Organização do extermínio
Nenhuma confiança no governo golpista, organizar conselhos populares nas comunidades para agir em defesa dos povos tradicionais
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Indígenas passam necessidades nas retomadas. Imagem: reprodução. |

Nesta semana, um questionamento feito pela Procuradoria Geral da República ao Ministério dos Direitos Humanos e a Fundação Nacional do Índio, a FUNAI, revelou que até o momento não foram feitos nenhum investimentos por parte dos órgãos do governo para socorrer as comunidades tradicionais, como os indígenas.

Há duas semanas atrás o governo golpista repassou cerca de R$ 10 milhões para a FUNAI, dinheiro destinado para o “combate” ao coronavírus. O valor, que na verdade é uma verdadeira migalha frente a quantidade de indígenas no Brasil (de acordo com o CENSO de 2010, mais de 800 mil pessoas, ainda não foi aplicado para realizar se quer um mínimo amparo às famílias.

A denúncia da Procuradoria demonstrou também que o Ministério da Família, Mulher e Direitos Humanos , da ministra golpista Damares Alves, possui R$ 45 milhões em caixa que poderiam ser aplicados no combate à doença nas comunidades tradicionais, todavia até o momento foi investido o valor ridículo de R$1.059.

É preciso ter claro que a falta de investimentos, até mesmo das migalhas destinadas aos povos indígenas é uma política organizada da direita golpista, de todos os seus setores, de extermínio e genocídio social contra as comunidades tradicionais do país, como os indígenas, quilombolas, ribeirinhos, entre outras.

Vale ressaltar que à frente da Fundação Nacional do Índio está o delegado da Polícia Federal e bolsonarista Marcelo Augusto Xavier da Silva, um homem ligado aos latifundiários que no final do último mês concedeu parecer desfavorável a demarcação da Terra indígena Tekoha Guasu Guavirá, no oeste do Paraná, um processo de luta que se estendia ao longo de dez anos.

Trata-se de uma política de genocídio organizada e colocada em prática contra os povos indígenas, encoberta por um discurso fajuto de “solidariedade” por parte dos órgãos do governo, o que a cada dia que passa se revela uma completa farsa.

A ameaça de extermínio dos indígenas, quilombolas e outras comunidades é cada vez mais iminente. É preciso agir de maneira urgente para se evitar a catástrofe. Não depositar nenhuma confiança no governo e nas instituições do regime golpista. É necessário organizar em cada comunidade conselhos populares e exigir, pelos meios que forem necessário, que o poder público atenda todas as demandas que forem levantadas.

Contra a violência e as invasões de fazendeiros e seus capangas, organizar os comitês de auto-defesa para reagir à altura às provocações. Mobilizar também politicamente em cada comunidade no sentido de levantar a luta pela derrubada de todos os golpistas que tomaram o poder de assalto no país.

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