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O golpe de 1964, dado pelas Forças Armadas contra o então presidente João Goulart, permitiu que o imperialismo tomasse conta diretamente do Brasil. Após as várias tentativas de golpe, que vinham desde o governo de Getúlio Vargas, os militares tiveram, enfim, sucesso em sua empreitada: conseguiram estabelecer um regime em que toda a oposição aos interesses do imperialismo pudesse ser controlada na base do terror.

Para conseguir impor, pela força, um regime capaz de escantear todos os setores minimamente progressistas do país, foi necessário, sobretudo, que as Forças Armadas tivessem, internamente, alguma unidade em torno de seus objetivos. Se houvesse contradições muito latentes entre os setores predominantes nas Forças Armadas, seria, naturalmente, impossível levar adiante um regime de terror durante mais de duas décadas.

Embora seja óbvio que toda a cúpula das Forças Armadas estava unificada em torno da submissão ao imperialismo, ainda há algumas “teorias” de que haveria militares “moderados” e outros mais “radicais”. No entanto, os “moderados” nunca foram pessoas com um mínimo espírito democrático: eles colaboraram inteiramente com a ditadura.

Uma prova de que a ala “moderada” da ditadura não era nada democrática é que o irmão de Geisel foi ministro do sangrento governo Médici. Ou seja, embora alguns considerem o general Geisel como um militar “moderado”, fica claro que os métodos e objetivos dos militares eram, em sua maioria, os mesmos. O maior ou menor uso da violência, portanto, não eram resultados de um pensamento democrático, mas sim das circunstâncias em que se encontraram os diferentes generais.

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