Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit

Os acontecimentos presentes, mundialmente relevantes, estão diretamente atrelados ao desenvolvimento histórico. Ainda na época da escravidão, os negros possuíam condições de vida, no que diz respeito a bem-estar, alimentação, saúde, moradia, etc., infinitamente inferiores à população branca. Não diferente, e também não espantoso, uma vez que vivemos em um sistema de repressão e opressão, a população negra encontra-se em situação de descaso no que diz respeito à saúde, aumentando, consideravelmente, os óbitos por problemas de saúde evitáveis no Brasil.

Dentre os principais problemas de saúde que poderiam ser evitados, caso a população negra possuísse condições de vida dignas, encontra-se a mortalidade de recém-nascidos antes dos seis dias de vida, doenças sexualmente transmissíveis, hanseníase, morte materna e tuberculose. Segundo alerta das Nações Unidas (ONU), lançado nessa segunda feira, 29, não apenas esse conjunto que afeta aos negros é maior em comparação a população branca, mas também em relação às médias nacionais.

Segundo destaca a coordenadora da organização de mulheres negras Criola, Lúcia Xavier, isto se explica pela qualidade, inferior, a qual os negros vivem. Por viverem sob maior influência dos determinantes sociais de saúde, o que os torna mais vulneráveis, o risco de óbito cresce.

Logo a população negra é a mais acometida pelos péssimos indicadores de saúde, sendo assim, maior a incidência de doenças.

Não apenas nas mortes por problemas de saúde, os negros também são maioria nos índices de óbitos intencionais, provocados de forma violenta, como indica a campanha da ONU “Vidas Negras”.

Como revelam dados do Ministério da Saúde, registros de AIDS, por exemplo, ocorreram, em sua maioria, 55% em negros, sendo os índices de mortalidade também mais elevados nesse grupo (58,7%). Em acometimentos como a Sífilis, os índices não mudam tanto. 42,4% das acometidas são negras, sendo, no grupo das gestantes, 59,8%. Em casos de sífilis congênita, as mães, negras, representaram mais da metade dos casos 65,1%.

Doenças atreladas às más condições de higiene e moradia, como a Hanseníase, tiveram mais da metade do total de casos (31.064) ligados à população negra (21.554). Outras patologias, tal qual a tuberculose, também acometeram majoritariamente a população negra, sendo 57,5% dos casos.

No que se refere ao Sistema Único de Saúde (SUS), 80% da população que apenas o utiliza como plano de saúde é negra. 13,6% dos indivíduos já se sentiram discriminados racialmente, por médicos e demais profissionais. Sendo assim, explica-se, por exemplo, a desigualdade do desempenho dos prestadores para com aqueles que se utilizam dos serviços. Lúcia Xavier também afirma que essas discriminações e desigualdades, porém, não são vistas apenas no SUS, sendo também evidente na rede privada. Para ela, torna-se evidente nas diferenças das taxas de mortalidade.

Prova-se, assim, o total desinteresse do sistema capitalista no que se refere aos negros, na prestação de serviços de saúde de qualidade, bem como saneamento básico, moradia e emprego. Esse grupo sofre, diariamente, com descaso, que gera altas taxas de mortalidade.

A conferência Sanitária das Américas, realizada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), recomenda ao Brasil a promoção de políticas públicas capazes de abordar a “etnicidade como determinante social da saúde”.

Fernanda Lopes, representante auxiliar do Fundo de População das Nações Unidas no Brasil, também destaca o mesmo ponto. Para ela, a existência de dados é importante, porém já existente, sendo a qualidade desses dados necessária apuração. Afirma também ser fundamental informações que envolvem raça/cor para validação dos estudos. Sem esses dados, afirma, podem existir erros no repasse de fundos, por exemplo, que acarreta em mantimento ou agravamento das desigualdades.

Através de informações do Banco do Sistema Único de Saúde (DataSUS), bem como da Lei de Acesso a Informação, Vitória Lourenço, 25 anos, fez um levantamento sobre o perfil por trás dos óbitos maternos no Rio de Janeiro, constatando que, mulheres que morrem em decorrência da gravidez, parto e pós parto, no estado, são, no geral, jovens, negras, de baixa escolaridade.

Vitória também acentua um problema: a forma com a qual o quesito “cor” é preenchido pelos atuantes na área da saúde. Afirma a existência de um tabu no perguntar sobre como as pessoas se identificam. Isso corrompe a pesquisa.

O segundo problema trazido por Vitória é: na maioria das vezes, os negros são apenas estatísticas, não tendo participação efetiva na realização das pesquisas. Acrescenta ainda que isso impacta diretamente o conhecimento que se tem sobre o tema.

Este cenário se agrava posterior ao golpe de Estado que o Brasil sofreu recentemente. Com os cortes realizados, que tendem a ser cada vez maiores, a parcela da população negra, acometida por problemas de saúde, tende a aumentar, aumentando, assim, o número de óbitos. Logo lutar contra o golpe é fundamental.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas