Privatização da Petrobras
A medida faz parte da política do governo golpista de Bolsonaro para privatizar a Petrobras através da venda das suas subsidiárias e permitirá a criação de um monopólio privado
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Obras de modernização e ampliação da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no RS em 2014 | PAC Divulgações
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Obras de modernização e ampliação da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no RS em 2014 | PAC Divulgações

Na última terça (19), a direção da Petrobras anunciou a aprovação da venda da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), localizada em Canoas (RS), para a Ultrapar Participações S.A. Com o controle de empresas como os postos Ipiranga, a Ultragaz e a Ultracargo, a Oxiteno e a Extrafarma, o Grupo Ultra busca se constituir como um monopólio privado baseado na política do governo golpista de Bolsonaro, que tem levado adiante a privatização da Petrobras através da venda de suas subsidiárias, como as refinarias.

Para entender o que está em jogo, é preciso entender o histórico do grupo Ultra, que também disputa a compra da Reginaria Presidente Getúlio Cargas (Repar), em Araucária (PR).

A Ultrapar, através da Ipiranga, é a segunda maior empresa de distribuição de combustíveis do Brasil, com 30% do mercado, com cerca de 7.090 postos em todo o território nacional (segundo dados da empresa em 2019) atrás apenas da BR Distribuidora. Esta, por sua vez, até 2020 era majoritariamente controlada pela Petrobras. No entanto, o governo Bolsonaro vendeu a participação da estatal na BR Distribuidora, passando o controle da distribuição de combustíveis no Brasil para os capitalistas do setor. O Grupo Ultra, neste sentido, é mais um grupo capitalista buscando uma fatia do mercado agora controlado pela iniciativa privada.

Caso consiga efetivar a compra da Refap, o Ultra conseguirá formar um monopólio regional.

Como denuncia o Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Sul (Sindipetro-RS) através do seu presidente, o petroleiro Fernando Costa Maia:

“A Refap é a principal fornecedora de derivados para o Rio Grande do Sul, parte de Santa Catarina e uma parcela do oeste paranaense. Essa região não sofre influência de nenhuma outra refinaria, e isso acaba criando um mercado monopolizado. Por isso, com a privatização, ninguém vai conseguir importar porque não terá como descarregar derivados no Rio Grande do Sul, então a empresa compradora poderá praticar o preço que ela quiser.”

Considerando que o Grupo Ultra tem a Oxiteno como líder da produção na América Latina, a Ultracargo como a maior provedora de armazenagem para graneis líquidos do Brasil, com sete terminais e a única em seu setor presente em todos os principais portos brasileiros, controlar a Refap no Rio Grande do Sul seria uma maneira ilimitada de expandir seus negócios e assaltar a população através da prática de preços abusivos.

Essa benesse ilimitada do Estado brasileiro à burguesia é resultado da política entreguista do governo Bolsonaro, que está dando quase de graça a infraestrutura pública, construída através de décadas de investimentos com o dinheiro do povo, aos capitalistas. Trata-se do programa dos golpistas para liquidar a soberania nacional e o setor do petróleo e gás no País.

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