Reduzir mais ainda os salários
Paulo Guedes promete mais agilidade nas privatizações e eliminação de direitos dos trabalhadores
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Bolsonaro e Paulo Guedes, a garantia de fome e pobreza para os trabalhadores | Fonte: Reprodução

Sem citar o nome das empresas estatais que o governo vai vender, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o governo vai propor nos próximos 60 dias a privatização de três ou quatro grandes empresas públicas (G1, 6/8/20). Essa declaração foi feita em uma palestra virtual dada à Fundação Internacional para a Liberdade, uma organização de direita presidida pelo intelectual peruano Mario Vargas Llosa.

Na mesma palestra, o ministro disse acreditar que o Congresso Nacional vai apoiar esta e outras medidas que o governo vai encaminhar. Assim como fez com a reforma da previdência. Para ele, este ano foi perdido para as privatizações e reformas que desejam fazer, mas vão retomar o ritmo no próximo ano e “que o Brasil vai surpreender o mundo de novo”.

Disse que vai aprovar no Congresso, em até duas semanas, o marco legal do gás natural e que a reforma tributária vai eliminar ou reduzir a carga fiscal sobre a folha de salários, os chamados encargos trabalhistas, que financiam vários dos direitos conquistados pelos trabalhadores durante o século passado. Recados diretos aos empresários, querendo dizer que vai continuar a luta contra os direitos dos trabalhadores e pela transferência de recursos naturais para a iniciativa privada. Aos trabalhadores cabe compreender que as privatizações reforçam a perda de direitos, pois enfraquecem as poucas políticas sociais que ainda restam para a proteção social.

Os ataques contra os trabalhadores também são sentidos em outros campos. Na quinta-feira (6/8). o IBGE divulgou o resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua) com dados do segundo trimestre, mostrando que o número de trabalhadores que contribuem para o INSS encolheu de 58,4 milhões no trimestre que se encerrou em março para 55,2 milhões no final de junho. O menor patamar desde 2012. Isso representa a eliminação de postos de trabalho na mais profunda redução de trabalhadores ocupados. “Em 3 meses, 8,9 milhões de brasileiros ficaram sem trabalho no país. O número de pessoas ocupadas no Brasil teve redução recorde de 9,6% em relação ao trimestre encerrado em março, somando 83,3 milhões de pessoas, menor nível da série histórica iniciada em 2012.” (G1, 6/8/2020).

O empobrecimento dos trabalhadores brasileiros, com o aumento do desemprego, redução de salários, aumento de jornadas em ocupações informais e ampliação da fome, se traduz também na manutenção de altos índices de mortalidade na pandemia do coronavírus, devendo o país registrar a marca oficial de 100.000 mortes neste final de semana. Sabe-se, porém que esses dados são menores que a realidade, pois o governo federal esconde informações da saúde, trabalho que tem sido executado por militares que ocupam os postos estratégicos do Ministério da Saúde.

O empobrecimento da classe trabalhadora é uma situação que se verifica em toda a América Latina. Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, a CEPAL, atualizou informes sobre a situação econômica da região e confirma que a pauperização da população apresenta níveis jamais vistos antes, sendo que os maiores índices de aumento da pobreza ocorrerão na Argentina, Brasil, Equador, México e Peru, o que vai disparar a desigualdade (CEPAL. Relatório especial COVID19, 15/07/2020).

A situação em que estão sendo jogados os trabalhadores não é uma questão de momento ou passageira. Os indicadores da crise mostram que passando os momentos mais agudos da pandemia, a crise recairá sobre os ombros dos trabalhadores do forma avassaladora e cruel. Reagir a isso exigirá mobilização, fortalecimento das ações coletivas e consciência política. Todos os indicadores econômicos e estudos que estão sendo publicados mostram um período longo de crise e a forte tendência para aumento da desigualdade.

 

 

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