Recrudescimento do regime
O Supremo Tribunal Federal (STF), liderado pelo ministro Luís Roberto Barroso, lançou um pacote para suspender as eleições, mesmo fraudulentas
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O ministro golpista e o presidente fraudulento. | Foto: Marcos Corrêa/PR
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O ministro golpista e o presidente fraudulento. | Foto: Marcos Corrêa/PR

“Eu hoje em dia estou mais preocupado com os desdobramentos da pandemia (de coronavírus) e o impacto social que vai produzir na vida das pessoas do que com o risco democrático, que acho que está mais associado à retórica.” Assim é colocada a manobra do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, no mesmo momento em que recebeu um pacote de sugestões sobre o adiamento das próximas eleições municipais.

A frase é digna de atenção porque coloca claramente a manobra de adiar as eleições, a grande mentira “cientifica” da direita tradicional e seu verdadeiro desprezo aos direitos democráticos da população. Primeiro, a linda preocupação com os “desdobramentos da pandemia” não passa de uma farsa, visto que a burguesia de conjunto, e o Judiciário por consequência, não está fazendo absolutamente nada para evitar o morticínio em massa da população. 

E é claro que o que parece uma “displicência”, não passa do objetivo. Essas instituições que deram o golpe, e agora estão de joelhos para o bolsonarismo, sua única via de manter o regime político, estão em conluio com esse completo genocídio da população. 

Logo em seguida, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), em um surto de sinceridade, diz a verdade: não está preocupado com o “risco democrático”. Que em uma linguagem mais simples, seria abolir o direito ao voto e lançar toda a população para uma ditadura mais escancarada. Ora, não é muito surpreendente que ex-ministro que foi um dos responsáveis pelo golpe de Estado, que foi fundamental na fraude eleitoral de 2018 e jogou milhões de brasileiros para a fome, a miséria total, disputando palmo a palmo um lugar na rua para dormir, esteja realmente preocupado com o “risco democrático” e muito menos com uma crise sanitária. 

O pacote de sugestões recebido por Barroso foi feito por uma série de “cientistas”, “médicos”, “juízes”, alguns dos quais são celebridades fabricadas pelos meios de comunicação burgueses, como o youtuber e colunista da Folha de S.Paulo, Atila Iamarino. Amanhã (16), haverá uma nova reunião, da qual também participarão os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia, e líderes de partidos.

Existe a possibilidade de ser proposta uma PEC sobre o adiamento das eleições. A maioria dos “especialistas” ouvidos por Barroso é favorável à medida. A desculpa? Aglomerações. No mínimo, segundo o que consta, as próximas eleições seriam restritas à propaganda partidária (que já é extremamente censurada) digital, sem comícios de rua, justamente sob o pretexto de não acumular pessoas para que o coronavírus não se propague. Algo absurdamente antidemocrático, ditatorial.

Com a reabertura total da economia, com milhões de brasileiros trabalhando expostos ao vírus, com a aglomeração abundante nos ônibus de todo o País, por que o argumento da crise sanitária seria pretexto para adiar as eleições? Fica claro que o caráter é mais político, diferente do que o ministro diz, de que “não me meto em assuntos políticos”, é uma farsa total e completa. O STF sempre se dispôs a governar, mesmo que não seja essa sua função, em tese. 

E agora está manobrando, sob as ordens da burguesia golpista, para suprimir o direito democrático da população à liberdade de expressão e ao voto. É preciso se opor duramente a isso, ainda mais a esse pretexto ridículo. É não só possível, como necessário, colocar em marcha uma grande mobilização para derrubar o governo Bolsonaro e todo o regime golpista! 

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