Greve de fome mostrou até onde ativistas estão dispostos a ir em defesa de Lula

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Foi encerrada no sábado (25), com um ato político em Brasília, a greve de fome de 26 dias dos sete ativistas do movimento popular, Jaime Amorim, Zonália Santos, Rafaela Alves, Frei Sérgio Görgen, Gegê Gonzaga, Vilmar Pacífico e Leonardo Soares, iniciada em 31 de julho.

Embora não tenha sido consenso entre os grevistas o encerramento da greve, prevaleceu o entendimento que todo o grupo deveria agir com uma decisão unitária, que fortaleça os próximos passos do movimento em torno da luta contra o golpe e pela garantia da candidatura de Lula.

De acordo com a direçao do movimento, embora a greve não tenha conquistado seu objetivo maior que é a liberdade de Lula, foi um importante instrumento para denunciar o golpe e a política absolutamente anti-povo encampada pelo governo golpista e, em particular, pelo judiciário brasileiro, um instrumento à soldo do imperialismo e totalmente alheio à realidade do país.

Para Jairo Amorim, “Ao longo dos 26 dias, foi feito um grande debate com a sociedade brasileira, denunciando a volta da fome, e mostrando para o mundo as consequências do golpe, o aumento da violência, o abandono dos mais pobres por parte do estado e o papel que o poder judiciário exerceu para que isso acontecesse”, complementando que “O judiciário cumpriu um papel decisivo a favor do golpe e contra o povo, mostramos para todos esses cenários em que se conduziu a judicialização da política e a politização do poder judiciário, o que é incompatível com uma sociedade democrática”.

O grito de guerra foi lançado no próprio ato, com os grevistas deixando claro que agora vão se engajar de norte a sul do país, nos movimentos que lutam contra o golpe “Nós saímos da greve para um outro patamar da luta, seguiremos lutando pela liberdade de Lula, mas olhamos para a frente vislumbrando o Congresso do Povo e a consolidação da Frente Brasil Popular como um instrumento de desenvolvimento político e social para toda nossa gente, abrigando a nova militância que surgiu da resistência ao golpe e vem crescendo cada vez mais, uma militância sem vícios, que está disposta a ajudar a construir uma nova história possível e necessária.”

A luta contra o golpe não se encerra nas eleições de 7 de outubro, muito ao contrário. Embora todo o esforço dos golpistas tenha o objetivo de eliminar Lula das eleições, os setores verdadeiramente empenhados em derrotar o golpe têm que ter claro que levar sua candidatura até às últimas consequências, significa justamente colocar na ordem do dia a preparação de grandes mobilizações populares contra o golpe e como sustentação de um possível governo Lula.

A burguesia golpista procura transformar as eleições em uma panacéia, mas, obviamente, sem a participação de Lula. Levantar o povo imediatamente é a tarefa do movimento que construiu a greve de fome e dos próprios grevistas que colocaram suas vidas em risco justamente para lutar contra o golpe e defender a liberdade de Lula e a sua candidature.