Nem para os imperialistas
A Ancine, controlada pela extrema direita, vem ignorado sistematicamente o programa de apoio financeiro aos filmes indicados, e a produção e distribuição das obras audiovisuais.

Por: Redação do Diário Causa Operária

No governo do ilegítimo Bolsonaro nenhum filme brasileiro recebeu apoio financeiro, nem mesmo os filmes indicados ao Oscar. Este ano, o filme “Babenco: Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer Parou”, de Barbara Paz, está na disputa por uma vaga no Oscar 2021, e não recebeu nenhum apoio financeiro para a sua campanha. O longa sobre o cineasta Hector Babenco (1946-2016) já recebeu os prêmios de melhor documentário na mostra do Festival de Veneza de 2019 e no Festival de Viña Del Mar, no Chile, em 2020. Agora, o longa na tentativa por uma vaga entre os cinco lugares na categoria de Melhor Filme Internacional da premiação, está tendo que recorrer a um crowdfunding para conseguir dinheiro para a campanha de seu filme.

O Programa de Apoio Financeiro aos filmes brasileiros de longa-metragem indicados ao Oscar, instituído pela Portaria nº 280 de 2008, prevê financiamento aos candidatos para conquistar uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional. A Agência Nacional do Cinema (Ancine), responsável pelo programa, supostamente teria mais de R$ 2 bilhões em caixa do Fundo do Setor Audiovisual Brasileiro (FSA), que financia projetos do cinema brasileiro. Vale lembrar que no ano passado a agência, foi alvo do Ministério Público justamente por improbidade administrativa devido à paralisação do FSA. A Ancine, controlada pela extrema direita bolsonarista, vem ignorado sistematicamente o programa, promovendo um verdadeiro boicote na produção e distribuição das obras audiovisuais brasileiras.

O boicote começou com “A Vida Invisível”, da Karim Aïnouz, no Oscar 2020. O governo brasileiro autorizou apenas o apoio institucional da campanha brasileira. Isto é, a inclusão da marca do governo federal no filme. O que não passou de pura demagogia, uma vez que, a marca do governo já deveria ser inclusa, pois o filme foi parcialmente financiado com recursos oriundos da Lei do Audiovisual. Até mesmo no governo, também golpista, de Michel Temer, o longa escolhido para representar o país na disputa, em 2018, “O Grande Circo Místico”, de Cacá Diegues, recebeu cerca de R$ 200 mil do antigo Ministério da Cultura para sua divulgação em Hollywood.

O corte de verbas ainda se estende a outros programas similares, como o Apoio à Participação Brasileira em Festivais, Laboratórios e Workshops Internacionais. A página oficial da Ancine destinada a este apoio não é atualizada desde 2019 e os links para novas candidaturas não funcionam mais. No ano passado, o Brasil teve participação recorde de filmes no Festival de Berlim, mas nenhum dos filmes recebeu apoio para representar o país no evento. Sob o pretexto de não ter dinheiro, apesar dos supostos R$ 2 bilhões em caixa do FSA para isso, a Ancine realmente suspendeu os programas de apoio internacional em 2019, seguindo a política de desmonte cultural determinada por Bolsonaro.

Mesmo com a política de sucateamento do cinema brasileiro, é possível ver a importância e o prestígio que o nosso cinema tem internacionalmente. O filme “Bacurau”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, ganhou mais um troféu, o de melhor filme internacional do New York Film Critics Circle, o NYFCC. Porém, o troféu está preso na alfândega brasileira!

A Ancine foi alvo de diversas ações fascistas, desde a tentativa de fechamento e privatização, com cortes de verbas, censura e perseguição dos artistas nacionais, até à tentativa de evangelização da agência. O ataque ao cinema brasileiro segue com o fechamento da Escola de Cinema Darcy Ribeiro no Rio de Janeiro e com o abandono da Cinemateca Brasileira, em São Paulo, por exemplo. O descaso total com o cinema nacional é só uma amostra da real política do governo com relação as artes. A política da destruição da cultura brasileira!

Send this to a friend