Mobilização é nas ruas
A luta pode se desenvolver de diversas formas, mas nenhuma delas pode substituir uma grande mobilização de toda a categoria, uma agitação real, de massa
TJRJ_Diego_Santos
Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro | Diego Santos

Um movimento que chama a atenção é a “luta”, organizada pelo Sindjustiça-RJ (Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Rio de Janeiro), para realizar assembléias e até greve da categoria virtualmente contra as medidas dos patrões.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou a volta ao trabalho presencial da categoria, que passou a vigorar a partir do último dia 29 de junho. Como qualquer instituição reacionária da direita, o Tribunal não está nem um pouco interessado com a saúde e a vida dos seus funcionários e, para cumprir as exigências de setores, como a reacionária OAB-RJ, por exemplo, manda os trabalhadores pagarem com as suas próprias vidas e de seus familiares com objetivo de atender esses reacionários e, justamente em que a capital fluminense registra recorde de contaminação e de mortes. O estado do Rio de Janeiro registrou 54.530 casos confirmados e 5.462 mortes por covil-19, segundo dados divulgados, nesse dia 1 de julho pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). São 1.142 casos e 118 óbitos a mais em 24 horas. Há, ainda, 1.288 óbitos em investigação. Isso sem falar, é claro, da subnotificações onde os números oficiais podem ser multiplicado por até 4 vezes.

Logicamente que com esses números a categoria de trabalhadores do tribunal de justiça tem toda a razão em não querer voltar ao trabalho presencial, já o risco de contaminação nos seus locais de trabalho é altíssimo.

Mas o que chama a atenção é a forma que as direção sindicais dos trabalhadores estão organizando a luta, para impedir a determinação dos patrões à volta ao trabalho, apenas da forma virtual.

Tudo bem que a luta pode se desenvolver de diversas formas, mas nenhuma delas pode substituir uma grande mobilização de toda a categoria, uma agitação real, de massa, nos espaços públicos, com os sindicatos abertos com objetivo de atender a demanda dos trabalhadores. Afinal de contas como barrar aqueles fura-greves, que ao retornarem ao trabalho e ponham em risco o sucesso do movimento paredista!?

O que há, na verdade, por trás dessa política é a total  paralisia dos sindicatos, que em sua esmagadora maioria insistem na política de isolamento, mantendo as entidades fechadas, quando os trabalhadores estão em seus locais de trabalho. Essas iniciativas das direções sindicais vem evoluindo em um sentido verdadeiramente grotesco. São eleições sindicais virtuais, assembleias virtuais e, agora greve virtual como está fazendo o Sindjustiça- RJ.

A única maneira de combater a pandemia e defender a vida e o isolamento dos trabalhadores é se houver luta real, claro que se deve usar as redes sociais (e demais meios disponíveis) para uma intensa agitação que se traduza numa mobilização real. Esta mobilização, por sua vez, precisa se dar no âmbito de uma luta igualmente real. A repetição de erros já cometidos, de tirar o protagonismo da luta da categoria em favor de um movimento sem os trabalhadores é também um caminho muito seguro para a derrota de qualquer luta.

Relacionadas
Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments