Derrota com gosto de derrota
Manipulação e fraude marcaram a eleição. Principal prejudicada não foi Manuela D’Avila, mas toda a esquerda que ficou a reboque da frente ampla
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Frente ampla foi responsável por colocar o PT a reboque da direita | Reprodução

Porto Alegre foi palco de uma das principais disputas da frente ampla em todo país nestas eleições. O principal partido impulsionador desta política, o PCdoB, emplacou sua principal candidatura, Manuela D’avilla, no segundo turno das eleições. Em uma campanha morna e extremamente conciliadora com a direita golpista, o delírio da esquerda pequeno-burguesa em cima da frente ampla mostrou-se, mais uma vez, uma grande derrota.

Um mar de ilusões

Rossetto e Manuela. Foto: Laura Barros

Pelo lado da frente ampla, um primeiro fator logo chama a atenção: o PT, principal partido da esquerda brasileira, com uma presença importante no Rio Grande do Sul e em sua capital, decidiu abandonar sua própria candidatura e lançar-se na chapa com Manuela D’Avila. É a demonstração da total confusão no interior do partido, mesmo para o seu setor mais direitista, predominante na direção gaúcha, que sacrificou seus próprios interesses ao patrocinar a candidata do PCdoB.

O cálculo da frente ampla é conhecido. Reunir o maior número de partidos de esquerda, centro e direita sob o signo do “progressismo” – é claro – a pretexto de reunir forças para lutar contra a máquina eleitoral da direita golpista. O primeiro engano começa justamente aí.

Em primeiro lugar, deve-se levantar que as eleições burguesas, ainda mais no atual estágio do golpe de Estado, jamais podem ser vistas como objeto para um simples cálculo eleitoral, sem nenhuma base na luta social. O fato do candidato de esquerda ser eleito nunca dependeu de mera matemática eleitoral, mas da relação de forças entre os partidos e entre a classe dominante e os explorados, em última instância, depende de uma verdadeira mobilização – ou ao menos uma tendência – que fosse capaz de fazer a burguesia recuar de seus partidos e ceder.

Nem na mobilização há mobilização

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Em cima disso, a política levada a frente por Manuela D’Avilla, de nada serviu para mobilização alguma. Sua campanha não serviu para defender nenhuma reivindicação popular, dos trabalhadores, mulheres e setores oprimidos. Muito pelo contrário, reduziu-se à batida demagogia eleitoral comum a todos os partidos, da esquerda parlamentar à direita tradicional e dominante no regime político.

A conciliação com a direita foi presente até mesmo quando a própria mobilização do povo estava dada, como visto nos atos após a morte do operário João Alberto, no Carrefour de Porto Alegre. A candidata não só deixou de impulsionar esta mobilização como buscou conter a sua radicalização, aderindo à posição da direita que buscava amenizar a situação e controlar os trabalhadores revoltados. Esta política de conciliação com a direita, contudo, pôde ser visto desde o inicio, a começar por suas alianças.

De nada adianta impulsionar uma campanha de frente ampla com setores direitistas se esses de nada vão contribuir por impulsionar uma campanha à esquerda, ou seja, que defenda os interesses dos trabalhadores. Assim, na campanha, PT e PCdoB foram capazes aprofundar a já despolitizada de direitista campanha eleitoral, e sofrer, dessa maneira, uma total derrota da máquina da burguesia.

Uma vez mais, “parabéns” para a direita

Aparentemente, nem mesmo a derrota foi capaz de “iluminar” os que defenderam essa política. Logo após a derrota, Manuela D’Avila não tardou, assim como seu companheiro de frente ampla em São Paulo, Guilherme Boulos, a parabenizar o direitista eleito. Não há para estas pessoas, qualquer relação entre a luta real dos trabalhadores e as promessas eleitorais, como visto, as eleições servem apenas para demagogia, pois logo em seu término, a luta contra o “mal” se reverte em mais uma aliança com a direita.

Derrota com gostinho de… derrota

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Nesse sentido, um dos maiores apoiadores da frente ampla, Flávio Dino (PCdoB), veio a público declarar que em 2022 será necessário novamente a política de frente ampla. A razão? Que as eleições de 2020 comprovaram que precisamos aumentar ainda mais a frente, para combater a direita fascista. Nada poderia ser mais alucinante.

Ainda mais, as declarações que se seguiram retratam bem a confusão que paira sobre a esquerda pequeno-burguesa. Segundo a teoria dos frente amplistas, as eleições de 2020 deram uma “derrota com gosto de vitória”, e  – por meio da direita – está sendo responsável por “renovar” a esquerda, ou seja, eliminar Lula e o PT do páreo.

No fim, independente do que queiram teorizar o setor “bem pensante” da esquerda pequeno-burguesa, as frente ampla levou a esquerda em Porto Alegre a uma verdadeira derrota. Sua política era tão paralisante, que sequer foi capaz, por exemplo, de denunciar toda a fraude que cercou sua própria candidatura.

Manuela D’avilla, que adquiriu muitos votos devido a base petista, era dada como potencial vencedora das eleições pelas próprias pesquisas burguesas. A fraude ocorreu, evidentemente, e sobre isso tudo, nenhum setor da esquerda parlamentar, reformista e moderada buscou sequer se pronunciar. A frente ampla se revelou, na prática, o adversário que os golpistas mais gostariam de enfrentar, uma verdadeira sombra da burguesia.

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