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As ações de Bolsonaro não estão causando boa repercussão e os políticos golpistas estão precisando sair a público para explicar ou “colocar panos quentes”.

Em seu último discurso, numa cerimônia militar no RJ, Bolsonaro declarou que “democracia e liberdade só existem quando as Forças Armadas assim o querem”. Trata-se de uma declaração que agrada aos militares – setor que domina o regime golpista, cada vez mais. Mas eles sabem que isso não pode ser dito desta forma, publicamente. Assim, o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), defendeu a declaração. Já o vice, general Hamilton Mourão – que agora procura posar de democrático – disse que Bolsonaro tinha sido “mal interpretado”.

O fato é que o discurso presidencial também sinaliza a subordinação cada vez maior do poder executivo às Forças Armadas, e isso não é o que outros setores da base governista desejam. Na democracia burguesa, teoricamente, o poder emana do povo, que elege seus representantes, que por sua vez controlam os militares. Este esquema nunca funcionou de fato, devido à natureza exploradora do capitalismo e às fragilidades do pseudo regime democrático brasileiro. Tratou-se apenas de uma fachada, que a burguesia usa para ocultar sua dominação sobre o Estado. Entretanto, declarações como a de Bolsonaro atrapalham a manutenção deste clima de “normalidade democrática,” que os capitalistas se esforçam em aparentar.

Por isso, a declaração desagradou parlamentares, não apenas da oposição como, também, os golpistas da situação. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), a considerou “mal colocada”, e o do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), também sentiu “desconforto” ao tentar explicá-la sem se comprometer com uma posição intervencionista. Outro direitista, Rubens Bueno (PPS), foi mais incisivo, dizendo que “um homem eleito pelo povo jamais poderia falar uma coisa dessas.

A cada dia se evidencia a falta de base social de Bolsonaro para governar. Trata-se de um governo eleito por fraude eleitoral, que inicia o mandato com índice baixíssimo de aprovação, e que está sendo hostilizado de Norte a Sul do Brasil, como se viu durante o Carnaval. Sem base, o presidente tenta se agarrar no apoio das Forças Armadas.

O regime golpista e seu governo improvisado, enfrentam uma enorme crise, que coloca políticos numa situação defensiva dando declarações confusas e contradizendo uns aos outros.

Ante a essa situação, a esquerda não pode “relaxar” na ilusão de que “Bolsonaro cai sozinho”. O Carnaval evidenciou o cenário de extrema oposição ao regime por parte das massas. É necessário aproveitar a oportunidade para mobilizar a insatisfação popular contra o governo e organizar comitês de luta pela liberdade de Lula e pelo Fora Bolsanaro e todos os golpistas.

 

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