Crise se arrasta
Cercado pela especulação em torno da sua transformação em clube-empresa, o Botafogo vai escrevendo novos capítulos à sua crise
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Botafogo foi goleado pelo Grêmio por 5 X 2 em seu jogo mais recente | Foto: Lucas Uebel/Gremio FBPA/Fotos Públicas.
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Botafogo foi goleado pelo Grêmio por 5 X 2 em seu jogo mais recente | Foto: Lucas Uebel/Gremio FBPA/Fotos Públicas.

Novo capítulo na tumultuada história recente do Botafogo. Após a queda para a Série B do Campeonato Brasileiro e da tentativa ainda frustrada de entrega da Estrela Solitária aos especuladores financeiros, o tradicional clube de futebol carioca se vê outra vez abalado por denúncias.

No início da semana, um grupo de torcedores entrou com pedido de investigação da gestão que acabou de deixar a diretoria do clube. A ação foi realizada junto ao Ministério Público do Rio de Janeiro e apresentou cerca de 12 mil assinaturas coletadas pela internet e favoráveis à investigação.

O argumento apresentado na “petição online” foi pedir pela apuração de “atos de gestão temerária”. Como já virou tradição nas diretorias do alvinegro carioca, ocorreu um novo vazamento de áudios nas redes sociais em outubro de 2020.

Um dos assuntos expostos, por exemplo, foi a contratação do atacante peruano Lecaros. Como o jogador estava sem clube, chegou sem custos de transferência ao Glorioso. No entanto, como o jogador tem menos de 23 anos, existe um mecanismo legal que faz com que o contratante tenha que remunerar o clube de origem do atleta estrangeiro. No caso do Botafogo, isso significou uma dívida de R$1,4 milhão junto ao Cusco Fútbol Club.

No áudio contraditório, o membro do Comitê Gestor, Carlos Augusto Montenegro, afirma inicialmente que o grupo desconhecia o “mecanismo de solidariedade ao clube formador”. Em seguida, relembra que o próprio Botafogo já havia sido beneficiado pelo mesmo mecanismo no passado. A trapalhada administrativa onerou os já minguados cofres do clube e aprofundou a crise vivida ao longo do ano. Lecaros atuou poucas vezes durante o período, o que irritou ainda mais a torcida.

Esses acontecimentos estão intimamente ligados ao problema da transformação do Botafogo em clube-empresa. A pressão especulativa abala todo o funcionamento do clube e ameaça um importante patrimônio do nosso futebol. O argumento de crise financeira tem sido o mais frequente nos diversos casos de entrega de clubes aos especuladores financeiros e ajuda muito esses parasitas ao reduzir o valor dos investimentos necessários. A situação é apresentada de maneira distorcida e fatalista, ou privatiza ou o clube acaba.

O envolvimento das torcidas é essencial para a superação dessa farsa. A ação do grupo de torcedores ajuda a expor o problema, porém não é nem de longe um caminho promissor. Os últimos anos deixaram bastante claro o papel político exercido pelos Mps e o do Rio de Janeiro teve grande destaque na cruzada direitista de perseguição política. As torcidas organizadas devem exigir sua participação na administração do clube que carregam no coração, só assim será possível conceber uma administração preocupada de fato com o Botafogo.

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