De pobre para pobre
Para amenizar minimamente a fome e miséria dos mais pobres, tiram do salário dos menos pobres. Enquanto os ricos se riem da desgraça alheia.
7461905400_7b09f29663_c (1)
Servidores públicos em ato unificado. A luta é pelo fim do congelamento de salários | Foto: CUT/DF
7461905400_7b09f29663_c (1)
Servidores públicos em ato unificado. A luta é pelo fim do congelamento de salários | Foto: CUT/DF

A mais nova arbitrariedade do governo Bolsonaro e do ministro Paulo Guedes condiciona a volta do pagamento do auxílio emergencial ao congelamento dos salários dos servidores públicos federais, estaduais e municipais.

Nas palavras de Guedes e divulgado no jornal golpista O Globo, ele considera que o congelamento de salários dos servidores públicos são suficientes para o pagamento de nova rodada do auxílio emergencial. 

O valor não poderá ultrapassar R$ 250 e por apenas quatro parcelas, tempo estimado pelo ministério para a vacinação e “volta segura ao trabalho”. E vai negociar no congresso para limitar o benefício para apenas 40 milhões de pessoas, incluídos os beneficiários do bolsa família. Enquanto que na versão anterior do auxílio foram beneficiados 68 milhões ao custo de R$ 320 bilhões.

O congelamento de salários foi aprovado no final do ano passado com validade até o final deste ano, 31 de dezembro. Segundo o Tesouro Nacional o valor que será economizado é de R$ 130 bilhões e os gastos com a nova rodada de auxílio emergencial será de no máximo R$ 30 bilhões.

O ministro ainda quer incluir medidas de alteração na constituição que permitam prorrogar o congelamento de salários dos funcionários públicos por mais dois anos em caso de prorrogação do auxílio, intitulada como cláusula de “calamidade permanente”, para ser acionada toda vez que ocorrer um estado de emergência, definido como “protocolo de guerra”.

Os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, do DEM-MG e da Câmara Arthur Lira do PP-AL entraram em acordo para colocar em votação a nova PEC, unificando a do Pacto Federativo e do estado emergencial proposta por Guedes. 

A ideia é tirar do teto de gastos do orçamento os valores do auxílio emergencial e a desvinculação dos fundos públicos para utilização no combate ao covid-19, conforme matéria do jornal golpista O Estadão.

Vemos que é notório que o governo com o apoio do congresso e do senado, estão tirando renda dos pobres para dar aos mais pobres ainda. Tiram dos trabalhadores do serviço público transferindo para os desempregados do sistema, que estão nessa condição por pura ineficiência das políticas do governo neoliberal e fascista e também do próprio sistema capitalista que está numa crise gigantesca desde 2008 sem perspectiva de retorno a normalidade, e ainda agravada pela pandemia do coronavírus.

Em nenhum momento foi pensado em tirar renda dos mais ricos, que têm melhores condições financeiras para isso. Essa classe não paga impostos, não colabora em nada quando aparecem as crises. 

Pelo contrário, durante as crises aumentam ainda mais seus ganhos, à custa da fome e miséria dos trabalhadores, como noticiado recentemente que os 10% mais ricos aumentaram 10% a riqueza durante as crises econômicas e da pandemia. Os dados são do IBGE em valores de 2019  comparado com 2018.

É assim que vemos os ricos ficarem mais ricos, enquanto que os pobres ficam ainda mais pobres. Nos perguntamos que democracia é essa, que não existe igualdade nenhuma de renda, de oportunidades e políticas? Não permite a livre expressão, condenam e prendem sem provas.

O peso da crise sempre cai sobre as costas dos trabalhadores, e não está sendo contestada por parte de suas lideranças, que alegam que a pandemia é a causa para manter as sedes das organizações fechadas e assim não organizam os trabalhadores para enfrentar adequadamente a situação.

Diante disso, a alternativa para os trabalhadores é se organizar em conselhos populares nos bairros e empresas, também nas escolas para elaborar uma pauta de reivindicações, indo para as ruas e lutando por elas até a conclusão.

Relacionadas
Send this to a friend