Liberdade de expressão
A censura a Donald Trump nas redes sociais esconde um perigoso novo ataque aos direitos da população americana, uma nova onda de repressão que será exercida por Biden
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donald trump foto carolyn kaster - ap photo
Donald Trump | Foto: Carolyn Kaster/AP Photo

Antes mesmo do fim das eleições norte-americanas de 2020 o atual presidente, Donald Trump, vem denunciando o caráter fraudulento das eleições, contestando os seus resultados e chamando o seu oponente vencedor, o democrata Joe Biden, de “falso presidente”.

Segundo as palavras de Trump, “o Departamento de “Justiça” (aspas do próprio) e o FBI nada fizeram em relação à fraude eleitoral presidencial de 2020, o maior GOLPE da história de nossa nação, apesar de provas esmagadoras. Eles deveriam ter vergonha. A história vai se lembrar. Nunca desista. Vejo todos em D.C. no dia 6 de janeiro”, como escreveu em uma postagem no Twitter.

Em outra postagem na mesma rede ele se referiu à suspeita sobre os milhões de votos enviados pelo correio: “um jovem militar que trabalha no Afeganistão me disse que as eleições no Afeganistão são muito mais seguras e muito melhores do que as eleições nos EUA em 2020. A nossa, com milhões e milhões de cédulas de correio corruptas, foi a eleição de um país do terceiro mundo. Presidente falso!”.

Neste ponto Donald Trump tem todo o direito de contestar: votos enviados pelos correios são um método cujo lisura é impossível de ser atestada. Como disse Trump, “uma pessoa pode votar múltiplas vezes. Além disso, quem as controla, elas estão em áreas republicanas ou democratas?

O dia 6 de janeiro de 2021 era o dia em que o Congresso americano se reuniria para homologar os resultados da eleição presidencial. E foi justamente para esta data que Donald Trump convocou os seus seguidores a fazerem um protesto no Congresso, localizado na cidade de Washington D.C.

Os tumultos no Congresso

Novamente pelo Twitter a mensagem de Trump dizia: “Peter Navarro divulgou um relatório de 36 páginas alegando que a fraude eleitoral foi mais que suficiente para tirar a vitória de Trump. Estatisticamente era impossível perder a eleição de 2020. Grande protesto em D.C. no dia 6 de janeiro. Esteja lá, será selvagem! ”.

Nesse dia 6 de janeiro milhares de pessoas compareceram à frente do Congresso para o protesto chamado por Trump, derrubando as barreiras de proteção e invadindo o prédio. A sessão que iria homologar a vitória de Biden nas eleições teve que ser suspensa. As forças de repressão atuaram e mataram quatro dos manifestantes. A imprensa tradicional e golpista caracterizou o protesto dos apoiadores de Trump no Congresso como uma tentativa de golpe de estado.

Só que as denúncias de fraude de Trump lhe renderam várias sanções nas redes sociais. Trump havia postado um vídeo no Twitter que, inicialmente, teve bloqueio para comentários, compartilhamentos e curtidas. Depois foi inserido um alerta abaixo do vídeo dizendo: “esta alegação de fraude eleitoral é contestada e este tuite não pode ser respondido, retuitado ou curtido devido ao risco de violência. ” Por fim o vídeo foi apagado.

Depois disso, a conta de Donald Trump no Twitter, que tem mais de 89 milhões de seguidores, foi bloqueada por 12 horas, além de terem apagado três tuites que a empresa considerou que violavam as normas da rede.

Glenn Greenwald

O jornalista Glenn Greenwald, um dos principais ativistas pela liberdade de expressão, vem fazendo uma série de denúncias sobre a perseguição a Donald Trump.

Em outubro de 2020 Greenwald deixou o The Intercept após o jornal recusar um artigo onde ele trazia diversas críticas a Joe Biden. Segundo Greenwald, “os editores do Intercept, violando meu direito contratual de liberdade editorial, censuraram um artigo que escrevi esta semana, recusando-se a publicá-lo a não ser que eu removesse todos os trechos com críticas ao candidato democrata à presidência, Joe Biden”.

Este episódio já foi bem ilustrativo do controle que o imperialismo está fazendo em todos os órgãos de comunicação, blindando o então candidato do partido democrata Biden. O Diário Causa Operária publicou uma série de artigos sobre Biden, mostrando que seu passado revela um histórico inigualável de atrocidades, com episódios de racismo, censura, opressão e repressão, além de ter sido o principal responsável pela política militarista que cresceu após os acontecimentos do 11 de setembro de 2001.

Na noite do dia 10 de janeiro deste ano Greenwald foi entrevistado para o programa Carlson Tonight da rede Fox News. Lá, o jornalista defendeu a ideia de que está em curso um grande programa de censura dentro dos Estados Unidos. Ele disse que a administração de Joe Biden e a censura dos meios de comunicação do “Big Tech”, estão planejando uma nova “Guerra ao Terror”, mas desta vez dirigida contra os próprios cidadãos americanos. O “Big Tech” é o monopólio da indústria tecnológica americana que inclui companhias como a Amazon, Apple, Google, Facebook e Microsoft. Somente estes cinco nomes têm um valor de mercado de mais de 2 trilhões de dólares. Ou seja, são alguns dos principais representantes do imperialismo.

Segundo Greenwald, uma coisa que estamos vendo claramente é o início de uma nova “Guerra ao Terror”. A “Guerra ao Terror” se refere aos ataques militares americanos que vieram após os acontecimentos do 11 de setembro e que atingiram países como o Iraque e o Afeganistão.

A manifestação dos apoiadores de Trump está sendo usada agora pela administração Biden para criar novas leis repressivas com a desculpa de se evitar o terrorismo doméstico. Como disse Greenwald: “o que eles querem é aumentar o seu poder para monitorar grupos políticos, infiltrá-los, criminalizar atividades que agora não são crimes e que nem deveriam ser crimes”.

A estratégia de Biden seria dizer que a guerra agora seria contra o “terrorismo dos supremacistas brancos”, o que no final das contas não seria nada além dos apoiadores de Trump, e com isso levar os cidadãos americanos a serem tratados como “terroristas”.

A censura a Donald Trump foi levada especialmente pelas gigantes Amazon, Google, Twitter e Facebook. Um ataque coordenado para impedir a liberdade de expressão.

O Facebook bloqueou a conta de Trump, estendendo esse bloqueio também para o Instagram, até o final de seu mandato, daqui a duas semanas. O mesmo se verificou com o sítio Snapchat e o YouTube removeu vários dos vídeos de Trump, especialmente aqueles com denúncias da fraude eleitoral.

Edward Snowden

Outra voz importante na denúncia da censura a Trump tem sido Edward Snowden, que revelou ao mundo as inúmeras violações dos direitos dos cidadãos feitas pelo governo americano através de órgãos como a CIA e a NSA.

Snowden, ex-analista de sistemas da CIA, deu detalhes do funcionamento de vários programas espiões, entre eles o programa de vigilância PRISM, da NSA (Agência de Segurança Nacional), que coletam informações de qualquer pessoa no mundo, uma flagrante violação dos direitos dos indivíduos. Foragido dos Estados Unidos e exilado na Rússia desde 2013, Snowden tem sido constantemente ameaçado de morte pelas agências governamentais americanas e perseguido pelo imperialismo, tornando-se outro dos grandes ativistas pela liberdade de expressão e dos direitos individuais.

Snowden se manifestou também através da rede Twitter, no dia 7 de janeiro, dizendo: “o Facebook silenciou oficialmente o presidente dos Estados Unidos. Pelo bem ou pelo mal, isto será lembrado como o ponto de virada na batalha pelo controle da liberdade de expressão nos meios digitais”.

Conclusões

Donald Trump já vem fazendo declarações contra o cerceamento da liberdade de expressão dos conservadores há anos. Uma de suas declarações de 2018 é bem interessante e diz: “a censura é algo muito perigoso e absolutamente impossível de ser policiada. Se você divulga fake news, então não existe nada mais fake news do que a CNN e a MSNBC e eu não peço a ninguém que censurem o seu comportamento doente. Eu me acostumei com isso e assisto (a essas redes) com um grão de sal ou então nem assisto”.

É interessante porque mesmo um direitista e fascista como Donald Trump consegue enxergar o perigo embutido na censura. Portanto a liberdade de expressão é um princípio, algo que está acima do conceito de direita ou esquerda.

No entanto, muitos dentro da esquerda acham que a liberdade de expressão deve seguir certas condições e que só pode ser exercida dentro de certos limites. A nossa opinião é que a liberdade de expressão só existe quando não existe limite algum. Todos são livres para falar o que tiverem na cabeça, não importa que sejam apenas bobagens, mentiras ou o que for. Mesmo porque quem é que vai dizer quais são os limites da liberdade de expressão? Historicamente, no final das contas, é a esquerda a principal vítima da censura.

Ficou claro em todo este episódio envolvendo Donald Trump que quem está exercendo a censura é o imperialismo, aquele que apoia incondicionalmente Joe Biden e seu futuro governo neoliberal, cujo propósito é o esmagamento completo da população americana e o esmagamento dos países de capitalismo atrasado, muito mais perigoso que o de Donald Trump.

Biden está esperando apenas o início de seu mandato para iniciar um novo período de barbárie, de guerras visando o saque das riquezas de todos os outros países, esperando que com isso, consiga manter o capitalismo funcionando dentro dos Estados Unidos. Para isso precisa manter o povo sob rédeas curtas, monitorado, reprimido e contido, sem forças para fazer manifestações, como aquela que aconteceu no Congresso americano no dia 6 de janeiro.

A denúncia de Glenn Greenwald sobre as novas leis que estão sendo elaboradas para ainda maior repressão do povo, além das inúmeras medidas que Biden conseguiu implementar no passado, dentro dos governos Bush e Obama, melhoram as condições de repressão da população americana. O próximo período deve ser de uma turbulência ainda maior do que o que foi visto até agora.

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