo, voltou aos protestos pelo país, sobretudo na capital Porto Príncipe. Quatro pessoas foram feridas no Delmas 95 por civis armados não identificados e segundo o Escritório de Direitos Humanos da ONU, já há no país mais de 42 mortos.

Neste momento, o governo de Moise se mantém devido ao apoio decisivo dos Estados Unidos, que até agora garantiram a continuidade do partido ultra-liberal do PHTK no poder. Em troca os EUA contam com as ações do Haiti contra a Venezuela em espaços regionais como a OEA (Organização dos Estados Americanos) e a Comunidade do Caribe; a manutenção das relações com Taiwan e com o consequente bloqueio dos interesses comerciais chineses no País; além de amplas prerrogativas para a mineração estadunidense e canadense ao norte do território da ilha.

Já a oposição, é formada por diferentes coalizões que acabaram de chegar a um entendimento segundo o qual, em uma eventual transição política, a presidência seria ocupada por um juiz do Tribunal de Cassação e o cargo de 1º ministro por um membro da oposição. Esta é a alternativa de consenso, que inclui:

  • O setor democrático e popular do advogado André Michel, parte da oposição parlamentar da política tradicional e representante de alguns dos mais importantes fatores de poder;
  • La Pasarela, uma iniciativa que visa atuar como ponte entre os vários setores da oposição, e é promovido por Bernard Craand, um tecnocrata que atuou como coordenador do Fórum Econômico até setembro deste ano;
  • “Mache Kontre” composto pelo OPL, Fusion e outros grupos menores;
  • Bloco Democrático do ex-Ministro de Assuntos Sociais e Trabalhistas, Victor Benoit, dissidente da coalizão social-democrata e fiel expoente de uma pequena burguesia conservadora;
  • Fórum Patriótico, uma coalizão de mais de 60 movimentos sociais urbanos e rurais, sindicatos e partidos políticos de esquerda, um espaço que é o mais representativo das mobilizações de rua, apesar de sua espontaneidade persistente.

Cada um desses grupos, juntamente com o setor da sociedade civil, nomeará dois representantes para eleger as novas autoridades para realizar a renúncia esperada de Jovenel Moïse, exigida por praticamente todos os setores do País.

No entanto, contra essa saída negociada, a população do Haiti voltou às ruas para rechaçar essa política de conciliação que procura salvar o regime político decadente do Haiti. Essa frente ampla, que inclui setores da direita e da esquerda da oposição é muito semelhante à feita no Chile em torno da constituinte com o golpista Piñera. Da mesma forma os haitianos corretamente rejeitaram o acordo e buscam uma saída nas ruas, porém, da mesma forma que no Chile, antes que as manifestações refluam, é preciso ter uma liderança que ofereça uma política revolucionária, consequente, que permita à população superar a via derrotada do acordo com a direita golpista.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas