Grandes momentos da esquerda

Carro queimado franceses

 

“As instituições estão funcionando”

Talvez essa seja a primeira das muitas pérolas que eu escutei na longa jornada de 2013 até hoje. Apesar de iniciante nesse negócio de política, eu já achava a declaração meio esquisita, ainda mais vindo de um neo-hippie de algum coletivo colorido. O papo era composto por um longo discurso sobre horizontalidade, empoderamento e astrologia. Doidêra.

“O STF vai garantir a permanência de Dilma”

Um bando de malucos pedia intervenção militar em plena Avenida Paulista. Eu olhava pra aquele pato inflável gigante e continuava meio pessimista, mas depois de um longo debate de professores universitários na Praça Roosevelt, um barbudinho de boina da USP me garantiu que ficaria tudo bem. Dias depois, foi aquela choradeira no Largo do Anhangabaú. Dilma caiu. Tudo bem, não dá pra acertar todas.

“Temer pediu uma intervenção militar no Rio de Janeiro para promover sua candidatura”

Depois do golpe, o Brasil virou uma Transilvânia muito louca. O governo Temer era um pesadelo, mas também era mais falível que as noites com Marcela no Palácio do Jaburu. Nesse ponto eu já olhava desacreditado pra cara do camarada que acreditava na virilidade do vampirão e falava: mano, cê tá bem?

“Lula vai ser solto em questão de dias”

Enquanto governo golpista destruía o país, resolvi acampar em São Bernardo para tentar impedir que Lula fosse preso. Foi bacana, tinha cerveja e garotas na “resistência”, mas o rolê foi meio boicotado pela própria direção do movimento. Os gênios acreditavam que uns advogados iam resolver a parada. Concluí que LSD é uma delícia, mas não deve ser misturado com política.

“Mourão é apenas um general de pijama”

Já meio anestesiado pela prisão do presida, escutei essa de um aspirante a estrategista da esquerda. O cara era cheio das referências acadêmicas e de seguidores nas redes sociais, quase botei uma fé. Espero que ele não tenha tuitado essa groselha, pode acabar perdendo uns jobs pela falta de assertividade. Segue o baile.

“Haddad vai ganhar a eleição no primeiro turno”

Meio cansado dessa espiral de ilusões, meti meu colete salva-vidas e pulei do Titanic. Fiquei boiando no gelo, vendo a turma em cima da proa fazendo festa. A esquerda seguia acreditando na vitória, dançando um forrózinho na Vila Madalena, à beira da morte.

“Bolsonaro no segundo turno é garantia de vitória”

A fraude se consumou e o fascista ganhou. Estupefato, vi o perdedor desejando sucesso ao que chamava de “barbárie”. Quanto à declaração supracitada, coitado do pirado que publicou isso no Facebook. Alguém printou o comentário e fica republicando no perfil do cara diariamente.

“Bolsonaro vai cair sozinho”

Queria muito terminar essa porcaria de texto falando que toda essa saga foi um pesadelo ou uma bad trip de cogumelo estragado. Mas não. Essa compilação de genialidades é o retrato da esquerda brasileira que toma decisões dentro do apartamento da Paula Lavigne. Que deus tenha piedade dessa nação.