Governo venezuelano denuncia ofensiva do jornal espanhol El Mundo contra Maduro

maduro

Caracas, AVN O governo da República Bolivariana da Venezuela, através de sua embaixada na Espanha, rechaçou a matéria do jornal El Mundo, assinada por Daniel Lozano, que faz parte de uma campanha de desinformação e incitação à violência através da propaganda política.

Em carta dirigida a Francisco Rosell, diretor do jornal espanhol, o embaixador Mario Isea denuncia a matéria publicada em 30 de novembro, do correspondente em Caracas, intitulada “Nicolás Maduro presidente pária em 2019”, em que “o jornalista oculta informação e oferece uma visão tergiversada que viola todo código de estilo e boas práticas e que contradiz a  ‘vocação plural’ que afirma ter seu jornal”.

A carta afirma que: “No trabalho avalizado pelo grupo Unidad Editorial, em sua condição de casa matriz do diário El Mundo se realiza um exercício netamente especulativo sobre a continuidade do sistema democrático venezuelano, ao marcar o próximo 10 de janeiro, data que Nicolás Maduro iniciará um novo mandato presidencial por vontade democrática de nossa sociedade, como um dia D, que marcaria um ponto de inflexão entre a Venezuela e a comunidade internacional”.

A embaixada exige direito de resposta e divulga a carta para denunciar a prática que atenta contra o direito à informação veraz do povo espanhol.

Esta carta, publicada pelo jornal digital Tercera Información, assinala que Lozano faz eco das posições de porta-vozes da extrema-direita venezuelana e além disso omite dados como o voto de seis milhões de eleitores que votaram por Nicolás Maduro em 20 de maio de 2018.

“O trabalho publicado em seu diário, senhor Rosell, não menciona os efeitos à população derivadas do bloqueio econômico e financeiro e que impedem a aquisição de medicamentos e alimentos para o uso e consumo de todo o povo venezuelano e que explicam em boa medida o fenômeno migratório venezuelano”, afirma o texto.

O jornal El Mundo omite que a ONU afirmou que as sanções contra a Venezuela são equivaletes a crimes de guerra, por afetar diretamente a população civil. A carta também argumenta que o sistema financeiro europeu adere ao bloqueio, como Euroclear que tem US$1,2 bilhão sequestrado e as pressões ao Banco da Inglaterra, para impedir a repatriação de 14 toneladas de ouro venezuelano.

Igualmente denuncia que a matéria de Lozano visa dividir o povo e promover atos violentos que justifiquem a intervenção direta contra a Venezuela, incluindo a opção militar.

Ressalta que não é correto que Maduro não conta com o apoio da comunidade internacional quando a “Venezuela conta com amplas alianças estratégicas em todo o mundo, incluindo as nações economicamente mais poderosas do planeta, como China, Rússia, Índia”.

Além disso, ressalta o apoio de organizações como a União Africana, o Conselho de Cooperação Islâmica, o Movimento dos Não Alinhados, o G77 mais China, a Alternativa Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA), a Comunidade de Estados do Caribe (Caricom) e a maioria dos países pertenecentes à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).

“O único recurso que resta à direita venezuelana, é apoiar-se nos meios de comunicação que incondicionalmente lhe outorgam uma credibilidade que na Venezuela não possuem, e que os apresentam ante o mundo como representantes do povo venezuelano quando seu fracasso, claramente evidente, revela semelhante engano”, diz a carta.

“Aspiramos que nas próximas vezes o diário El Mundo coloque em prática o que afirma o Código Deontológico do Jornalismo” como o respeito à verdade e evitar omitir informações ou publicar informações enganosas”, conclui.