Golpe na saúde: golpistas atrasam envio de remédio para o SUS e prejudicam mais de 300 mil pessoas

Ricardo Barros e o golpista Michel Temer

Da redação – No ano passado, em agosto de 2017, o medicamento Levetiracetam foi incorporado ao conjunto de medicamentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde, mas até agora, mais de um ano depois, ainda não pode ser encontrado na rede pública. O caso é grave, pois o medicamento serve para controlar crises de convulsão, principalmente em bebês que foram diagnosticados coma syndrome congênita da Zika, e para tratar pacientes que sofrem de epilepsia. De acordo com a regra para esse tipo de incorporação, o governo teria 180 dias para colocar o medicamento à disposição, mas até agora não fez.

De acordo com as declarações do governo, o medicamento ainda não está disponível no SUS porque o governo federal não conseguiu entrar em acordo com as secretarias de saúde a respeito de quem pagará os custos dos remédios. De acordo com Clarissa Yasuda,  professora de Neurologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), “”Enquanto uma decisão não vem, o que vemos é uma legião de pacientes esperando, que poderia ser beneficiada com tratamento ou protegida de efeitos colaterais de drogas atualmente utilizadas. É muito frustrante”.

De acordo com os levantamentos realizados até o presente momento, o número de pacientes que se beneficiaria do uso do remédio ultrapassa 300 mil, e inclui mulheres grávidas que não podem fazer uso dos outros medicamentos. Segundo Maria Luiza Manreza, coordenadora do Departamento Científico de Epilepsia da Academia Brasileira de Neurologia, “Estudos mostram que remédios usados para controlar as crises têm efeitos negativos na formação do feto. E um deles, o valproato, por exemplo, tem efeitos ainda mais nocivos. Com isso, não temos ferramentas para tratar essas pacientes”. O Levetiracetam é amplamente utilizado para tratar as crises epiléticas de mulheres grávidas, pois é o único que prejudica a formação do feto, por isso a sua ausência na rede pública de saúde é também um crime contra a vida das mulheres.

Com toda a cara de pau possível, o Ministério da Saúde dirigido pelo golpista Ricardo Barros, do Partido Progressista, afirmou que o problema do medicamento só vai ser discutido no final de outubro em uma reunião com as secretarias estaduais e municipais de saúde. Enquanto os golpistas se concentram em atacar os direitos do povo brasileiro e atacar as condições de vida da casse trabalhadora, milhares de pessoas sofrem sem o tratamento adequado que tem direito.

Os pacientes do SUS, na falta do medicamento tem que desembolsar cerca de R$ 250 por mês para realizar seu tratamento. Os pacientes que não possuem dinheiro para comprar o remédio nas farmácias são obrigados a usar ouras drogas que apresentam uma série de efeitos colaterais quando utilizados em conjunto com remédios para tratar outras doenças como diabetes e asma, correndo sérios riscos de saúde.

A realidade da saúde pública no Brasil sofreu uma piora abissal após o Golpe de Estado de 2016 que destitui ilegalmente a presidenta Dilma Rousseff. De lá para cá os golpistas vem promovendo uma política de sucateamento total da saúde pública em nome dos interesses das corporações privadas, como os planos de saúde que cobram valores absurdos. O mesmo vem sendo realizado em várias áreas de atuação do Estado brasileiro, como a educação por exemplo, e tende sempre a rebaixar as condições de vida da população mais pobre.

Por isso, é fundamental levar adiante a luta contra o Golpe de Estado e contra os golpistas que se apossaram do poder no país para atacar a população e levar o Brasil para o fundo do poço em nome dos interesses dos capitalistas.