Entrega das riquezas continua
Petrobras põe à venda 50% de uma área de alta produtividade e dá mais um passo para destruição da empresa
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Polo de Marlim é um dos mais produtivos, com 20 bilhões de barris | Foto: Sindicato dos Petroleiros do RJ

A Petrobras começou a venda de ativos altamente rentáveis. Mais um passo da privatização total e da entrega de riquezas do país. “O anúncio do teaser de venda de 50% do Polo Marlim, na Bacia de Campos, feito pela gestão da Petrobras (…) é a mais recente confirmação de que a companhia está sendo privatizada em partes, o que vai transformar a Petrobras numa empresa esvaziada e sem valor” (Federação Única dos Petroleiros, 16/11/20).

A área altamente rentável tem licença até 2052. No pacote estão os campos Marlim, Voador, Marlim Leste e Marlim Sul. O terceiro do Brasil e o quarto empreendimento “offshore” das Américas (Brasil 247, 16/11/20). Com isso a empresa confirma sua intenção em se desfazer de áreas no pré-sal para acelerar sua política de desinvestimentos, até então focada em campos terrestres e áreas maduras em águas rasas. (ABDIB, 17/11/20)

Os campos de Marlim e Voador ficam a 150 quilômetros da costa de Macaé (RJ) e têm produzido em média 68,9 mil barris por dia, além de 934 mil m3 por dia, como a própria empresa informou destacando tratar-se de uma “oportunidade única”. A área, segundo o Sindicato dos Petroleiros do RJ, produz mais de 200 mil barris por dia. O Sindicato acusa a administração atual de entreguista: “É a gestão da Petrobras apequenando a companhia e trabalhando para reduzir sua longevidade e minar postos de trabalho”.

O campo de Marlim Leste está situado a uma distância de cerca de 107 km do Cabo de São Tomé, localizado em águas profundas e ultra profundas, com lâmina d’água que varia de 780 m a 2.000 m. De janeiro a outubro de 2020, Marlim Leste produziu, em média, 38,5 mil barris de óleo por dia e 615 mil m3/dia de gás.

O campo de Marlim Sul, está situado ao sul dos campos de Marlim e Marlim Leste, a uma distância de cerca de 90 km do litoral norte do Rio de Janeiro, em águas profundas e ultra profundas, em lâmina d’água que varia de 800 a 2.500 m e produziu em média, de janeiro a outubro de 2020, cerca de 109,6 mil barris de óleo por dia e 2.062 mil m3/dia de gás.

De acordo com o gerente-executivo de Águas Profundas, Carlos José Travassos, “esse movimento reforça a geração de caixa, importante não só para a redução da nossa dívida, mas garante os investimentos previstos no plano de renovação da Bacia de Campos” (Sindipetro, 17/11/20). O volume estimado de petróleo na área é de mais de 20 bilhões de barris.

“Alegando um suposto prejuízo, que é contábil, a gestão da Petrobras vai entregando ativos lucrativos e importantes para o resultado da empresa. Foi assim com a BR Distribuidora e com transportadoras de gás natural, está sendo assim com as refinarias e também com campos produtores de petróleo e gás. Com a venda de tantos ativos que dão lucro, o que será da Petrobras? É por isso que afirmamos que a empresa está, sim, sendo privatizada, mas privatizada aos pedaços. Nesse ritmo, não vai sobrar nada da Petrobras, que vai ser tornar uma empresa pequena e mera exportadora de petróleo cru, sujeita a perdas imensas com o sobe-e-desce das cotações internacionais de petróleo”, reforça Deyvid Bacelar, coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros – FUP.

Apenas entre fevereiro e agosto deste ano, a gestão da Petrobras colocou à venda 382 ativos, segundo levantamento do Sindicato dos Petroleiros Unificado de São Paulo (Sindipetro Unificado). A lista inclui 41 campos terrestres, 12 campos de águas rasas, 39 plataformas e nove blocos exploratórios. Na infraestrutura de gás natural, inclui a Nova Transportadora do Sudeste (NTS) e a Gaspetro, que participa de 19 distribuidoras de gás, que, juntas, somam 12 mil quilômetros de dutos, bem como cinco dutos de escoamento de plataformas e oito Unidades de Processamento de Gás Natural (UPGN). Sem falar em termelétricas, usinas eólicas e a Petrobras Biocombustíveis – PBIO.

O economista Ranulfo Vidigal, mestre em políticas públicas, estratégia e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), disse que o anúncio faz parte da estratégia de priorizar o investidor detentor de títulos da Petrobras, em detrimento da visão estratégica nacional de longo prazo que permeia as grandes empresas públicas de óleo e gás. “A busca por lucros de curto prazo pode custar graus de soberania e empregos, notadamente no Norte Fluminense carente de oportunidades produtivas”, observou.

“É um absurdo a Petrobras vender ativos lucrativos, que geram emprego e renda para o Norte Fluminense. A atual política de desinvestimentos da companhia tem impacto direto na economia de Campos e Macaé, que, em apenas quatro anos, tiveram quase 41.500 pessoas perdendo seus empregos”, confirmou Tezeu Bezerra, coordenador geral do SindipetroNF (FUP, 16/11/20).

Essa estratégia de destruição das empresas estatais, faz parte da política geral de subordinação da economia nacional aos interesses do capital financeiro. A determinação do ministro da Economia, Paulo Guedes, é garantir recursos para o pagamento dos juros da dívida, produzindo um fluxo permanente de recursos para os bolsos dos rentistas, banqueiros e fundos financeiros internacionais. Quase metade do orçamento da União vai para o pagamento de juros da dívida. No ano passado foi R$ 1,038 trilhão repassado aos bancos e rentistas. Dinheiro este que comprime os recursos de políticas sociais e acaba “justificando” uma política de arrocho.

“O Sistema da Dívida no Brasil implica na constante tomada de novos empréstimos para o pagamento de dívidas anteriores ilegítimas, que caso fossem auditadas e anuladas, permitiriam o direcionamento de tais empréstimos para investimentos produtivos que, com taxas de juros zero ou negativas (assim como em outros países que não remuneram a sobra de caixa dos bancos) aumentariam o nível da atividade econômica, gerando mais renda e tributos. Desta forma, se geraria a capacidade de pagamento das dívidas legítimas, permitindo o direcionamento dos novos empréstimos para mais investimentos produtivos, em um círculo virtuoso de renda e emprego” (Auditoria Cidadã da Dívida, 29/5/20).

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