Haddad candidato: o caminho da submissão

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Por João Pimenta

Sem Lula é Fraude! O povo já pensa isso. É preciso entender, apenas a mobilização revolucionária dos trabalhadores pode derrotar o golpe, é preciso tomar as ruas com esta política. As massas responderão, estão aguardando o chamado.

Na tarde desta terça-feira os industriais que deram o golpe, sentados em sua “pirâmide” na avenida Paulista, respiraram aliviados. Os grandes bancos estouraram o champanhe em comemoração, fazia 158 dias, desde a prisão de Lula, que não comemoravam desta forma.

No Quartel General, os covardes de farda, armados até os dentes contra um povo desarmado, vêem que suas ameaças tiveram efeito, Villas Boas e Hamilton batem continência um ao outro e ao imperialismo.

As raposas do Judiciário, dos de capa preta do STF aos capangas da Lava Jato, como Dallagnol e Moro, desfrutam de seus 16% de aumento, o auxílio moradia, as fortunas derivadas de palestras a multinacionais com a tranquilidade de que foram bem pagos para tirar Lula da eleição, e que entregaram sua parte, resta saber se serão pagos plenamente.

Nos corredores da intriga, da maldade e da mentira, ou seja, nas redações dos grandes jornais e televisões, as cobras de plantão se divertem com a desgraça nacional. Eliane Cantanhêde do Estado de S. Paulo grita aos quatro ventos “Lula é o passado, Haddad é o futuro”.

Na tarde desta terça-feira, 11 de setembro, houve um atentado contra a vontade do povo, Lula renunciou a sua candidatura, um grave erro, um erro histórico, pois estamos vivendo e travando a luta que definirá o futuro da classe operária brasileira. O golpe conseguiu sua vontade, novamente.

Dilma caiu, Temer fez as reformas, as diretas não vieram, Lula foi condenado, Lula foi preso, Lula não foi candidato, e o cenário eleitoral é complicado, não muito favorável. Os otimistas dirão que a eleição está ganha, estes mesmos senhores também não achavam que o golpe viria a ser, mas ele veio, e como veio.

Os oportunistas culpam o povo pela desgraça a qual ele mesmo está sendo submetido, também é errado. Como disse o companheiro Lula, o povo não foi chamado, e ainda não estamos naquela etapa em que o povo chama os partidos e organizações a agirem.

O problema é simples: toda a vez que era preciso resolver as coisas na rua, apelaram para as instituições.

Quando tinhamos de enfrentar o impeachment com a força do povo mobilizado na rua, as direções disseram que iríamos vencer naquela arapuca de corruptos e ladrões que chamam de Congresso Nacional. As lágrimas da queda de Dilma ainda não secaram no Vale do Anhangabaú.

Quando Temer trucidou as leis trabalhistas, fizemos um dia de greve geral, tinhamos que ter feito mais, mas estamos direções que hoje confiam em Haddad, não soaram o alarme. Disseram que a solução eram as tais diretas, que eram nada mais nada mais do que um projeto de lei (!!) para convocar as tais diretas, isso nunca foi nem votado, o Congresso golpista cuspiu na cara do povo, e Temer trouxe de volta a fome para o Brasil.

Quando Lula foi chamado ir para Curitiba, o PCO e outros setores chamaram a lutar, a ocupar as ruas, mas novamente, as mesmas direções disseram que apenas os advogados podiam resolver, que a lei estava do lado de Lula. Descobrimos que advogado nenhum neste País, talvez se tivessem trazido um americano, poderia convencer o Juiz Moro, e que lei nenhuma valia para Lula.

Quando ele foi preso, a militância, como gatos escaldados, se dispôs a defender Lula, encastelá-lo no Sindicato dos Metalúrgicos e enfrentar os golpistas com a força da classe operária do ABC, que sempre esteve com Lula, de onde surgiu Lula, desta vez o povo até fechou a porta do Sindicato e estava preparado para uma “guerra fratricida” entre a esquerda. Mas lá, as mesmas vozes, prevaleceram, disseram que ele sairia em 15 dias, fazem 158.

Não podemos mais traçar o caminho de menor resistência, isto é da luta puramente institucional. O golpe controla as instituições. O povo escolheu Dilma, o golpe impôs o processo de impeachment, a esquerda aceitou, foi derrotada. Agora o golpe exigiu Lula fora da eleição, aceitaram, este é o caminho dos que abaixam a cabeça, o caminho da submissão, se os metalúrgicos do ABC tivessem trilhado este caminho em 1979, Lula estaria preso até hoje pelo regime militar.

Em um ato em São Paulo, na segunda-feira (11), um velho metalúrgico da Villares, fábrica onde Lula trabalhava, disse “Lula fez greve por nós, temos que fazer uma greve geral por ele”, é preciso ouvir este metalúrgico, é preciso trilhar este caminho, o caminho da mobilização.

A luta não acaba aqui, mas é preciso mudar o curso, confiar nas ruas, falar de novo, falar muito, falar em todos lugares, ajudar o povo falar: Sem Lula é Fraude! O povo já pensa isso. É preciso entender, apenas a mobilização revolucionária dos trabalhadores pode derrotar o golpe, é preciso tomar as ruas com esta política, elas responderão, estão aguardando o chamado.