Haddad no JN: 1×0 pra Globo

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Em entrevista concedida aos apresentadores de plástico do Jornal Nacional, William Bonner e Renata Vasconcelos, na última sexta-feira, 14/09, o substituto de Lula, Fernando Haddad, perdeu uma oportunidade excepcional para criticar toda a farsa eleitoral montada para excluir Lula das eleições e que nessa etapa teve nas raposas do Judiciário, nas baionetas do Exército e na imprensa golpista, a começar pela própria Globo, os instrumento fundamentais a execução dessa insidiosa campanha.

No jogo das eleições, os dois lados jogam. A Globo entrou com o objetivo e conseguiu. Sumiram com o Lula da entrevista, e o Haddad não conseguiu escapar da armadilha. Manipularam os fatos, falaram por cima, e conseguiram o que queriam. O problema fundamental é não falar de Lula e não denunciar o golpe.

Para um candidato da esquerda, e ainda mais do PT, a questão central seria lutar contra o plano dos golpistas, falar de Lula, do significado de sua prisão e do caráter farsesco das eleições realizadas nas atuais condições fraudulentas. Na disso ocorreu.

Uma questão elementar em entrevista, ainda mais quando é feita pela visceral Rede Globo, é não cair nas artimanhas dos entrevistadores, que direcionaram suas perguntas para acuar o entrevistado. Haddad caiu no conto. Foi “forçado” a entrar no mérito da corrupção pela ótica dos maiores corruptores.

O que os jornalistas classificaram como “petrolão” e “mensalão” como os “maiores esquemas de corrupção da história recente do país” protagonizados pelo PT foram os carros-chefes de uma operação golpista de todas as instituições do Estado, Estado burguês, para derrubar o PT e dar o golpe.

A família Marinho é mestre nisso. Juntamente com outros grandes meios de comunicação, foram os maiores propagandistas dessa operação fraudulenta, com as arbitrariedades jurídicas, com as acusações sem provas, com a operação Lava-Jato, forjadas nos órgãos de segurança e espionagem dos Estados Unidos da América.

Ao invés da denúncia, o que Haddad colocou foi justamente o inverso. Imperou a justificativo que os governos do PT foram os que mais combateram a corrução, fortaleceram instituições como o Ministério Público, a Polícia Federal, entre outros mecanismos que foram largamente usados pela direita pró-imperialista em sua campanha golpista.

Em um outro momento, quando confrontado com o fato de que as indicações de ministros, desembargadores e juízes tinham sido indicados em sua maioria por Lula e Dilma e de que isso seria a prova uma prova de isenção da justiça ou uma conspiração, foi taxativo em afirmar que se tratava de um erro e não uma conspiração do Judiciário. Isso quando foram patentes as manipulações inescrupulosas de todas as instâncias do Judiciário que avalizaram o impeachment comprado de Dilma, a perseguição ao PT e ao Lula, a sua prisão e finalmente a sua cassação, chegando às raias do absurdo, quando o TSE impôs a antecipação da substituição do candidato do PT, para 11/09, quando o prazo estabelecido pela própria justiça seria o dia 17/09.

Haddad foi derrotado pela Globo, principalmente, porque se furtou em entrar no mérito do golpe de Estado em curso no país e que tem a sua maior expressão nesse momento na exclusão do ex-presidente Lula da campanha eleitoral. O problema não é simplesmente que Haddad estava sentado na cadeira que milhões de brasileiros gostariam de ver o ex-presidente, mas se o PT e o seu novo candidato vão deixar claro para esses milhões de brasileiros que Lula teve sua candidatura impedida pelo golpe de Estado que está em curso no país e que, portanto, o problema não está no voto nas urnas em 07 de outubro, mas na luta contra o golpe e pela liberdade de Lula.

As eleições passam, o golpe não. O imperialismo, as Forças Armadas, o Judiciário, a Rede Globo, enfim, todos os golpistas não acordaram no dia seguinte convertidos à democracia. Apenas a mobilização revolucionária das amplas massas, que têm em Lula sua maior expressão política, será capaz de apontar uma verdadeira alternativa política para os explorados.