Clássico da literatura negra
O grito da favela que tocou a consciência do mundo inteiro
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
quarto_de _despejo (1)
A escritora Carolina Maria de Jesus | Foto: Reprodução

Lançado em 1950, o livro “Quarto do Despejo – Diário de uma Favelada”, da escritora Carolina Maria de Jesus, uma mulher negra e de origem humilde, a catadora de papel transformada em autora. Esta marcante obra, permanece imensamente importante e atual ao relatar nossa triste e evidente desigualdade social. No livro, ela apresentava, com relatos calcados em sua vida, a realidade miserável da favela do Canindé, às margens do rio Tietê. Seu livro de estréia, quando lançado, vendeu 10 mil cópias por volta de uma semana e chegou a ser traduzido em mais de duas dezenas de línguas. A simplicidade da elaboração de Carolina mostra a força de uma linguagem bela e essencial, que apresenta um depoimento de uma algo verdadeiramente belo e poético.

Depois que acabou saindo de cena, quando morreu em 1977, a vida surge como uma forma de ocupar um lugar que a escritora conquistou, mas que o tempo fez esquecer. Quem quiser ver os cadernos originais de Carolina Maria de Jesus deve ir até a cidade mineira de Sacramento, na região do Alto Paranaíba, onde ela nasceu em 14 de março de 1914 num local que ainda recendia, e de fato vivia, a lógica da escravidão. É lá que estão 37 volumes originais dos manuscritos da escritora. O verdadeiro quarto do despejo, narrado pela escritora, é sebento, violento, permeado por doenças, alcoolismo e fome. Sendo a tragédia que é mostrada fome, logo de início da obra, é definida como a escravidão dos tempos modernos e desvendando a catarse artística que nos faz compreender a verdadeira realidade.

Mas o livro também é cheio de reflexões de Carolina sobre o Brasil e a vida da mulher negra que como ela, trabalhava na maior parte do tempo como catadora de papel, que criava sozinha três filhos pequenos e era autora de dezenas e dezenas de cadernos, entre eles, um diário extenso, que virou o livro “Quarto de Despejo”, onde tem vários formatos, como cinema, teatro e até letra de música, pois sua história, para além de seu sucesso, é mesmo um resumo da desigualdade brasileira.

Carolina de Maria de Jesus era conhecida como língua de fogo, pois defendia a reforma agrária, fazia elogios à revolução cubana e praticamente com apenas seu conhecimento empírico, despertou inveja na burguesia  afetada e ignorante, sendo uma comprovação literária precisa da vida de uma mulher negra. Uma escritora, cuja vida é, por si só, um signo, que exprimiram a radicalidade como destino de sofrimento e carência a transformar em beleza e significado, não deixando de haver muito mistério de ser negra, oriunda da raça-mão-de-obra. Mulher brasileira, lhe restou o verso e a literatura para construir a expressão de sua pena.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas