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Fernando Haddad, presidential candidate of Brazil's leftist Workers Party (PT), speaks during a news conference during a runoff election in Sao Paulo
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O discurso de Fernando Haddad, candidato do PT derrotado pela fraude eleitoral, após a divulgação do resultado do 2° turno das eleições presidenciais, foi absolutamente ruim para o desenvolvimento da luta contra o golpe.

Durante todo período eleitoral, Haddad demonstrou que era contra todo e qualquer tipo de mobilização contra os golpistas. Uma coisa natural, já que na época do impeachment ilegal contra Dilma o candidato do PT saiu em público para dizer, aos golpistas, que a palavra “golpe” “era muito forte” para definir o acontecimento.

De qualquer forma, durante as eleições, Haddad defendeu a Lava Jato, Sérgio Moro, abandonou a cor vermelha – tradicional cor do movimento operário e de luta da população -, afastou Lula da campanha, retirou a nova constituinte e a defesa do aborto do programa, e enfim, fez uma campanha típica de um candidato burguês. Uma campanha que poderia ser comparada com a de um tucano golpista.

Ele e a ala direita do PT, que coordenou a campanha durante todo o momento, fizeram de tudo para não bater de frente com os golpistas, e ainda pior pediram apoio de setores fundamentais que lideraram o golpe de estado, como o PDT, o PSB e até o PSDB, procurando se unir com profundos inimigos da população, como Geraldo Alckmin, Ciro Gomes, Fernando Henrique Cardoso, Marina Silva e assim por diante.

Algo que seguiu, de fato, a linha política do coordenador de campanha, Jacques Wagner, que no estado em que foi eleito governador, na Bahia, fez aliança com os coronéis carlistas (crias da ditadura militar) para conseguir o mandato. Sem falar que, até no período antes das eleições, foi a principal liderança do “Plano B”, revelando que era para o PT descartar logo o Lula e partir para o apoio ao Ciro Gomes, representante da burguesia industrial e da FIESP, que foi fundamental no golpe contra Dilma.

Tudo isso prejudicando de forma incalculável a luta contra o golpe durante as eleições, que afinal de contas terminou do jeito esperado: com uma fraude total da burguesia que colocou Jair Bolsonaro no poder.

Entretanto, acreditava-se que, após as eleições, quando terminasse a febre eleitoral, a esquerda iria voltar a denunciar o golpe contra a população, que cada vez mais está atacando a esquerda, assassinando pessoas, fazendo atentados contra sindicatos e sedes de partidos e outras brutalidades contra os trabalhadores e suas organizações.

Mas não, mesmo após as eleições, a ala direita do PT da qual faz parte Fernando Haddad continuou amplamente com a capitulação. Em seu discurso, depois da divulgação do resultado, Haddad reconhece a legitimidade das eleições, isto é, não denuncia a fraude eleitoral e nem o golpe. Para ele, a “maioria” do povo realmente votou em Bolsonaro, como se a população tivesse oscilado do Lula para Bolsonaro, do repúdio ao golpe do repúdio contra o golpe ao apoio do golpe.

Mas não foi só isso, a festa da fraude eleitoral foi definida por Haddad como “festa da democracia”;  o golpe contra Dilma foi definido por ele como “afastamento da Dilma”. E como se não bastasse, Haddad fez de tudo para demonstrar que era contra uma política de mobilização nas ruas contra o golpe, contra uma polarização política na sociedade, usando o discurso da direita e até de Bolsonaro de “Brasil acima de todos”, e de que deveria se respeitar as instituições.

Isso ficou mais explícito quando declarou que iria ser “oposição” ao Bolsonaro, colocando uma perspectiva puramente institucional em todo o problema do golpe. Sem falar no fato de que, ao invés de chamar o povo a se mobilizar nas ruas contra Bolsonaro, Haddad falou que em 4 anos terá novas eleições e ali poderão resolver os problemas.

Quer dizer, neste período entre 2018 e 2022, a única solução seria fazer uma oposição parlamentar a Bolsonaro e desgastá-lo por 4 anos até assumir (supostamente) a presidência da república em 2022. O povo estará passando fome, na miséria e totalmente desprovido democrático mas não precisa se mobilizar nas ruas, basta esperar 4 anos, para mudar isso em eleições, que como ficou claro, são totalmente fraudadas.

Trata-se de uma política que presta um importante desserviço à mobilização contra os golpistas e da luta da classe operária pela sua independência política. Por isso, é a política que não deve ser adotada no momento.

Agora, é a hora de mobilizar todas as forças para denunciar a fraude eleitoral, o fato de que Bolsonaro não é legítimo, já que as eleições não foram realizadas de forma democrática. Tiraram o principal candidato do povo, Lula, da corrida presidencial e cometeram uma série de outras arbitrariedades.

Os comitês de luta contra o golpe devem continuar mobilizando contra o regime fraudulento da direita golpista, e colocar força na campanha de “Fora Bolsonaro”, “Liberdade Para Lula” e “Abaixo as Eleições Fraudulentas”. É nesse sentido, e também para organizar a reação contra os ataques da extrema-direita, que os comitês estão organizando a II Conferência Nacional Aberta de Luta contra o Golpe. É preciso se mobilizar e derrotar Bolsonaro e todos os golpistas.

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