Frente ampla em ação
A revista de extrema-direita procura fazer pressão para que a esquerda abandone a sua maior liderança e fique à reboque da burguesia dentro da frente ampla
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O abutre Guilherme Boulos, um dos representantes da frente ampla, com Lula | Foto: Reprodução

Em matéria intitulada “Como a esquerda tenta se livrar do ex-presidente Lula”, a revista Veja dá mostras muito claras de qual é o caminho que a burguesia acredita que deve ser seguido pela esquerda no momento político atual. Com citação de figuras como o presidente do PSB e o presidente do PDT, partidos direitistas vendidos como esquerda pelos apoiadores da chamada “frente ampla”, o articulista da revista de extrema-direita quer fazer o leitor acreditar que a atitude correta a ser seguida pelo Partido dos Trabalhadores, o maior da esquerda nacional, seria apoiar a candidatura de partidos menores e bem mais comprometidos com a burguesia, como os dois citados anteriormente ou o PSOL.

Segundo a matéria, a atitude deveria ser tomada com a finalidade de construir uma unidade da esquerda que pudesse ter condições de derrotar Bolsonaro nas próximas eleições presidenciais. No entanto, o “hegemonismo” de Lula seria a causa de a esquerda não conseguir essa tão sonhada “união”. O articulista cita o suposto encontro entre Lula e Ciro Gomes recentemente bombardeado na imprensa capitalista e também de esquerda, como algo que teria entusiasmado os setores que acreditam na necessidade do abandono da candidatura da maior liderança popular do país.

Além disso, é também feita uma crítica à atuação do Partido dos Trabalhadores, que, acertadamente, resolveu lançar o maior número possível de candidaturas às prefeituras das diferentes cidades. Para a Veja, o PT não deveria valorizar seu próprio prestígio político ou seus próprios quadros, mas sim obedecer à pressão da esquerda pequeno-burguesa e da imprensa capitalista e apoiar candidatos muito menos populares do que os seus para dar condições de a esquerda tentar vencer as eleições. Logicamente que a intenção por trás disso é destruir a esquerda e o movimento operário, obrigando-a a ficar à reboque da direita tradicional.

Foi citada como exemplo a situação de Recife, em que, ao contrário do que foi feito nas eleições anteriores, o PT resolveu lançar a candidatura de Marília Arraes, quadro bastante popular da cidade e que aparece nas pesquisas em segundo lugar, o que significa que, muito provavelmente, ela poderia estar até em primeiro lugar, dada a gigantesca propensão dos institutos de pesquisa a fraudar os resultados contra o PT.

Posteriormente, a matéria ainda cita um suposto “dirigente anônimo” do PT, que se queixa do fato de que nenhuma aliança política pode ser feita pelo partido sem que passe pela autorização de Lula. O dirigente anônimo (talvez imaginário? ou, no mínimo, um infiltrado de direita no partido) chega a dizer que Lula seria uma espécie de “papa” do PT, em uma demonstração de total subserviência aos interesses da burguesia, que procura fazer de tudo para procurar isolar a ala lulista do partido.

Também se utiliza a citação do presidente do PSB, Carlos Siqueira, que diz que “há uma visão autoritária e exclusivista que acha que só o PT pode ser o representante da esquerda, que acha que fora da igreja não há salvação. Que igreja é essa?”, mostrando a natureza desse partido que procura se vender por aí como sendo de esquerda.

A manobra que a burguesia quer realizar neste momento atual é a de impulsionar uma chamada “frente ampla”, em que partidos de esquerda e da direita tradicional se entendessem e se unissem, em nome de derrotar a extrema-direita e Bolsonaro. O problema maior, no entanto, é que Lula se coloca contra essa política, o que é um gigantesco empecilho para botá-la em prática, dadas as dimensões de sua liderança.

Fica mais clara ainda a manobra nesse momento, com o que foi feito nas eleições norte-americanas. A intenção da burguesia nacional é criar uma espécie de “Biden brasileiro”, um candidato de direita que fosse apoiado pela esquerda e por todos os setores para derrotar a suposta ameaça de barbárie e fascismo, representada pelo bolsonarismo, usado como espantalho para convencer a esquerda a votar em seus piores inimigos. 

Quando a revista Veja, uma das principais articuladoras do golpe de estado no Brasil, procura dar conselhos à esquerda nacional, é óbvio que a sua intenção é a de levá-la para um caminho de suicídio total. A manobra da “frente ampla” é uma importante armadilha da burguesia e as eleições estão sendo importantes para botá-la em prática. Os setores da esquerda devem repudiá-la a qualquer custo e recusar qualquer acordo com os setores golpistas que, no fim das contas, foram quem criaram as condições para a ascensão de Bolsonaro ao poder.

Como a burguesia não consegue mais conviver com Lula e sua política, existe toda uma pressão no sentido de fazer parecer que ele estaria “velho” ou “desgastado” pela campanha criminosa feita pela imprensa durante o período do golpe de estado. No entanto, o ex-presidente segue sendo a maior liderança da política nacional e o único com capacidade política para impor uma derrota ao golpe de estado. Nesse sentido, toda a esquerda deve se unificar em torno de sua candidatura em 2022.

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