Destruição nacional
O presidente da Petrobrás disse em entrevista ao Estadão que a Petrobras ter 98% das refinarias é uma “anomalia” e que é preciso privatiza-las
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2015.03.12 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ato das Centrais do RS no Largo Glênio Peres e Praça da Matriz | Foto: Guilherme Santos/Sul21.com.br
Trabalhadores em defesa da Petrobras em 2015 | Foto: Filipe Castilhos/Sul21

O atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse em entrevista que o fato de a empresa deter o controle de 98% do refino do petróleo é “uma anomalia” e que a empresa deferia acabar com pelo menos metade de seu refino, mirando trabalhar exclusivamente com a extração do óleo.

A entrevista, como não poderia deixar de ser, foi dada ao Estadão em parceria com o Banco Safra, dois dos setores mais reacionários do país e mais atrelados ao imperialismo. Nela, Castello Branco enfatiza que não existe mais corrupção na empresa e que o problema agora é vender todas as subsidiárias e os ativos da Petrobras para que ela seja uma empresa “moderna”, “dinâmica” e “competitiva”. O presidente da Petrobras ainda afirmou que somente petrolíferas de países atrasados agem como a brasileira.

Toda a entrevista, no entanto, demonstra mais uma vez que o golpe de estado no Brasil não visou nenhum combate à corrupção. Ao contrário, o golpe que partiu do imperialismo sempre teve como objetivo destruir as forças produtivas brasileiras, em especial a Petrobras, visto a crise no ramo petrolífero que ataca principalmente a economia dos países imperialistas, o que faz com que a destruição da Petrobras seja ainda mais necessária.

Em uma entrevista feita ao sítio Outras Palavras em 2019, quando o STF permitiu a privatização de subsidiárias da Petrobras sem que o processo precisasse passar pelo congresso, o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Felipe Coutinho, disse que para que uma empresa petrolífera conseguisse crescer, era necessário que ela fosse uma empresa diversificada, que atuasse em vários setores, como é a Petrobras, atuando desde a extração até a bomba de combustível, exatamente o contrário do que quer o presidente da empresa neste momento.

Felipe ainda discutiu o fato de que a maioria das grandes petrolíferas, são estatais: “Entre as cinco maiores companhias do mundo, quatro são estatais. Das 20 maiores, são 13 estatais.” disse, completando que o projeto de venda dos ativos e das refinarias é o esvaziamento total da empresa, “Ou seja, vende-se o conteúdo produtivo e o Estado fica com uma casca vazia.”.

Vários são os motivos para que uma empresa como a Petrobras seja 100% estatal. Uma delas é a soberania. Um país que controla suas próprias riquezas, é um país livre e independente de nações mais poderosas. Prova disso é o fato de que durante o governo completamente subserviente ao imperialismo que foi o governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), ocorreu a privatização da Vale do Rio Doce e houve várias tentativas de se privatizar a Petrobras.

No caso de empresas do ramo de energia, como é o caso, a necessidade de controle 100% estatal é ainda maior, já que é a partir do desenvolvimento energético que é possível o desenvolvimento de outras áreas. Em um país como o Brasil, em que cerca de 2 milhões (em dados muito imprecisos e que podem ser bem maiores) de pessoas ainda não possuem energia, a privatização da Petrobras é um ataque direto a essas pessoas que ainda esperam pela chegada da luz em casa. A falta de energia no Amapá, em que quem controla a energia é a empresa privada Gemini Energy, demonstra bem este ponto.

Outro motivo pelo qual a empresa precisa ser estatal é o fato de que uma empresa que não seja controlada diretamente pela burguesia, mas sim pelo estado, deixa de ser uma empresa em que o lucro é o principal objetivo, sendo possível que a empresa invista no desenvolvimento cultural do país, além de permitir valores mais baixos no que diz respeito ao combustível, por exemplo. A própria Petrobras cumpria essa função, sendo uma das principais empresas agindo no fomento do cinema nacional, por exemplo, além de possibilitar a segurada nos preços dos combustíveis durante os governos do PT.

Desde o golpe essa visão se subverteu e o objetivo central da Petrobras se tornou o lucro dos acionistas, permitindo que os combustíveis e, posteriormente todos os produtos brasileiros, subissem seus preços, o que gerou uma queda muito grande no poder de compra dos trabalhadores.

É preciso lutar para impedir a privatização da Petrobras, além de lutar pela estatização de 100% do setor de petróleo e gás no país. Estamos vendo novamente que durante o governo Bolsonaro, é questão de tempo para que os golpistas consigam seus objetivos de entregar a empresa ao imperialismo. Por isso, junto da luta pela estatização completa do setor, é preciso lutar pelo fora Bolsonaro e pela restituição dos direitos políticos de Lula.

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