Antes da crise sanitária
O aumento dos impostos sobre os cilindros de oxigênio revela a verdadeira intensão do governo com a pandemia. Morte aos trabalhadores

Por: Redação do Diário Causa Operária

A cada dia fica mais evidente o descaso com que o governo age em relação à pandemia. Recentemente, foi noticiado que o responsável pelo aumento dos impostos sobre a importação de cilindros de oxigênio partiu do governo golpista, do Ministério da Saúde, retirando esse item da lista de produtos com isenção de taxas de importação, conforme noticiado pelo jornal GGN.

Ao mesmo tempo, o ministério manteve ítens de medicamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina e a ivermectina. Isso ocorreu conforme resolução do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) em dezembro passado. 

Tudo ocorreu às vésperas do início do caos em Manaus (AM) onde houveram muitas mortes por falta de oxigênio. Só após o estouro da crise, a medida foi revertida e os cilindros de oxigênio voltaram a contar com redução de taxas de importação.

Nota-se que a operação causou enorme dificuldade para os profissionais que estão cuidando dos pacientes, Eles atendem sem recursos, sem leitos, sem UTIs, sem medicamentos, com jornadas de trabalho estendidas pela falta de pessoal, sem uma política definida e clara. A saúde encontra-se muito deteriorada, e com a pandemia tudo foi elevado a situação ridiculamente exagerada.

O que o governo federal, dos estados e municípios em geral tem feito muito pouco para o combate à pandemia. Tudo limita-se a repetir pela imprensa constantemente o “fica em casa”, sem adotar um controle eficaz deixando funcionar apenas os serviços realmente essenciais, como produção e distribuição de alimentos, medicamentos, água, luz e internet. O restante teria que fechar e só voltar a funcionar após o controle adequado da pandemia.

Cuidando dos que ficarem em casa, que tenham alimentos, água, luz, máscaras, álcool em quantidade suficiente para sobreviverem e se cuidar adequadamente.

Mas não é isso que está sendo feito. Na verdade, nada está sendo feito no sentido de evitar o contágio e tratamento, e ainda para piorar aumentam os impostos para o oxigênio e colocam em hibernação as empresas que produzem oxigênio no país, como é o caso da Fafen no Paraná e na Bahia, que ajudariam a suprir a necessidade de uso.

É um momento em que tem aumentado significativamente o número de contágios, o número de mortes ultrapassa 300 mil, conforme dados oficiais, que notadamente é subnotificado, uma situação extremamente crítica em todo o país, onde os hospitais de campanha foram em grande maioria fechados e a população encontra-se abandonada à própria sorte para morrer sem atendimento médico com o colapso generalizado em todo o país.

Hospitais em São Paulo foram abertos sem instalação para usar terapia de oxigênio, além da dificuldade de encontrar o produto para comprar, e sequer os elevadores comportam uma maca para os doentes, simplesmente não cabe uma maca no elevador. É a população pobre que é vítima desse sistema medíocre que deixa o povo morrer sem condições mínimas de atendimento.

Assim o Brasil caminha para os 500 mil mortos, sem que o Estado faça nada, pelo contrário, expõe a grande maioria da população em transportes públicos superlotados, tendo que ir trabalhar nos locais fechados sem condições de manter distanciamento adequado. Tudo para salvar a economia e deixar o povo morrer de coronavírus.

Os trabalhadores precisam urgentemente se organizar em conselhos populares e criar uma pauta de reivindicações para a proteção contra a pandemia, contra o desemprego, a falta de auxílio emergencial para sobreviver. Ir às ruas e lutar por um governo que atenda a suas reivindicações até o completo êxito.

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