Guaidó, Borges, Machado: promotores da intervenção militar contra a Venezuela

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Caracas, AVN – Por: Yonaski Moreno/ Yuleidys Hernández Toledo

Em reiteradas oportunidades dirigentes da direita venezuelana solicitaram uma “intervenção militar” estrangeira para derrubar o governo constitucional do chefe de Estado, Nicolás Maduro Moros, usando como argumento uma suposta “crise humanitária” na Venezuela.

Esta farsa contou com o apoio dos meios de comunicação nacionais e internacionais, o presidente da Assembleia  Nacional (AN) em desacato, Juan Guaidó, os fugitivos da justiça Julio Borges e Antonio Ledezma, a representante da extrema-direita María Corina Machado e o economista neoliberal, Ricardo Hausmann.

Um dia depois de que a direita tentasse sem sucesso ingressar uma suposta “ajuda humanitária” pela fronteira entre a Colômbia e Venezuela com o apoio dos EUA e do governo colombiano, Guaidó escreveu uma mensagem no Twitter que evidencia seu plano.

“Os acontecimentos de hoje me obrigam a tomar uma decisão: propor à Comunidade Internacional de maneira formal que devemos ter abertas todas as opções para conseguir a liberação desta Pátria (…)”, escreveu Guaidó no dia 24 de fevereiro na rede social.

A frase “todas as opções” é a mesma que utilizou de modo intimidatório o presidente estadunidense, Donald Trump, em reiteradas oportunidades para ameaçar a Venezuela.

Julio Borges

Borges, que é fugitivo da justiça desde sua ligação com o plano golpista continuado e o magnicídio frustrado contra o presidente Nicolás Maduro em agosto de 2018, pediu uma intervenção na Venezuela.

Em entrevista ao The Washington Times, afirmou que “é muito importante para nós (a oposição) que o presidente Trump seja um fator de ajuda para criar a máxima pressão internacional” sobre o governo de Maduro”.

Em 24 de fevereiro, o dirigente do partido de direita Primeiro Justiça anunciou no Twitter sua reunião com os representantes do autodenominado Grupo de Lima para “exigir uma escalada na pressão diplomática e no uso da força contra a ditadura de Nicolás Maduro”.

Naquela oportunidade manifestou seu anseio de “utilizar a presença do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, do presidente Iván Duque e de todos os chanceleres do Grupo de Lima para estabelecer e pedir este pacote de ações contundentes; o que ocorreu ontem abre as portas a uma estratégia mais determinante, definitiva e imediata”, cita o diário El Universal.

Antonio Ledezma

“Para resgatar a Venezuela é necessário aplicar já intervenção humanitária e o conceito de Responsabilidade de Proteger”, disse no mesmo dia outro fugitivo da justiça venezuelana, Antonio Ledezma, no Twitter.

A aplicação da doutrina da Responsabilidade de Proteger é o uso da força contra um país – uma medida da Assembleia Geral da ONU trabalhada desde 2005 quando há algum risco de “genocídio, crimes de guerra, limpeza étnica e crimes contra a humanidade”, delitos que não ocorrem na Venezuela.

Em abril de 2018 Ledezma solicitou a intervenção militar, quando assegurou em Miami que a “ingerência humanitária” é um dos poucos caminhos para derrubar Maduro por parte da comunidade internacional, cita o Diario Las Américas.

“A ingerência humanitária se refere à ação de Estados ou organismos internacionais contra outro Estado soberano, geralmente utilizando a força armada”, explica este jornal em sua página web.

María Corina Machado

Em 11 de fevereiro, em coletiva de imprensa, a dirigente em nome da aliança opositora “Sou Venezuela” pediu a “aplicação imediata da Responsabilidade de Proteger” para usar uma força multinacional na tentativa de ingressar “ajuda humanitaria” ao país.

Mais tarde, se dirigiu à Força Armada Nacional Bolivariana com uma mensagem no Twitter onde disse: “Cidadãos militares, entendam, o tempo de Maduro acabou. Aqui vamos fazer o que tenha de ser feito. Não há volta atrás”.

A participação de Machado em ações golpistas remontam ao plano de sedição chamado “La Salida” de 2014, que liderou ao lado do político de extrema-direita Leopoldo López, do partido Vontade Popular.

Desde então, chamou a desobediência civil, com especial enfâse em 2017, durante as ações de choque e violência nas ruas promovidas pela extinta Mesa da Unidade Democrática (MUD).

Em abril de 2018, expresou seu apoio aos bombardeios ordenados pelos EUA, Reino Unido e França contra a Síria com a desculpa de um suposto ataque com armas químicas em Duma, em Damasco, acusações sem provas.

“O conflito na Síria não distrai o mundo sobre a urgência da crise venezuelana, ao contrário. As forças geopolíticas ali alinhadas também estão envolvidas aqui e com objetivos similares. O mundo democrático deixou claro o que não se pode tolerar mais”, escreveu em sua conta @MariaCorinaYa.

Juan Requesens

O ex-deputado da AN em desacato, Juan Requesens, detido em 2018 por facilitar a entrada pela Colômbia de Juan Carlos Monasterio Venegas, coordenador logístico do magnicídio frustrado, reconheceu o plano da oposição para uma intervenção estrangeira, durante um fórum da Universidade da Florida.

“Para chegar a uma intervenção estrangeira temos que passar esta etapa”, disse sobre as guarimbas ocorridas entre abril e julho de 2017, citou a Telesur.

Ricardo Hausmann

Em janeiro de 2018, o ex-ministro de Carlos Andrés Pérez (1989-1993) e fiel ao neoliberalismo, Ricardo Hausmann, pediu que a AN em desacato, formasse um governo ilegítimo que convocasse os EUA e países europeus e latino-americanos “amigos” para uma intervenção militar na Venezuela.

Em um artigo publicado em project-syndicate.org, ressaltou que esta “assistência militar” seria “semelhante à liberação do Panamá da opressão de Manuel Noriega por parte dos Estados Unidos”.

Mas o que não aponta o ex-ministro e chefe da extinto Escritório Central de Coordenação e Planejamento (Cordiplan) é que a invasão militar dos EUA ao Panamá em dezembro de 1989 deixou cerca de três mil falecidos.

Hausmann é um aliado de Guaidó, que supostamente o nomeou “governador” da Venezuela no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), segundo informou o representante da extrema-direita venezuelana, Carlos Vecchio, também fugitivo da justiça.