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Fora Witzel é Fora Bolsonaro
Haddad: Fora Witzel, mas não Fora Bolsonaro
A política de não levantamento do Fora Bolsonaro só tende a agudizar a forma violenta como o governo fascista trata a população em todo o País.
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Fora Witzel é Fora Bolsonaro
Haddad: Fora Witzel, mas não Fora Bolsonaro
A política de não levantamento do Fora Bolsonaro só tende a agudizar a forma violenta como o governo fascista trata a população em todo o País.
Haddad após votar em sua seção, nas eleições de 2018. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
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Haddad após votar em sua seção, nas eleições de 2018. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Depois do assassinato da menina Agatha Vitória Sales Félix, de oito anos, pela polícia assassina do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, publicou em sua conta no twitter: “Tenho evitado tuitar esses dias. Coisas absurdas acontecendo. Mas, com toda sinceridade, eu realmente penso que há razões de sobra para que se peça o impeachment de Witzel. Ele é o grande responsável pelas atrocidades que se cometem no Rio de Janeiro. Um assassino!” Haddad acerta na caracterização do governo, Witzel é genuinamente responsável pelas atrocidades no Rio, contudo, esses ataques não partem somente das mão do governador fascista.

Pedir o impeachment de Witzel não está errado, apesar de não ser a política mais acertada de acordo com este Diário, que concorda que o caminho gira em torno de eleições gerais, mas é uma saída que expressa a insatisfação popular com um governo que é uma verdadeira máquina de moer pobres e negros. De qualquer forma, Haddad parece se acovardar diante de uma questão óbvia: Se o assassino Witzel merece impeachment, o que merece Bolsonaro, que pratica as mesmas atrocidades, mas em escala nacional? Afinal, não há razões de sobra para o impeachment de Bolsonaro, também?

A política de esmagamento dos movimentos populares e execução dos pobres que Wilson Witzel promove no Rio de Janeiro é apenas uma amostra do que o governo golpista de Bolsonaro faz pelo Brasil inteiro, o que, pela lógica, significa que se um merece impeachment, o outro também. Contudo, Fernando Haddad, assim como uma parcela da esquerda, se recusa a levantar o Fora Bolsonaro, pois acredita que, de alguma forma incompreensível, isso possa significar uma manobra antidemocrática. Quando Haddad desejou o indesejável ao governo Bolsonaro, o famoso “Boa sorte!”, foi no intuito de não se igualar ao Aécio Neves – como se isso fosse possível, tendo em vista a discrepância na ideologia política dos dois -, que não aceitou a derrota nas eleições de 2014 contra Dilma Rousseff.

Agora, se tratando do Witzel, ele nega essa intenção benevolente e democrática de que tem que aceitar a derrota, contudo, é impossível acreditar que Haddad seria ingenuo o suficiente para acreditar que Bolsonaro não iria afundar o país mais ainda na crise, além de dar carta branca para os aparatos de repressão do Estado e para a burguesia bolsonarista matarem pobres, negros, mulheres, LGBTs etc. Ou seja, a mesma política de Witzel, que quer transformar o Rio de Janeiro num verdadeiro campo de concentração, onde as favelas serão local oficial de tortura e assassinatos, incluindo crianças.

Witzel utilizou-se da brecha bolsonarista que foi surgindo e se elegeu para perpetuar as políticas fascistas em consonância com o governo golpista de Bolsonaro. Enquanto Haddad estiver mais interessado na presidência do que em tirar Lula da prisão, acabar com a operação fraudulenta que é a Lava-Jato e derrubar os golpistas, ele vai continuar sendo alguém da esquerda que se acovardou, pode-se dizer que até de modo oportunista, para focar nas eleições de 2022, já que um impeachment de Bolsonago agora ou um chamado de eleições gerais com o Lula solto e concorrendo poderiam acabar com seus planos.

O petista, por fim, acaba dizendo de forma velada um grandessíssimo “Fica Bolsonaro e dispute comigo as eleições de 2022”.  É dever da esquerda levantar e propagar o “Fora Bolsonaro” pelo País e organizar o movimento popular, pois já ficou mais do que evidente que é desejo da população a derrubada do governo fascista, antes que o Brasil vire uma ditadura genuína.