Guedes presta contas
Principal ministro do governo golpista presta contas ao capital financeiro afirmando que nada vai mudar no entreguismo brasileiro
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(São Paulo - SP, 11/06/2019) Palavras do Presidente da República, Jair Bolsonaro.
Foto: Alan Santos/PR
Paulo Guedes participa de conferência promovida por entidade da extrema-direita ligada a bancos | Foto: Wikimedia-commons

Ao participar de uma conferência promovida pelo Milken Institute, organização de extrema-direita fundada por um picareta da área de finanças preso nos EUA por fraude, o ministro da Economia, Paulo Guedes, sentindo-se em casa, falou na terça-feira, 20/10, para representantes do capital financeiro internacional, chamado de “investidores”. Disse tudo o que pensa e, que por sinal, é o que os tais “investidores” queriam ouvir.

Foi direto sobre frear a vontade do presidente golpista Bolsonaro em promover medidas que ameacem o fluxo de dinheiro direto do orçamento público para o bolso dos banqueiros e rentistas. “Ele quer ser herói, mas nosso papel é segurá-lo abaixo do teto de gastos”, disse. “É por isso que saí brigando com meus colegas [de governo], não há hipótese de abandonarmos essa agenda.” (G1, 20/10/20)

Prometeu retomar as “reformas” em 2021. Esse é o recado mais importante que queria dar ao imperialismo. Ano que vem quer voltar a carga na destruição do Estado e suas políticas sociais, na privatização selvagem e sem-vergonha, na penalização das classes trabalhadoras com mais impostos e menos direitos. Prometeu que para os ricos não haverá mais impostos, seguindo o receituário norte-americano. “O que faremos é deixar o sistema parecido com o dos Estados Unidos: mais impostos nos dividendos e menos para empresas”, afirmou.

O teto dos gastos que o capital financeiro tanto quer manter e que é o papel principal de Guedes na limitação das ações de seus colegas de ministério, é uma emenda constitucional, também conhecido por PEC da Morte, instituída no governo do golpista Michel Temer e que deu o tom de todas as demais medidas legislativas levadas adiante por aqueles que participaram do golpe de 2016. É uma medida que impôs ao país, por um prazo de 20 anos, um regime de contenção de gastos públicos, especialmente voltado a aniquilar as políticas educacionais, as políticas de saúde pública (particularmente o SUS) e as ações de transferência de renda aos mais pobres (Bolsa Família). O teto dos gastos é uma forma de impedir reajustes salariais ao funcionalismo público, e a forma mais eficaz que os golpistas encontraram para garantir o pagamento dos juros das dívidas públicas.

No mesmo tom da PEC da Morte, vieram a reforma trabalhista, a reforma da previdência e várias outras ações que destruíram direitos conquistados pelos trabalhadores durante décadas de lutas. Vieram também uma série de leis que favoreceram as privatizações de áreas fundamentais do Estado e que comprometeram a capacidade de investimento da economia brasileira.

Para evitar que o teto de gastos, a coluna de sustentação de uma série de garantias ao capital financeiro , seja rompido, o ministro Paulo Guedes tem feito todo tipo de arranjo político e usado de ameaças junto ao governo do qual ele diz ser o principal fiador junto ao imperialismo.

Essas conferências não têm o sentido de atrair capitais ou garantir acordos, são tão somente meios de sinalizar que os governantes de determinado país atrasado e subalterno continuam a cumprir as ordens e fazer a propaganda hipócrita que sempre fazem. As decisões de investimento e de aplicação de recursos são feitas a partir de outros parâmetros e cálculos.

Por falar em hipocrisia. Na conferência de prestação de contas Paulo Guedes comentou a política de incentivo de queimadas e destruição da Amazônia e Pantanal. Segundo o ministro, o Brasil é “mal interpretado” nessa questão, reforçando que o país tem as “matrizes energéticas mais verdes do mundo” e que “ninguém é mais generoso com a população nativa” do que o Brasil. (Brasil 247, 20/10/20). O sujeito quer ganhar o prêmio de o mais sabujo de todos os vira-latas.

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