Privatizações
Os capitalistas recebem mais um presente do governo do presidente ilegítimo Jair Bolsonaro
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Governo Temer entregando o pré-sal para os capitalistas em 2018 | Ministério das Minas e Energia
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Governo Temer entregando o pré-sal para os capitalistas em 2018 | Ministério das Minas e Energia

A Petrobras concluiu em 23 de dezembro a venda da totalidade da sua participação na Liquigás Distribuidora S.A. para a Copagaz Distribuidora de Gás S.A. e a Nacional Gás Butano Distribuidora. Foi um negócio excelente – para quem comprou e não para o país! – pois a Petrobras recebeu por tudo o que tinha até então na Liquigás o valor de R$ 4 bilhões. Esse valor é ridiculamente baixo e representa uma verdadeira doação. Basta lembrar que lucro bruto de 2018 da Liquigás foi de R$ 1,2 bilhão. Antes disso, temos estes valores (em milhões de reais), segundo o “Relatório Anual de 2017” divulgado pela própria Liquigás: 870,9 em 2013; 924 em 2014, 1.077,8 em 2015, 1.239,9 em 2016 e 1.180,1 em 2017.

Os números acima só podem significar duas coisas: ou a Liquigás é a companhia mais lucrativa do planeta ou foi vendida muito abaixo do seu valor. É claro que aqui vemos mais uma vez o que tem ocorrido nos governos Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer e Jair Bolsonaro: a entrega de setores estratégicos da economia nacional para o imperialismo a preço de banana.

E isso quando o preço do botijão de gás aumentou 21,9% na média em 2020. A justificativa da Petrobras dada no início deste mês para esse aumento todo em plena pandemia da Covid-19 e penalizando a população é que “os preços de GLP praticados pela Petrobras seguem a dinâmica de commodities em economias abertas, tendo como referência o preço de paridade de importação, formado pelo valor do produto no mercado internacional, mais os custos que importadores teriam, como frete de navios, taxas portuárias e demais custos internos de transporte para cada ponto de fornecimento. Esta metodologia de precificação acompanha os movimentos do mercado internacional, para cima e para baixo”.

Fica claro, então, tanto pelos números anuais como pela política declarada abertamente pela Petrobras, que a Liquigás não dá prejuízo – muito pelo contrário! – e vale muito mais do que pagaram por ela.

Essa verdadeira doação para os capitalistas fica caracterizada também pelo fato da Liquigás deter cerca de 21,4% de participação no mercado nacional de gás derivado de petróleo, estando presente em quase todos os estados do país, contando com 23 centros operativos, 19 depósitos, uma base de armazenagem e carregamento rodoferroviário e uma rede de aproximadamente 4.800 revendedores autorizados. Difícil acreditar que tudo isso valha apenas R$ 4 bilhões.

A Petrobras, nas mãos do governo ilegítimo de Jair Bolsonaro, tem se transformado cada vez mais em uma empresa focada apenas na exploração e produção de petróleo bruto, que é a parte menos lucrativa de toda essa cadeia produtiva, deixando a produção com maior valor agregado e maiores lucros para os capitalistas.

Por outro lado, nada isso é surpresa. Entre todos os setores estratégicos da economia brasileira, o de petróleo e seus derivados sempre foi o alvo principal do capital estrangeiro. Desde a criação da Petrobras tem sido assim e o próprio golpe de 2016 que derrubou a presidenta Dilma Rousseff teve como um dos principais motivos a cobiça pelo petróleo brasileiro. A prova disso é que semanas depois da confirmação do impeachment de Dilma o parlamento brasileiro aprovou a lei que permite aos investidores estrangeiros explorar poços de petróleo no pré-sal, abolindo a norma que obrigava que a Petrobras devesse ter uma parte não inferior a 30% em projetos de extração de petróleo na plataforma continental.

Em todos os movimentos do golpe que levou à derrubada de Dilma Rousseff, à prisão ilegal do ex-presidente Lula e à eleição ilegítima do fascista Jair Bolsonaro, vemos a Petrobras, seja na boca na imprensa golpista, pintando-a como um “antro de corruptos” criado pelos governos do Partido dos Trabalhadores – o que se apelidou de “petrolão” – ou na espionagem direta feita pelo imperialismo norte-americano, conforme declarado e documentado em 2013 por Edward Snowden, um ex-agente da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.

A descoberta do pré-sal em uma fase em que a produção global de petróleo bruto já mostrava sinais de que não duraria muitos anos mais por conta do esgotamento das reservas conhecidas fez com que o Brasil entrasse na linha de tiro do capital estrangeiro e os governos imperialistas que o representam, principalmente dos Estados Unidos.

Seria absurdo então imaginar que o governo golpista de Jair Bolsonaro não iria fazer de tudo para entregar o patrimônio natural brasileiro, em especial as reservas energéticas, para os capitalistas nacionais num primeiro momento, abrindo caminho para o domínio total de mais um setor estratégico pelo imperialismo. Afinal de contas, o golpe de estado de 2016 deu trabalho, mobilizou a operação golpista Lava Jato, custou muito dinheiro para comprar órgãos da imprensa burguesa, membros do Poder Judiciário, do Legislativo e do Ministério Público.

Os verdadeiros donos do golpe de estado de 2016 estão recebendo o que querem desde que a presidenta Dilma Rousseff foi deposta e só há uma forma efetiva de interrompermos esse processo e o revertemos: a saída imediata de Bolsonaro e de todos os golpistas do poder.

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