Direita genocida
A região Norte do estado conta com 132 leitos ao total e, desses, só há 2 disponíveis para um total de 26 cidades na região
Moises e Julio vaia bruno collaço
Carlos Moisés (PSL), à esquerda, bolsonarista e governador capacho da direita em SC | Foto: Bruno Collaço, Agência AL/Divulgação
Moises e Julio vaia bruno collaço
Carlos Moisés (PSL), à esquerda, bolsonarista e governador capacho da direita em SC | Foto: Bruno Collaço, Agência AL/Divulgação

O governo de Santa Catarina (SC) decretou a volta às aulas presenciais da rede pública estadual nesta última quinta-feira (18). Carlos Moisés (PSL), governador do estado, em serviço aos setores empresariais que ganham dinheiro com a volta às aulas, autorizou a volta de 1.063 escolas, como se nada estivesse acontecendo, como se o estado não passasse por uma de suas fases mais críticas do risco de contágios e mortes por COVID-19.

Isso quer dizer que o governador da extrema-direita está disposto a colocar os jovens estudantes em risco de contágio. A ação de Carlos Moisés tem o intuito também de pressionar algumas cidades a abrir suas escolas. Segundo dados divulgados por veículos de imprensa da direita no estado, 432 mil dos 527 mil estudantes optaram pelo ensino presencial. Isso não passa de uma grande demagogia, visto que SC está com o sistema de saúde no limite em diversas cidades e enfrenta talvez a pior fase do contágio.

No sábado foram detectadas mais 2.500 pessoas infectadas pelo vírus, sendo que mais 32 pessoas morreram. O sistema de saúde está completamente em colapso. Para se ter ideia do desastre, a região Norte do estado conta com 132 leitos ao total e, desses, só há 2 disponíveis para um total de 26 cidades na região, tendo 98,48% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ocupados. Essa situação extrapolou completamente a Grande Oeste e a Grande Florianópolis, atingindo 98,10% dos leitos ocupados, e 96,18%, respectivamente.

Liderado pelo golpista Carlos Moisés, o governo do estado decide, então, em meio ao caos, forçar o início das aulas presenciais. Uma atitude de caráter genocida, de completa irresponsabilidade, que empurra os jovens, os professores e funcionários para a infecção e morte por coronavírus.

O governo da direita foi obrigado a marcar 3 reuniões emergenciais para esta semana, visto que SC passa pelo seu pior momento da pandemia junto à região Sul do País e, mesmo assim, os decretos de volta às aulas permanecem. A atitude da direita durante a pandemia é de caráter criminoso. Motta Ribeiro, secretário de saúde do estado, finge mostrar preocupação com a população.

No último final de semana “autorizou” a abertura de 5 leitos na zona Oeste, 22 no Hospital Regional, 4 em Xanxerê, além de mais 20 onde a situação estiver crítica. Isto é, os trabalhadores da saúde no estado estão desesperados, pois estão sendo massacrados até as últimas consequências na linha de frente. O governo leva em conta apenas a medida das situações críticas, deixando a população jogada nas filas de hospitais para enfim abrir leitos.

É preciso seguir o exemplo dos professores no estado de São Paulo, onde receberam grande apoio do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP). Este mobiliza pela greve da categoria em torno da volta às aulas em segurança não só para os estudantes, mas também para os trabalhadores da educação em geral.

A categoria dos docentes passa por um momento de ataques brutais da direita com o governo Bolsonaro e dos governadores “científicos”, como Doria (PSDB). Além de serem empurrados a trabalhar em meio a um surto de coronavírus, com média de mais de mil mortes ao dia, sofrem retaliações da direita como a suspensão dos acordos de reposição salarial e ameaça cotidiana de cortes e suspensão de direitos trabalhistas, que colocam a profissão numa situação de liquidação.

Diante da situação, é urgente a mobilização dos trabalhadores da educação estaduais e municipais, para pressionar pela suspensão da volta às aulas presenciais, para que ela ocorra apenas com a vacina para todos e com o fim da pandemia, o que garanta a segurança dos filhos dos estudantes, professores e funcionários da rede pública e suas famílias.

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