Repressão ao invés de cultura
O fechamento de um espaço cultural popular para dar lugar ao funcionamento do aparato repressivo inimigo do povo é um verdadeiro crime contra a cultura e contra o povo
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Entrada Casa cultural hip hop Jaçanã | Foto: Reprodução/Instagram

Recentemente a Casa Cultural Hip Hop Jaçanã denunciou que seu espaço foi tomado para uso da polícia local no dia 18 de junho, quando foram informados de que a partir dali o prédio seria interditado para se tornar uma base da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Descobriu-se que desde 2017 existe uma proposta administrativa para que o local, onde já funcionava o centro cultural, fosse transformado em uma inspetoria da Guarda municipal metropolitana com direito a apoio do direitista Major Olímpio (PSL), que na época era deputado federal e enviou pessoalmente um ofício defendendo a proposta para o prefeito de São Paulo que era o fascista João Dória (PSDB).

A Casa Cultural Hip Hop Jaçanã é uma iniciativa da população local que em 2015 passou a cuidar e utilizar como ponto de cultura o prédio que estava abandonado pela prefeitura de São Paulo, desde então o lugar tem sido utilizado para promover a realização de eventos culturais principalmente relacionados à cultura negra, além de oferecer gratuitamente aulas para a juventude que vão desde aulas de capoeira e grafite até dança e box. O espaço tem sido mantido com doações, eventos e principalmente com a ajuda da própria comunidade.

Apenas o fato de fechar um espaço cultural popular já é algo suficientemente grave para a cultura, o que fica ainda pior quando a justificativa para isso é substituir as atividades culturais produzidas no local principalmente pela juventude negra, para dar lugar ao funcionamento do aparato repressivo da burguesia, que por sua vez é um dos principais agentes na promoção do genocídio do povo negro e pobre do país. O que se pretende com isto é um único movimento realizar a destruição das expressões culturais do povo e intensificar a repressão policial fascista contra a população, o que mostra como as iniciativas de ataque ao povo nos seus vários aspectos se completam.

A investida da direita e dos fascistas contra a população de Jaçanã configura um ataque contra a cultura e mostra nitidamente mais uma vez a política adotada pelos governos direitistas, a de destruir as iniciativas culturais e populares, que o fazem como legítimos inimigos da cultura e do povo o que já vem sendo demonstrado com o sucessivo desmantelamento da cultura pelo poder público controlado pelos fascistas que perseguem, censuram e sabotam os movimentos culturais genuinamente populares.

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