Crise política na Alemanha
Convocado por sindicatos, onda de manifestações tomam conta da Alemanha contra o avanço do fascismo e a aliança destes com a direita “democrática”
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Organizadores estimam 18 mil nas ruas em Erfurt contra o fascismo. Foto: Jens Schlueter - AFP |

Protestos contra os grupos fascistas, que reaparecem protegidos pela direita centrista tradicional, levaram milhares de pessoas às ruas de Erfurt, neste sábado (15). A capital da Turíngia vive uma crise política imensa desde que uma manobra eleitoral – realizada pelos partidos de direita, para brecar a esquerda – levou Thomas Kemmerich, do Partido Liberal Democrático (FDP), a vencer a eleição para governador da Turíngia por um voto apenas!

Sua vitória foi possível com uma coalizão que incluía também os partidos Alternativa para a Alemanha (AfD) e a União Democrata Cristã (CDU), o partido da chanceler Angela Merkel. Pressionado pela crise aberta com sua vitória, Kemmerich acabou renunciando ao cargo de governador. Ainda assim, o abrigo dado pelos partidos direitistas tradicionais a elementos da extrema direita causou uma convulsão no país inteiro. Segundo os organizadores do ato, pelo menos 18 mil manifestantes foram às ruas da cidade marchar com o tema “Sem pacto com fascistas – nunca e em lugar nenhum”.

O caso é emblemático de como surge o fascismo e segue um roteiro similar ao do Brasil e diversas outras experiências no mundo. Sem força para derrotar a esquerda e impor o sempre impopular programa da burguesia. Os partidos da direita centrista acabam obrigados a impulsionar grupos fascistas, que gravitam sob sua órbita, de modo a atingir seus interesses políticos. Mas, ao fazê-lo, acabam se esfarelando politicamente. Para se equilibrar no poder, frequentemente a direita centrista faz uso dos elementos capituladores da esquerda, o que lhes dá uma sobrevida momentânea, por um lado, e desmoraliza a esquerda, por outro.

Neste sentido, a aliança entre o Partido Social Democrata Alemão (SPD) com o CDU, para garantir a governabilidade de Merkel e impedir a extrema direita, pode até ter sido defendida como uma tática genial dos sociais democratas. Mas, pelo desenvolvimento geral da situação, é possível constatar que pouco ou nada de efetivo foi conquistado em favor da classe trabalhadora alemã com ela. E a suposta “direita palatável” (como disse um de seus principais expoentes no Brasil, Ciro Gomes), fez uso dos sociais democratas quando lhe foi conveniente, mas não teve dúvidas em recorrer aos fascistas contra a esquerda quando se viu ameaçada por esta. Como o caso da Turíngia demonstra com vivas cores.

A situação como um todo serve de alerta à esquerda brasileira, cujos setores majoritários buscam construir uma política de frente ampla, onde todo tipo de loucura capituladora se torna a regra, incluindo o patético exemplo do antigo PCdoB, atual Movimento 65. Uma demonstração nítida de desespero.

Não há aliança possível com a direita centrista que traga benefícios para o conjunto da classe trabalhadora. A direita tradicional não tem interesse real em acabar com o fascismo para o benefício dos trabalhadores, e não só fez como continuará fazendo uso da sua ala mais extrema sempre que o movimento operário acuar a burguesia.

Os setores pequeno burgueses da esquerda podem até conseguir um acordo de conciliação que lhes seja vantajoso. Mas como a atual crise alemã demonstra, esses acordos sempre tem uma prazo extremamente curto e culminam com a desintegração da esquerda. Não que a crise alemã tenha algo de novo. É a história se repetindo como farsa. A única forma de enfrentar a direita e os fascistas é aliando-se com a classe trabalhadora e impulsionando seus interesses de classe e seu ódio contra  a burguesia, sua inimiga de classe. Outra lição da história que os sábios da esquerda pequeno burguesa teimam em ignorar.

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