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Trabalhadores dos Correios fizeram 35 dias de greve contra o governo Bolsonaro, e foram derrotados pela ineficiência da sua organização sindical
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Categoria, em mobilização | Foto: Reprodução

Os trabalhadores dos Correios entraram em greve no dia 17 de agosto contra a política do governo golpista de Jair Bolsonaro  de rebaixamento salarial e da privatização dos Correios.

Em plena pandemia, o governo golpista de Bolsonaro apresentou aos trabalhadores dos Correios o rebaixamento salarial, propondo a retirada de 70 cláusulas das 79 do atual acordo coletivo.  Rebaixando direitos garantidos na luta pela categoria ao patamar da legislação atual (CLT- Consolidação das leis Trabalhistas).

Diante de tamanho ataque, os trabalhadores dos Correios se mobilizaram por conta própria para entrar em greve.  Os sindicatos da categoria foram empurrados pela insatisfação dos trabalhadores para realizar as assembleias  de greve. Em São Paulo e Rio de Janeiro aonde os sindicatos são controlados por sindicalistas pelegos, ligados à Federação Fantasma (Findect) as assembleias sequer foram presenciais, os sindicalistas do PCdoB e do PMDB que usam a federação fantasma para dividir a categoria tentaram impedir a greve com assembleias virtuais. Mas diante do fato de que todo Brasil havia deflagrado  a greve, tiveram que aprovar em suas bases também. 

O governo Bolsonaro, em meio a pandemia,  apostou na greve fraca. A greve nacional dos Correios  teve uma boa adesão de início, no entanto, pela falta de ação grevista, como piquetes, manifestações e ocupação da empresa, em SP e Rio de Janeiro, os trabalhadores fizeram greve de pijama, e com muitos fura greves entre trabalhadores diretos e terceirizados.     

No início os sindicatos ligados à Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios) ficaram vacilantes para fazer mobilização de rua, chegaram a imitar os bolsonaristas com proposta de fazer carreata.

No sindicato de Campinas, interior de São Paulo, os trabalhadores exigiram passeata e a partir da primeira passeata, começou a cair por terra o estigma de que os trabalhadores não podem se manifestar em época de Pandemia. Em Araraquara os trabalhadores ocuparam por um dia a agência central dos Correios e  essa  ação motivou a ocupação do CTCE de Indaiatuba  (Centro de Triagem de Cartas e Encomendas) na região de Campinas.

A Ocupação do CTCE durou 96 horas, bloqueou a circulação de cerca de 6 milhões de objetos por dia dessa unidade.  Essa ocupação começou dar o tom da greve em outros estados, com piquetes de trancamento de portão de CTCE’s no Paraná, Bahia e Distrito Federal.  Mas com a intervenção da polícia e do judiciário nessas ações, o movimento caiu de novo no vazio. 

A corrente Ecetistas em Luta ligada ao PCO lançou a proposta de um grande ato nacional em Brasília. Uma dezena de sindicatos ligados à Fentect compraram a ideia e protocolaram nessa federação  um manifesto pela realização do ato, com a perspectiva de levar 10 mil trabalhadores para a capital do país.

A direção da Fentect se reuniu e os sindicalistas do PSTU tentaram impedir um ato grande, propondo a realização da atividade o mais rápido possível no dia 17 de setembro , no entanto, como a audiência do julgamento da greve da categoria já estava marcado pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho) para o dia 21 de setembro, a maioria dos sindicatos decidiram realizar o ato no dia do julgamento, 9 dias para realizar a mobilização e organização das caravanas. 

O ato foi realizado no dia 21 de setembro em Brasília com caravanas de trabalhadores vindos de várias partes do país, reunindo 3 mil trabalhadores dos Correios na capital do país. Os sindicatos ligados à federação fantasma, principalmente SP e RJ não só não organizaram caravanas de trabalhadores para Brasília, como marcaram uma assembleia virtual no dia do julgamento, mostrando que iriam entregar a greve após a decisão do TST.

Como já era esperado o TST golpista e defensor dos interesses patronais, acataram praticamente todas as vontades do governo Bolsonaro. Decidiram passar por cima dos direitos e benefícios dos trabalhadores e facilitar a privatização dos Correios. 

Retiraram 50 cláusulas do acordo atual e ainda definiram o pagamento e compensação da greve.  No momento da decisão do TST, havia 3 mil trabalhadores em frente ao prédio central dos Correios em Brasília e foi proposto por um companheiro da corrente Ecetistas em Luta a ocupação do prédio, no entanto os sindicalistas da Fentect se fizeram de surdos, e  convocaram os trabalhadores para retornar para seus Estados, realizarem assembleia e não acatar a decisão do TST, continuando em greve. 

