Confusão
A vaga deixada por Abraham Weintraub no Ministério da Educação está sendo disputada pelos setores golpistas da burguesia, incluindo o centrão
Presidente Jair Bolsonaro durante reunião com o ministro da Educação, Abraham Weintraub.
Bolsonaro e Weintraub | Imagem: reprodução

A vaga deixada por Abraham Weintraub no Ministério da Educação está sendo disputada pelos setores golpistas da burguesia, inclusive o centrão. Essa disputa tem de ser entendida pela esquerda para não tirar conclusões precipitadas.

Em primeiro lugar, a queda de Abraham Weintraub não se deu por nenhuma mobilização da esquerda nem muito menos dos estudantes, como foi propagandeada pelo presidente da União Nacional dos Estudantes, Iago Montalvão (PCdoB). Setores da esquerda pequeno-burguesa como o Psol declararam que foi uma enorme vitória para a democracia a saída do fascista Weintraub.

O que é necessário entender é o desenvolvimento da crise dentro do Ministério da Educação e que a saída de Abraham Weintraub não tem nada de vitória da democracia. Pelo contrário, pois a queda do ministro está ligada a uma disputa dentro do bloco golpista por um dos maiores orçamentos do governo federal e que tem as empresas de educação privadas por trás.

Isso porque foi indicado pela ala militar o ministro Carlos Alberto Decotelli que nem chegou a tomar posse e ficou apenas 5 dias no cargo, mostrando a enorme crise dentro do governo e as alas golpistas que o compõe.

Após a saída de Carlos Alberto Decotelli, Jair Bolsonaro chegou a anunciar o novo ministro, o secretário de educação do Paraná, Renato Feder. A indicação do novo ministro é uma indicação de setores ligado ao centrão, pois foi elogiada pelo bilionário João Paulo Lemann, que tem grandes interesses no mercado da educação, e por Luciano Huck.

Caso Renato Feder chegasse a assumir o cargo, seria uma vitória dos empresários da educação e do chamado centrão que Jair Bolsonaro está aproximando com a distribuição de cargos e verbas. Nesse sentido, a grande vitória propagandeada pela esquerda significa apenas que saímos da frigideira diretamente para o fogo. Isso porque a situação se agrava e o ministério está cada vez mais nas mãos dos tubarões capitalistas e que não há nenhum enfrentamento dessa situação por parte da esquerda pequeno-burguesa.

A política apresentada pela esquerda pequeno-burguesa, como setores do PT, do todo o Psol e do PCdoB, de não mobilizar contra essa situação é em decorrência da participação da frente ampla. Em vez de esconder o que está ocorrendo dentro da crise do Ministério da Educação, a esquerda procura enganar a população afirmando que está lutando e que a saída de mais um ministro é decorrência dessa luta.

Não há nenhum enfrentamento e a recusa em denunciar que se trata apenas de uma briga de quadrilhas para ver quem é que vai ficar com o espólio do ministério da educação é acobertar os golpistas e é, também, resultado da frente ampla. A mudança dos ministros não vai mudar em nada os ataques à educação, somente vai mudar de mãos o roubo da educação e os beneficiários disso.

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