Tendência golpista
À luz da situação em que se encontra a América Latina, com diversos casos recentes de golpes de estado promovidos pelo imperialismo, é necessário atenção por parte da esquerda.
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Alberto e Macri
Atual presidente da Argentina, Alberto Fernández, recebendo faixa presidencial de Macri. | Foto: Reprodução.

Semana passada, o regime político argentino tremulou. Desde segunda-feira (7), policiais tem se manifestado ao redor de todo o país, clamando por melhorias salariais. Entretanto, na última quarta-feira (9), esses atos tomaram proporções que podem ter implicações diferentes de somente uma campanha salarial, com efetivos armados cercando a quinta de Olivos, a residência oficial do presidente Alberto Fernández.

Em um primeiro momento, é preciso lembrar que quem é responsável pelos salários dos policiais em Buenos Aires é o governador, Axel Kicillof, não o presidente. Nesse sentido, precisamos nos perguntar, qual é o motivo da presença dos policiais na residência oficial do governador? Além disso, com certo grau de antecipação, é preciso indagar: estamos diante de um prelúdio para mais um golpe na América Latina? Para analisarmos corretamente a situação, precisamos nos voltar para alguns acontecimentos passados.

Há alguns anos, a Argentina foi governada por uma série de governos nacionalistas burgueses, representados pelo casal Kirchner. Todavia, no final do segundo mandato de Cristina Fernández de Kirchner, iniciou-se uma ampla campanha direitista contra a corrupção em seu governo, engendrada como reação por parte da burguesia imperialista contra a política de Kirchner de enfrentamento de setores argentinos tradicionais. Entretanto, diferente do que ocorreu no Brasil no golpe de 2016, o Partido Peronista acabou cedendo, principalmente devido ao fato de que a ala esquerda não era tão poderosa quanto à ala lulista no PT. Nesse sentido, o que era para representar um golpe de estado acabou se tornando uma eleição perdida.

Em seguida, assumiu a presidência Maurício Macri, representante da burguesia tradicional Argentina. Indo na contramão dos planos da direita, o governo de Macri não conseguiu se sustentar, principalmente devido à precária estrutura econômica que a Argentina possui. Portanto, foi logo substituído, em novas eleições, por Alberto fernández, candidato apresentado pelos próprios Kirchner, o que, consequentemente, representa uma espécie de derrota eleitoral do golpe de estado.

Como de se esperar, o governo de Fernández, por mais que tenha começado com uma perspectiva positiva, se defrontou com uma situação ainda pior do que a de Macri. Afinal de contas, logo ocorreu a pandemia do novo coronavírus que, como sabemos, intensificou a crise capitalista num nível nunca antes visto. Com isso, estabeleceu-se, novamente, uma forte tendência golpista, principalmente em meio ao caldeirão que é a América Latina e sua política influenciada pelo imperialismo, com recentes golpes na Bolívia, no Equador, no Brasil, dentre outros.

Depois de tudo isso e, agora, com as manifestações dos policiais, interrogações de golpe começam a ser levantadas. Existe, inclusive, uma série de acontecimentos que dão força à essa hipótese:

Primeiramente, vimos recentemente uma série de mobilizações direitista contra a reforma judiciária promovida pelo governo de Fernández – afinal, o sistema judiciário é um dos principais aparatos utilizados pela direita para controlar a classe operária. Em segundo lugar, houve um episódio no qual policiais tentaram invadir o congresso nacional. Além disso, vimos uma declaração quase que escancarada de um elemento da direita, ligado ao regime político burguês, questionando, com ironia, se as pessoas ainda esperam por eleições em 2021. Agora, temos a situação relatada acima, com o cercamento da residência do presidente.

À luz da análise acima, podemos concluir, no mínimo, uma coisa: a possibilidade de um golpe é extremamente real, portanto, é essencial que a esquerda argentina fique a postos para combater toda e qualquer mobilização proveniente da direita. Afinal de contas, a situação que ocorre agora, na Argentina, é extremamente similar ao que ocorreu antes do golpe que derrubou Evo Morales, engendrado por uma greve policial.

No atual estágio do capitalismo, o imperialismo procura fazer de tudo para que consiga se sustentar sobre suas próprias contradições. Nesse sentido, a concretização de mais um golpe na América Latina faz parte de um projeto de salvação, na qual a política imperialista se volta a tentativa de juntar as partes de seu corpo, há muito em estado de putrefação. Consequentemente, é imprescindível que a classe operária argentina luta firmemente contra mais um golpe. Nesse momento, é necessário atenção, pois, se há fumaça, há fogo…

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