No entanto, enquanto os trabalhadores estavam dentro dos ônibus voltando para seus Estados, os sindicalistas do PCdoB realizavam suas assembleias virtuais e com muita fraude cibernética aprovaram o fim da greve sobre uma enxurrada de protestos nos chat’s das transmissões.   

Com a iniciativa dos sindicalistas traidores da federação fantasma e patronal (Findect) empurrando a categoria de SP e RJ para dentro das unidades dos Correios, os sindicalistas da Fentect, mostrando que não tem personalidade, e estão totalmente a reboque dos traidores da federação patronal, mudaram a orientação e organizaram suas assembleias do dia seguinte para também colocar os trabalhadores para dentro dos Correios, encerrando a greve depois da maior derrota da categoria em todas sua história.

A proposta correta de desafiar o TST, órgão do patrão para impor sua vontade, ficou apenas no discurso.                     

Por um único sindicato na categoria dos trabalhadores dos Correios                       

A derrota da greve dos Correios colocou em evidência a ineficiência organizativa dos sindicatos da categoria ecetistas, com 36 sindicatos e duas federações  (Fentect -organizada pelos trabalhadores-, Findect- criada pela ECT) em uma empresa que possui um único patrão, governo federal, para uma categoria de mais de 150 mil trabalhadores dos Correios diretos e indiretos.

Essa formação vem da juventude organizativa dessa categoria, que antes da Constituição de 88 não podia nem se organizar em sindicato, pois a empresa era controlada pelos militares, e tinham que se submeter a uma verdadeira repressão.  

Com as diversas greves que ocorreram em 1985 no governo Sarney, os trabalhadores dos Correios começaram a lutar e impuseram a organização sindical, mesmo enfrentando o ministro Antonio Carlos Magalhães que demitiu 3 mil trabalhadores dos Correios,  para substituir as associações.  

Como a categoria era nacional, e os sindicatos regionais, havia muita dificuldade de representação nacional e aí os sindicatos combativos  formaram a Fentect com a maioria dos sindicatos. Os militares formaram a federação patronal Findect, com cinco sindicatos.

Devido à época ser muito combativa, a Federação patronal não teve força para se impor, inclusive quase todos os sindicatos dessa federação acabou indo para as mãos da oposição e depois se filiando à Fentect.

A combatividade da organização sindical dos Correios no início do movimento foi sendo substituído por uma política de conchavos e mediação com o governo de FHC e principalmente nos governos do PT de Lula e Dilma.

A política da direção sindical nesse período levou a categoria a várias derrotas, inclusive no governo do PT, até porque nesse governo o PT mantinha acordo com os direitistas que controlavam a ECT, como o próprio Roberto Jéferson, homem da direita que deu início a operação de prisão das lideranças do PT no processo do mensalão. 

Com a desmoralização da burocracia sindical nesse período, a oposição dirigida pelo Ecetistas em Luta/PCO derrotou essa política e propôs  a unidade da categoria em um único sindicato.

No mesmo momento os sindicalistas do PCdoB que controlavam o sindicato do Rio de Janeiro e de São Paulo, dividiram a categoria e se associaram com os sindicalistas do PMDB de Bauru que eram os herdeiros da Federação patronal e fantasma, findect. Ressuscitaram a  federação patronal para impedir a unidade nacional da categoria.  

Depois de organizar oposição nas bases da federação patronal, mas ser atacados por setores como o PSTU/ Conlutas que queria também organizar uma outra federação, a direção da ECT conseguiu novamente unificar a burocracia sindical e expurgar a oposição e restabelecer o Bando dos Quatro, mas agora com os sindicalistas do Sintect-MG que se juntaram aos sindicalistas do PT, PCdoB e PSTU).

Com essa composição a frente dos sindicatos,  e com o golpe de Estado em 2016, esses sindicalistas levaram os trabalhadores a derrota da entrega do plano de saúde e agora com a perda de 50 cláusulas do acordo coletivo. 

Somente a unidade dos trabalhadores e não a unidade de aparelho sindicais é possível derrotar os ataques do governo Bolsonaro, levantando campanhas políticas como a redução da jornada de trabalho, sem redução de salário, escala móvel de horas de trabalho para combater o desemprego é possível unificar a classe operária contra o golpismo e seus ataques a classe trabalhadora.

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