O golpe continua
Trata-se de um amplo movimento golpista e sem data de término, isto é, até que o imperialismo domine por completo toda a região.
Rafael Correa
Ex-presidente do Equador, Rafael Correa | Kenzo Tribouillard/AFP
Rafael Correa
Ex-presidente do Equador, Rafael Correa | Kenzo Tribouillard/AFP

Se ainda havia dúvidas quanto aos planos do imperialismo para a América Latina, o caso do ex-presidente do Equador, Rafael Correa, pode nos esclarecer a respeito: trata-se de um amplo movimento golpista e sem data de término, isto é, até que o imperialismo domine por completo toda a região. Nesta quarta-feira, 23, o tribunal da Corte Nacional de Justiça (CNJ), o mesmo que julgou em primeira instância o caso Subornos (2012-2016), ordenou a localização e captura de Rafael Correa.

Quando se trata de perseguir opositores, o imperialismo é rápido e eficiente. Dando sequência ao processo golpista, o juiz Iván León, depois de confirmar que o processo está “executado” ou “firme”, ordenou que nesta mesma quarta-feira os respectivos ofícios sejam enviados às autoridades policiais para “localização imediata e captura” dos condenados. Além de Correa, vários ex-funcionários, empresários e até mesmo Jorge Glas, vice-presidente do Equador (2013 a 2017), constam na mira do judiciário. Ademais, o Tribunal pediu ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) a perda dos direitos políticos de todos os condenados por um período igual à pena de prisão.

Através de notificação, o Tribunal de Primeira Instância declarou que “está previsto que, pela Secretaria – no transcurso deste dia – sejam expedidos os correspondentes ofícios, tanto ao Comandante-geral da Polícia, como ao Chefe da Polícia Judiciária, para a sua imediata localização e captura (dos condenados)”.

Essa movimentação não é mero acaso, visto que o Rafael Correa solicitara pela internet a inscrição de sua candidatura à vice-presidência. Vale lembrar que Correa recentemente desistiu da candidatura presidencial para ser vice; optou por não enfrentar o regime colocando-se como vice de seu ex-ministro Andrés Arauz. Evidentemente, o imperialismo não pretende dar espaço para nenhuma possibilidade aos seus opositores. Mesmo buscando um acordo com os golpistas, seguindo o exemplo de Cristina Kirchner na Argentina, a capitulação de Rafael Correa demonstrou, mais uma vez, que não adianta buscar uma aliança com o regime. Enquanto isso, fecha-se o cerco do imperialismo aos governos da América Latina.

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